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Sacre Investimentos
12 de jun. de 20264 min

Radar Diário de Ações - 12/06/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Mineração & Siderurgia (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Rodrigo Gotardo / Bruno Henriques)

  • Vale (VALE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 90,00

A Vale informou ter recebido da Previ um pedido formal para convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) com o objetivo de deliberar sobre mudanças em seu Conselho de Administração. A proposta prevê a substituição de Daniel Stieler, a nomeação de José Maurício Pereira Coelho para a vaga disponível e a eleição de Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira ("Ollie") para a presidência do Conselho. A possível nomeação de Ollie, atual Lead Independent Director da Vale e executivo com ampla experiência internacional no setor de mineração, tende a ser vista positivamente pelo mercado, especialmente por investidores estrangeiros, ao reforçar a percepção de maior independência e fortalecimento da governança corporativa, reduzindo preocupações históricas relacionadas à influência política na companhia. José Maurício também traz relevante experiência em finanças e governança, incluindo passagens pela própria Vale e pela Previ. Embora a proposta ainda dependa de aprovação dos acionistas, a expectativa é de que as mudanças sejam aprovadas. No geral, os acontecimentos são interpretados como positivos do ponto de vista de governança, reforçando a tese de investimento da companhia, motivo pelo qual a recomendação de Compra para Vale é mantida.

Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Marcopolo (POMO4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 10,00

Os dados de produção da FABUS para maio indicaram continuidade da recuperação da demanda doméstica por ônibus no Brasil, com a produção nacional crescendo 4% a/a, impulsionada principalmente pelos segmentos de micro-ônibus e minibuses, beneficiados pelas entregas ao Ministério da Saúde e possivelmente pelo programa Move Brasil. As marcas da Marcopolo (Marcopolo, Neobus e Volare) produziram 1.208 unidades no mercado doméstico, alta de 7% a/a, com destaque para o forte desempenho da Neobus e da Volare. Por outro lado, as exportações permaneceram mais fracas, com queda de 27% a/a, refletindo uma base de comparação mais desafiadora. No consolidado, a indústria produziu 2.740 unidades, em linha com o ano anterior, enquanto a Marcopolo registrou 1.322 unidades (+2% a/a). De forma geral, os dados reforçam a expectativa de melhora gradual dos volumes e margens ao longo do 2S26, embora a perspectiva de crescimento estrutural permaneça limitada. Ainda assim, o cenário operacional mais favorável, aliado ao valuation atrativo de 6x P/L 2026 e ao dividend yield esperado de 9%, pode sustentar um momento mais positivo para as ações no curto prazo, apesar da manutenção da recomendação Neutra para Marcopolo (POMO).

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)

  • Nota Setorial - Varejo & Consumo

O setor de varejo brasileiro travessa um momento que guarda semelhanças com o período recessivo de 2015–2016, marcado por desaceleração do consumo, revisões negativas de lucros e forte compressão dos múltiplos. Atualmente, as taxas de juros reais de longo prazo próximas de 8% elevam significativamente o custo de capital e ajudam a explicar por que o setor negocia a apenas 9x P/L futuro, bem abaixo da média histórica de 14,7x. O prêmio de risco exigido pelos investidores para deter ações de varejo também permanece elevado, refletindo preocupações com o ambiente macroeconômico, a incerteza fiscal e política, a intensidade competitiva e a sustentabilidade do crescimento dos lucros. Nesse contexto, a recuperação do setor dependerá principalmente de dois fatores: a trajetória de queda dos juros reais, com impactos sobre crédito e consumo, e a evolução do momentum de lucros das empresas. Embora os valuations estejam atrativos em relação ao histórico, os investidores seguem cautelosos até que haja maior confiança na estabilização das expectativas de resultados e no pico das taxas reais. Entre as empresas com perspectivas mais favoráveis, destacam-se SmartFit, pela combinação de crescimento e valuation razoável; C&A, pelo valuation descontado e melhora operacional; Raia Drogasil, apoiada pelo potencial associado aos medicamentos GLP-1; e SBF, beneficiada pela recuperação dos resultados e pelo impulso adicional da Copa do Mundo.