Radar Diário de Ações - 13/04/26
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Antonio Pascale / Luis Mollo, CFA)
- Eztec (EZTC3); COMPRA; Preço-alvo R$ 21,00
A Eztec reportou vendas líquidas de R$697 milhões no 1T26, com crescimento de +85% a/a e velocidade de vendas de 18%. As vendas brutas totalizaram R$760 milhões, com cancelamentos de R$63 milhões, resultando em desempenho acima das estimativas. O índice de vendas sobre oferta atingiu 18%, comparado a 11% no mesmo período anterior. Foram lançados quatro projetos somando R$925 milhões, representando crescimento de +50% a/a. Os empreendimentos apresentaram desempenho comercial sólido, com 57% das unidades vendidas no trimestre. Entre os projetos, destacam-se diferentes níveis de velocidade de vendas, incluindo ativos com alta absorção. Os dados operacionais do trimestre indicam forte desempenho em lançamentos e vendas. O ambiente para média e alta renda permanece desafiador, com menor volume de vendas e aumento de estoques. A companhia negocia a 7x P/L 2026 e 0,8x P/VPA, suportando a recomendação de compra.
- Cury (CURY3); COMPRA; Preço-alvo R$ 44,00
A Cury discutiu perspectivas operacionais e margens, destacando aumento recente nos custos de construção, especialmente matérias-primas, parcialmente compensado por reajustes de preços. A companhia apresentou desempenho forte no primeiro trimestre, com avanços em lançamentos, vendas e geração de fluxo de caixa. Apesar da pressão de custos, a empresa mantém visão construtiva para margens, com meta de aproximadamente 40% de margem bruta para projetos de 2026. O momento do programa Minha Casa Minha Vida permanece favorável, sustentando demanda e permitindo ajustes de preços. A companhia tem fortalecido sua capacidade de engenharia, reduzindo gargalos operacionais e suportando crescimento futuro. A transição para uma estrutura de co-CEO foi conduzida de forma gradual e associada a melhorias operacionais. A empresa continua se beneficiando de legislações municipais favoráveis em São Paulo e Rio de Janeiro. A negociação ocorre a 8,5x P/L 2026, com recomendação de compra reiterada.
Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)
- Nota Setorial - Petroleo & Gás
Assembleias Gerais
Diversas companhias brasileiras realizarão assembleias gerais, com destaque para Petrobras e Vibra no setor de Óleo & Gás. Na Petrobras, os investidores acompanham a possibilidade dos acionistas minoritários manterem até quatro assentos no conselho, dependendo da adoção do voto múltiplo. Há indicações de nomes para diferentes cadeiras, incluindo eleições separadas para ações ON e PN. A distribuição de votos entre os canais pode influenciar a representatividade dos minoritários. Na Vibra, a atenção está voltada à possível maior influência da Inpasa na direção estratégica da companhia. A composição atual do conselho inclui um membro ligado à Inpasa, aumentando sua influência.
Distribuição
No segmento de distribuição de combustíveis, houve valorização das ações com expectativas mais otimistas para margens de EBITDA no 1T26. Estimativas indicam margens em torno de R$200/m³, podendo atingir níveis mais elevados. A revisão de estimativas pelo mercado pode levar a ajustes positivos nos lucros e sustentar a visão favorável para as companhias.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)
- Nota Setorial - Varejo & Consumo
O Radar Scanntech de março reforça um desequilíbrio estrutural no varejo de alimentos brasileiro, com crescimento nominal impulsionado por preços enquanto volumes permanecem pressionados. O setor apresentou crescimento de receita em um dígito baixo, com desempenho de unidades estável a negativo e expansão explicada quase integralmente por preço e mix. Há divergência entre itens por transação e ticket médio, refletindo inflação e ajuste de consumo sob restrição orçamentária. O tráfego nas lojas caiu entre -3% e -5% a/a, parcialmente compensado por aumento do valor médio da cesta. A composição indica queda de unidades por transação e maior preço por item, além de maior participação de produtos em promoção e marcas mais acessíveis. Observa-se dispersão relevante entre categorias, com proteínas crescendo e bebidas apresentando queda de volume. A dinâmica entre canais também diverge, com supermercados e lojas de proximidade performando melhor que atacarejo. O cenário segue limitado por restrições de renda e juros elevados, com crescimento dependente de preços e sensibilidade elevada à demanda.
