Radar Diário de Ações - 13/05/26
Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
- Cruzeiro do Sul (CSED3); COMPRA; Preço-alvo R$ 7,50
A Cruzeiro do Sul reportou um primeiro trimestre mais fraco, com receita líquida de R$702 milhões, alta de 5% a/a, sustentada pelo crescimento de ticket médio tanto no presencial quanto no digital/híbrido. O lucro bruto avançou 5% a/a para R$372 milhões, enquanto a margem bruta subiu 44bps a/a para 53%. Por outro lado, o SG&A veio pressionado por impacto não recorrente relacionado à nova metodologia de reconhecimento de PDA, além de maiores despesas com pessoal e tecnologia. O EBITDA reportado caiu 16% a/a para R$210 milhões, enquanto o EBITDA ajustado atingiu R$248 milhões, recuo de 2% a/a. No presencial, a receita cresceu 3% a/a, apoiada pelo aumento de ticket e melhora da retenção, apesar da queda na base de alunos e da menor captação. No digital/híbrido, a receita avançou 7% a/a, impulsionada pela maior penetração do modelo híbrido, embora a base de alunos e a captação tenham recuado devido ao novo marco regulatório. O fluxo de caixa para o acionista permaneceu positivo em R$143 milhões, enquanto a dívida líquida caiu para R$493 milhões, mantendo a alavancagem estável em 0,8x.
Telecom & Tech (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Bruno Henriques)
- Bemobi (BMOB3); COMPRA; Preço-alvo R$ 35,00
A Bemobi apresentou mais um trimestre forte, com receita líquida ex-Paytime de R$199,8 milhões, alta de 20% a/a ou 22% em base neutra de câmbio, ficando acima das estimativas. O crescimento foi impulsionado principalmente pelas divisões de Payments, com avanço de 41% a/a, e SaaS, com crescimento de 25% a/a, enquanto Microfinance avançou 18% a/a. Já Subscription recuou 9% a/a devido à dinâmica mais fraca no Brasil e América Latina. O trimestre marcou o oitavo período consecutivo de crescimento elevado da receita líquida. A margem EBITDA atingiu 35%, com expansão de 110bps a/a, mesmo com investimentos contínuos para suportar o crescimento. O EBITDA ajustado alcançou R$69,9 milhões, alta de 24% a/a, enquanto o lucro líquido ajustado totalizou R$37,3 milhões, avanço de 21% a/a. O crescimento de Payments foi sustentado por expansão de TPV, aumento de take rate e novos contratos em telecomunicações, utilities, educação e saúde. A companhia segue combinando crescimento acelerado, rentabilidade e retorno ao acionista dentro do setor de tecnologia brasileiro.
- Brisanet (BRIT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 5,00
A Brisanet registrou receita líquida de R$454 milhões no 1T, alta de 15,9% a/a e 2,7% t/t, enquanto o EBITDA ajustado atingiu R$192 milhões, avanço de 10,7% a/a. A margem EBITDA ficou em 42,3%, pressionada pela expansão da operação móvel, especialmente pelo rollout na região Centro-Oeste, que demanda despesas e investimentos antes da maturação das receitas. O lucro líquido somou R$19 milhões, revertendo o prejuízo registrado no 4T, embora tenha recuado 6,6% a/a devido ao aumento das despesas financeiras. A companhia encerrou o trimestre com 7,21 milhões de casas passadas e 1,53 milhão de clientes FTTH, adicionando 13 mil clientes líquidos no período. No móvel, a base atingiu 954 mil assinantes, com adição líquida de 101 mil usuários. O capex totalizou R$172 milhões, queda de 45% a/a, refletindo menor intensidade de investimentos após o ciclo mais forte de 2025. A dívida líquida alcançou R$1,69 bilhão, com alavancagem estável em 2,24x, enquanto a expansão para o Centro-Oeste pode pressionar novamente os investimentos futuros.
Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- GPS (GGPS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 24,00
A GPS apresentou um 1T mais fraco, combinando desaceleração do crescimento orgânico, margens menores, ausência de novos anúncios de aquisições e ruídos relacionados à mudança nas regras trabalhistas. O crescimento foi impactado por sazonalidade e churn na GRSA, enquanto as margens sofreram pressão de custos com alimentos, implementação de contratos e provisões de feriados, parcialmente compensadas pela redução das provisões trabalhistas. A companhia destacou expectativa de melhora gradual das margens ao longo do ano, apoiada em ganhos de eficiência e menores despesas trabalhistas. O pipeline de M&A segue robusto, com 12 empresas mapeadas e aproximadamente R$4,7 bilhões em receita líquida potencial. As novas estimativas projetam receita líquida consolidada de R$19,3 bilhões em 2026 e R$22,7 bilhões em 2027, com margens EBITDA ao redor de 10%. A companhia continua esperando crescimento orgânico entre 7-9% no médio prazo, enquanto a estratégia de saída de contratos menos rentáveis deve beneficiar margens no longo prazo. A tese segue sustentada pela combinação futura de crescimento orgânico, expansão inorgânica e evolução gradual da rentabilidade.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)
- Nota Setorial - Varejo & Consumo
O governo eliminou a tarifa federal de 20% sobre compras internacionais abaixo de US$50, revertendo a tributação implementada em 2024 e reduzindo novamente o custo das compras cross-border. Antes da tributação, os volumes importados superavam 18 milhões de encomendas mensais no Brasil, caindo para cerca de 11 milhões após a implementação do imposto e posteriormente se recuperando para a faixa de 15–17 milhões. A retirada da tarifa tende a acelerar novamente a penetração de plataformas asiáticas como Shopee, Shein e Temu, principalmente em categorias como vestuário, acessórios, beleza e itens para casa. Apesar disso, varejistas locais como Renner, C&A e Guararapes melhoraram sourcing, gestão de estoques, markdowns e estrutura de preços ao longo de 2024 e 2025. Ainda assim, pesquisas proprietárias mostram que a Shein continua operando com preços inferiores aos varejistas domésticos. A penetração cross-border também avançou em segmentos como eletrônicos, decoração, produtos esportivos e FMCG. O cenário permanece negativo para varejistas locais devido às vantagens competitivas de plataformas internacionais, embora o setor esteja operacionalmente mais preparado do que durante o pico de pressão competitiva em 2023–2024.
