Radar Diário de Ações - 13/08/26
Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
- SLC Agrícola (SLCE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 20,00
A SLC Agrícola apresentou crescimento dos volumes vendidos no segundo trimestre, com destaque para soja, algodão e milho, impulsionando o lucro bruto das operações agrícolas. Apesar do maior volume comercializado, parte dos ganhos foi compensada por um mix de culturas menos favorável, principalmente no milho, além de maiores despesas comerciais e logísticas, resultando em crescimento de apenas 4% do EBITDA ajustado e redução da margem para 26,7%. A atualização do guidance trouxe aumento das estimativas de produtividade e produção de algodão, que atingiram níveis recordes para a companhia, enquanto as projeções para o milho safrinha foram reduzidas devido a condições climáticas menos favoráveis. O consumo de caixa foi elevado no período, refletindo necessidades sazonais de capital de giro, pagamentos de arrendamentos, investimentos em expansão e desembolsos relacionados à aquisição da Sierentz. A alavancagem encerrou o trimestre em 4,3x Dívida Líquida/EBITDA, influenciada pelo consumo temporário de caixa. A companhia manteve elevada liquidez e segue esperando melhora da alavancagem ao longo do segundo semestre com a liberação de capital de giro e a evolução operacional das safras.
Alimentos & Bebidas (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
- Minerva (BEEF3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 7,00
A Minerva apresentou resultados do segundo trimestre sem grandes surpresas, com receita líquida de R$ 14,1 bilhões, crescimento de 1% acima das estimativas, e EBITDA de R$ 1,2 bilhão, com margem de 8,7%, refletindo estabilidade operacional após a integração dos ativos adquiridos da Marfrig. O lucro líquido atingiu R$ 190 milhões, ficando acima das estimativas devido a efeitos financeiros e tributários favoráveis. A companhia registrou consumo de caixa de R$ 611 milhões, impactado principalmente pela maior necessidade de capital de giro, o que elevou a dívida líquida para R$ 15 bilhões e a alavancagem para 3,0x Dívida Líquida/EBITDA. A diversificação geográfica continuou contribuindo para a estabilidade dos resultados, com forte crescimento das operações brasileiras compensando a menor participação de Argentina e Uruguai. Apesar de a margem bruta ter permanecido em patamar historicamente baixo, a companhia mitigou parte da pressão por meio do controle das despesas operacionais. O trimestre reforçou a consistência operacional da empresa, mas também evidenciou a necessidade de uma desalavancagem mais acelerada e de avanços na geração de fluxo de caixa para reduzir a pressão financeira.
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Bruno Carrenho)
- MRV (MRVE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 12,00
A MRV apresentou resultados fracos no segundo trimestre, com receita líquida consolidada de R$ 3,0 bilhões, crescimento de 11% a/a, e margem bruta de 33,5%, beneficiada pela recuperação gradual das operações no Brasil. O principal destaque negativo foi o prejuízo líquido consolidado de R$ 627 milhões, equivalente a uma redução de aproximadamente 12% do valor patrimonial da companhia, refletindo principalmente perdas e Impairment adicionais na operação norte-americana da Resia. Nos Estados Unidos, a Resia registrou prejuízo líquido de US$ 124 milhões, impactada pela aceleração da venda de ativos e pelos ajustes de valor relacionados a transações que devem ser concluídas nos próximos trimestres. No Brasil, a operação apresentou prejuízo líquido de R$ 10 milhões, apesar da melhora da receita e das margens, pressionada por maiores despesas financeiras, despesas administrativas e perdas com operações de total return swap. A geração de caixa consolidada continuou negativa, embora limitada a R$ 32 milhões no trimestre. A companhia segue avançando no processo de venda de ativos nos Estados Unidos para reduzir alavancagem e risco operacional, enquanto a recuperação das margens no Brasil continua em curso.
- Plano&Plano (PLPL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00
A Plano&Plano apresentou resultados fracos no segundo trimestre, com receita líquida de R$ 915 milhões, crescimento de 17% a/a, e lucro bruto ajustado de R$ 272 milhões, praticamente estável na comparação anual. A margem bruta ajustada recuou para 29,7%, pressionada por estouros de custos relacionados aos impactos do conflito no Oriente Médio. O lucro líquido atingiu R$ 53 milhões, queda de 37% a/a e abaixo das estimativas, refletindo principalmente maiores despesas comerciais e tributárias, resultando em um ROE anualizado de 19%. A companhia registrou consumo de caixa de R$ 105 milhões no trimestre, elevando a dívida líquida para R$ 251 milhões, equivalente a 21% do patrimônio líquido, ainda em patamar considerado confortável. Além dos resultados, a empresa anunciou sua expansão para Goiânia, com a formação de uma equipe local para viabilizar os primeiros lançamentos na região. O trimestre também foi marcado pela ausência de recuperação das margens e pela redução das margens do estoque de projetos no segmento de mercado privado, mantendo pressão sobre os resultados.
- Moura Dubeux (MDNE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 44,00
A MDNE apresentou resultados sólidos no segundo trimestre, com receita líquida de R$ 731 milhões, crescimento de 10% a/a e acima das estimativas. A margem bruta atingiu 40,2%, expansão de 600 pontos-base a/a, beneficiada principalmente pelas vendas de projetos de condomínios com elevada rentabilidade. O EBITDA registrou margem de 24,5%, refletindo a manutenção de níveis robustos de rentabilidade operacional. O lucro líquido alcançou R$ 174 milhões, alta de 44% a/a e acima das estimativas, resultando em um ROE anualizado de 30%. A companhia gerou R$ 31 milhões de fluxo de caixa livre no trimestre, impulsionada pela venda de recebíveis relacionados à comercialização de terrenos. A dívida líquida encerrou o período em R$ 64 milhões, correspondente a apenas 3% do patrimônio líquido, enquanto a empresa manteve cerca de R$ 1,5 bilhão em recebíveis oriundos da venda de terrenos passíveis de securitização.
Papel & Celulose (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Rodrigo Gotardo / Marcel Zambello)
- Suzano Papel e Celulose (SUZB3); COMPRA; Preço-alvo R$ 72,00
A Suzano apresentou resultados do segundo trimestre em linha com as expectativas, com EBITDA de R$ 4,7 bilhões, praticamente estável na comparação trimestral, mas ainda refletindo um cenário mais desafiador para celulose e papel. Os embarques de celulose totalizaram aproximadamente 2,9 milhões de toneladas, enquanto os preços realizados avançaram na comparação trimestral, acompanhando a implementação de reajustes anteriores. O principal ponto de atenção foi o aumento dos custos de produção, pressionados por paradas de manutenção, maiores preços de insumos e efeitos do conflito no Oriente Médio, impactando especialmente a rentabilidade da operação de papel. A geração de fluxo de caixa foi o principal destaque do período, atingindo R$ 2,4 bilhões, beneficiada por efeitos positivos de capital de giro, ajuste de derivativos, menor desembolso de capex e despesas financeiras sazonalmente menores. A dívida líquida recuou para R$ 66,1 bilhões, embora a alavancagem tenha subido marginalmente para cerca de 3,3x Dívida Líquida/EBITDA devido à redução do EBITDA acumulado. O trimestre também foi marcado pela conclusão da aquisição de participação relevante na joint venture de tissue com a Kimberly-Clark, ampliando a exposição da companhia a novos segmentos de produtos.
Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
- Mater Dei (MATD3); COMPRA; Preço-alvo R$ 7,00
A Mater Dei apresentou resultados sólidos e em linha com as expectativas no segundo trimestre, com receita líquida de R$ 614 milhões, crescimento de 12% a/a, impulsionado principalmente pelo aumento do ticket médio decorrente de procedimentos de maior complexidade, especialmente em oncologia, além de melhorias no mix de convênios e reajustes de preços. A ocupação hospitalar atingiu 78,7%, enquanto a capacidade operacional foi ampliada para 1.225 leitos. A disciplina de custos e os ganhos de eficiência administrativa contribuíram para a expansão da margem EBITDA para 22,6%, resultando em EBITDA de R$ 139 milhões, alta de 20% a/a. O lucro líquido alcançou R$ 45 milhões, crescimento de 66% a/a e acima das estimativas. A geração de fluxo de caixa livre após capex foi de R$ 82 milhões, beneficiada pela evolução operacional, mesmo com o aumento dos investimentos. A dívida líquida recuou para R$ 763 milhões e a alavancagem melhorou para 1,5x Dívida Líquida/EBITDA nos últimos 12 meses, refletindo a contínua geração de caixa da companhia.
- Cogna (COGN3); COMPRA; Preço-alvo R$ 5,00
A Cogna apresentou resultados consistentes no segundo trimestre, com receita líquida de R$ 1,96 bilhão, crescimento de 18% a/a, e EBITDA ajustado de R$ 589 milhões, alta de 7% a/a, refletindo o bom desempenho da divisão de educação básica e a resiliência das operações de ensino superior. No segmento Kroton, a melhora do mix de alunos para modalidades presenciais e híbridas compensou parcialmente a queda da base estudantil e das captações, enquanto a receita continuou crescendo com apoio do aumento do ticket médio. A divisão de educação básica manteve forte expansão, impulsionada pelo PNLD, além do avanço das receitas de assinaturas, contratos governamentais e operações de idiomas. O lucro líquido ajustado atingiu R$ 210 milhões, crescimento de 18% a/a, beneficiado pela estabilidade das despesas financeiras. A geração de fluxo de caixa para o acionista alcançou R$ 252 milhões, avanço de 88% a/a, sustentada pela melhora das cobranças e pela redução dos pagamentos de juros. A dívida líquida recuou na comparação trimestral e a alavancagem melhorou para 1,1x Dívida Líquida/EBITDA, reforçando a evolução da estrutura financeira da companhia.
- Hapvida (HAPV3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 15,00
A Hapvida apresentou resultados fracos no segundo trimestre, com receita líquida de R$ 7,97 bilhões, alta de 4% a/a, mas abaixo das estimativas, enquanto o EBITDA ajustado recuou 44% a/a para R$ 504 milhões, registrando o pior desempenho dos últimos cinco anos. A rentabilidade foi pressionada pelo aumento da sinistralidade caixa, maiores despesas corporativas, despesas comerciais mais elevadas e crescimento das provisões relacionadas à judicialização. O prejuízo líquido contábil atingiu R$ 217 milhões, enquanto o lucro líquido ajustado foi de apenas R$ 12,5 milhões, significativamente inferior às estimativas. A base de beneficiários de saúde continuou encolhendo, embora em ritmo menor do que no trimestre anterior, enquanto a companhia identificou parte relevante dos contratos ainda operando sob condições econômicas desfavoráveis e sujeitas a revisão. A dívida líquida avançou para R$ 5,4 bilhões, elevando a alavancagem e refletindo o fraco desempenho operacional e os desembolsos relacionados a contingências judiciais. As provisões cíveis e os depósitos judiciais continuaram crescendo ao longo do trimestre, evidenciando a persistência dos desafios operacionais e financeiros enfrentados pela companhia.
- Rede D´Or (RDOR3); COMPRA; Preço-alvo R$ 54,00
A Rede D’Or apresentou resultados acima das expectativas no segundo trimestre, com receita líquida de R$ 14,9 bilhões, crescimento de 6% a/a, e EBITDA ajustado de R$ 3,4 bilhões, alta de 24% a/a, impulsionado pelo forte desempenho das operações hospitalares, de oncologia e da SulAmérica. Nos hospitais, a receita foi sustentada principalmente pelo aumento do ticket médio, enquanto a oncologia manteve forte crescimento, com expansão de volumes e preços. A SulAmérica registrou melhora expressiva da sinistralidade, com redução de 320 pontos-base a/a, contribuindo para um avanço superior a 50% do EBITDA do segmento. O lucro líquido atribuível aos acionistas alcançou R$ 1,16 bilhão, crescimento de 7% a/a e acima das estimativas, refletindo a evolução operacional dos principais negócios da companhia. A geração de fluxo de caixa para o acionista avançou significativamente, enquanto a alavancagem recuou para 1,71x Dívida Líquida/EBITDA, mesmo após recompras de ações. O trimestre também foi marcado pela continuidade dos ganhos de eficiência operacional, fortalecimento dos negócios de seguros e expansão da liderança da companhia nos segmentos hospitalar, oncológico e de saúde suplementar.
Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Bruno Henriques)
- Copasa (CSMG3); COMPRA; Preço-alvo R$ 81,00
A Copasa apresentou resultados do segundo trimestre com receita líquida de R$ 1,95 bilhão, crescimento de 8,9% a/a, impulsionada pelo aumento dos volumes de água e esgoto, pelo reajuste tarifário aplicado em janeiro e por menor impacto de ajustes de superestimativa de faturamento. Os custos operacionais foram pressionados por itens não recorrentes e por despesas superiores ao esperado relacionadas a contingências trabalhistas e custos ambientais, reduzindo a rentabilidade operacional. O EBITDA ajustado atingiu R$ 762 milhões, crescimento de 11,7% a/a, porém abaixo das estimativas, com margem de 39,0%. As despesas financeiras líquidas ficaram acima do esperado devido a perdas com derivativos, variação cambial e atualização monetária de dívidas indexadas à inflação. Como resultado, o lucro líquido ajustado totalizou R$ 275 milhões, abaixo das projeções e inferior ao observado no mesmo período do ano anterior. A alavancagem financeira aumentou para 2,8x Dívida Líquida/EBITDA, refletindo o crescimento da dívida líquida em relação ao final de 2025.
- Equatorial (EQTL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 56,00
A Equatorial apresentou resultados do segundo trimestre em linha com as estimativas, com EBITDA ajustado de R$ 2,7 bilhões, crescimento de 4,1% a/a, sustentado principalmente pelo bom desempenho das distribuidoras de energia. As concessões de distribuição apresentaram evolução operacional consistente, com redução das perdas de energia e melhora sequencial dos índices de inadimplência, embora algumas unidades tenham ficado abaixo das projeções. Em contrapartida, a Echoenergia voltou a registrar desempenho inferior ao esperado, impactada por restrições de geração, menores recursos energéticos e menor produção, enquanto a operação de saneamento no Amapá também apresentou rentabilidade abaixo das expectativas. As despesas financeiras líquidas ficaram próximas das estimativas, mas o lucro líquido ajustado foi inferior ao projetado. A alavancagem aumentou nos últimos anos em função das aquisições de ativos relevantes no setor de saneamento, embora a companhia continue avançando em sua estratégia de gestão do portfólio e alocação de capital. O trimestre foi marcado pela combinação de desafios macroeconômicos relacionados ao ambiente de juros elevados e melhorias operacionais nas concessões de distribuição, que continuam sustentando a evolução dos resultados.
- Eneva (ENEV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 31,00
A Eneva apresentou resultados sólidos no segundo trimestre, com EBITDA ajustado de R$ 1,39 bilhão, acima das estimativas, embora inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior devido ao fim dos contratos relacionados aos leilões emergenciais. O desempenho foi impulsionado principalmente pelos segmentos de comercialização de gás e energia, que compensaram resultados mais fracos nas termelétricas a gás do complexo R2W, na operação de gás natural liquefeito de pequena escala e pelos maiores custos da holding. A operação da Celse apresentou desempenho superior ao esperado, beneficiada pelos ganhos com comercialização de gás, enquanto a comercialização de energia também contribuiu positivamente para os resultados. Em contrapartida, as usinas termelétricas enfrentaram maiores custos de manutenção e exploração, enquanto a divisão de gás natural liquefeito foi impactada pelo encerramento antecipado de um contrato de fornecimento. As despesas financeiras líquidas ficaram abaixo das estimativas e o resultado tributário foi positivo, contribuindo para que a companhia registrasse lucro líquido de R$ 31 milhões no trimestre. O resultado também refletiu a contribuição dos ativos recentemente incorporados e a continuidade da diversificação operacional da companhia.
Financeiro (Eduardo Rosman / Ricardo Buchpiguel / Antonio Pascale / Bruno Henriques)
- Banco do Brasil (BBAS3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 25,00
O Banco do Brasil apresentou um segundo trimestre marcado por deterioração relevante da qualidade dos ativos e redução do patrimônio tangível, apesar de o lucro líquido ter ficado próximo das estimativas. O lucro líquido gerencial atingiu R$ 3,9 bilhões, com ROE de 8%, sustentado por receitas de juros e tarifas ligeiramente melhores do que o esperado e bom controle de despesas administrativas. A carteira de crédito cresceu apenas 1% t/t, enquanto a inadimplência acima de 90 dias avançou para 5,6%, com forte deterioração nas carteiras de pessoa física, cartões de crédito, agronegócio e empresas. As provisões permaneceram elevadas e a cobertura da inadimplência recuou, refletindo a piora da qualidade da carteira e o aumento da formação de créditos problemáticos. O patrimônio líquido caiu em função de perdas atuariais e do crescimento dos ativos fiscais diferidos, reduzindo significativamente o patrimônio tangível do banco. Além disso, a implementação das medidas voltadas à renegociação de dívidas rurais tem avançado mais lentamente do que o esperado, mantendo incertezas sobre a normalização da carteira do agronegócio e pressionando as perspectivas de resultados para os próximos períodos.
Transportes (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Simpar (SIMH3); COMPRA; Preço-alvo R$ 11,00
A Simpar apresentou resultados do segundo trimestre em linha com as expectativas, com receita líquida de R$ 11,3 bilhões, alta de 9% a/a, e EBITDA ajustado de R$ 3,4 bilhões, crescimento de 16% a/a. O prejuízo líquido ajustado atribuível aos acionistas foi de R$ 19 milhões, resultado melhor do que o esperado, refletindo a evolução operacional das principais subsidiárias. A Vamos manteve bom desempenho com melhora da ocupação e menor nível de retomadas de ativos, enquanto a Movida continuou apresentando crescimento de volumes, expansão de margens e controle da alavancagem. A JSL mostrou melhora sequencial do crescimento, ao passo que a Automob permaneceu pressionada pelos juros elevados, com desempenho operacional mais fraco. Entre as empresas não listadas, a CS Infra avançou com a maturação das concessões recentemente conquistadas, enquanto a BBC Digital manteve crescimento de dois dígitos na carteira de crédito. A alavancagem consolidada recuou para 2,8x Dívida Líquida/EBITDA, acompanhada da redução da dívida na holding, reforçando o progresso da estratégia de desalavancagem e reciclagem de ativos da companhia.
- GPS (GGPS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 24,00
A GPS apresentou resultados do segundo trimestre em linha com as expectativas, com receita líquida de R$ 4,6 bilhões, crescimento de 7% a/a, enquanto o EBITDA ajustado alcançou R$ 445 milhões, alta de 10% a/a, beneficiado pela expansão da margem operacional mesmo em um ambiente de crescimento orgânico mais moderado. O crescimento orgânico da receita foi impactado pela readequação de contratos provenientes de aquisições recentes, enquanto as receitas de aquisições continuaram contribuindo positivamente para o desempenho consolidado. As margens permaneceram pressionadas por fatores temporários, incluindo aumento de custos em serviços de alimentação, despesas ligadas à implementação de novos contratos e custos de mobilização e desmobilização em serviços de manutenção. Ainda assim, a companhia preservou ganhos de eficiência operacional e registrou forte geração de caixa ao longo do trimestre. A posição de caixa aumentou para R$ 4,0 bilhões e a dívida líquida recuou para R$ 2,3 bilhões, reduzindo a alavancagem para 1,3x Dívida Líquida/EBITDA. O trimestre também foi marcado pela reversão da provisão relacionada ao Sistema S e pela continuidade da estratégia de crescimento combinando expansão orgânica, aquisições e disciplina operacional.
- Rumo (RAIL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00
A Rumo apresentou resultados do segundo trimestre em linha com as expectativas, com receita líquida de R$ 3,9 bilhões, alta de 6% a/a, sustentada pelo forte crescimento dos volumes transportados, que avançaram 9% a/a para 23,8 bilhões de TKU. O EBITDA ajustado atingiu R$ 2,3 bilhões, com margem de 58%, refletindo o impacto da pressão sobre tarifas, compensado pelo aumento de volumes nas operações Norte e Sul. As operações agrícolas, especialmente soja e fertilizantes, continuaram sendo os principais vetores de crescimento, enquanto os volumes de milho mostraram recuperação gradual ao longo do período. O capex somou R$ 1,6 bilhão, concentrado principalmente na expansão da Malha Norte, embora a companhia tenha indicado menor intensidade de investimentos no segundo semestre e divulgado um cronograma mais detalhado de desembolsos relacionados às concessões. A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 17,3 bilhões, mantendo a alavancagem estável em 2,1x Dívida Líquida/EBITDA. Além disso, julho registrou novo recorde de volumes transportados, reforçando a elevada utilização da malha ferroviária e a continuidade do forte fluxo de exportações agrícolas.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Bruno Carrenho)
- Arezzo (AZZA3); COMPRA; Preço-alvo R$ 40,00
A Azzas apresentou mais um trimestre de receitas pressionadas, com receita bruta consolidada de R$ 3,35 bilhões, queda de 7,4% a/a, refletindo principalmente a fraqueza das divisões de calçados, bolsas e Hering, além da normalização de estoques de franqueados e menor demanda de clientes multimarcas. A receita líquida totalizou R$ 2,7 bilhões, recuo de 8,2% a/a, enquanto a margem bruta avançou 130 pontos-base para 57,2%, beneficiada por menores remarcações e melhor qualidade de vendas. Apesar da melhora da rentabilidade bruta, o aumento das despesas operacionais e a menor diluição de custos pressionaram os resultados, levando o EBITDA recorrente a recuar 29% a/a. A geração de caixa foi o principal destaque do período, com fluxo de caixa operacional de R$ 357 milhões e forte conversão em caixa após capex, apoiados principalmente pela normalização dos estoques. O resultado financeiro permaneceu pressionado, mas um efeito tributário positivo contribuiu para que o lucro líquido recorrente atingisse R$ 107 milhões. A companhia manteve foco em disciplina de custos, proteção de margens e otimização de capital, enquanto as tendências de vendas permanecem fracas, especialmente nos segmentos de básicos e calçados.
- Track & Field (TFCO4); COMPRA; Preço-alvo R$ 19,00
A Track & Field apresentou mais um trimestre de forte crescimento, com avanço de 15,9% nas vendas mesmas lojas e expansão de 20,7% do sell-out total, impulsionada principalmente pelo desempenho superior das lojas reformadas e pela contínua expansão da rede. A companhia encerrou o período com 448 lojas após novas inaugurações e reformas, mantendo crescimento consistente em franquias, lojas próprias e comércio eletrônico. A receita líquida consolidada alcançou R$ 280 milhões, alta de 15,5% a/a, sustentada pelo crescimento equilibrado de todos os canais. Apesar da leve pressão sobre a margem bruta decorrente de mudanças no mix de receitas, ganhos de eficiência administrativa compensaram esse efeito e mantiveram a margem EBITDA praticamente estável. O EBITDA ajustado atingiu R$ 66 milhões, crescimento de 16% a/a, enquanto o lucro líquido ajustado somou R$ 44 milhões, alta de 8% a/a. A geração de caixa operacional totalizou R$ 48 milhões no trimestre, apoiando a continuidade da expansão da companhia e o fortalecimento de sua plataforma de eventos esportivos e relacionamento com clientes.
