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Sacre Investimentos
14 de mai. de 202611 min

Radar Diário de Ações - 14/05/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

  • SLC Agrícola (SLCE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 24,00

A SLC Agrícola apresentou resultados trimestrais abaixo das estimativas, principalmente devido a menores volumes vendidos, que devem ser comercializados ao longo dos próximos trimestres. A receita líquida atingiu R$2,7 bilhões, estável a/a e 19% abaixo das estimativas, enquanto o EBITDA totalizou R$695 milhões, queda de 26% a/a, com margem de 30,7%. O lucro líquido somou R$229 milhões. O principal destaque foi a revisão positiva do guidance, com aumento das produtividades esperadas para soja e algodão mais do que compensando a redução da área plantada. A produção estimada de soja aumentou 2,7%, enquanto a de algodão subiu 0,3% e a de milho caiu 1,8%, sem alterações nas estimativas de custos. O fluxo de caixa livre foi negativo em R$1,4 bilhão, pressionado pelo consumo sazonal de capital de giro e pagamentos relacionados à aquisição de fazendas, levando a Dívida Líquida/EBITDA para 2,7x. O capex totalizou R$292 milhões, incluindo investimentos em expansão e irrigação. A companhia ainda não contratou fertilizantes nitrogenados para a próxima safra devido à forte alta dos preços da ureia causada pelo conflito no Oriente Médio, o que pode impactar decisões futuras sobre o mix de plantio.

Mineração & Siderurgia (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Rodrigo Gotardo / Bruno Henriques)

  • CSN (CSNA3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 10,00

A CSN apresentou mais um trimestre sem avanços relevantes na desalavancagem, com Dívida Líquida/EBITDA de 3,36x, melhora marginal frente ao trimestre anterior, enquanto a companhia consumiu mais de R$1 bilhão em FCFE. O EBITDA ajustado totalizou R$2,64 bilhões, queda de 20% t/t e alta de 5,5% a/a, ficando levemente acima das estimativas devido ao desempenho mais forte do segmento de cimento. A divisão de aço registrou margem EBITDA de apenas 7%, abaixo dos pares, enquanto o segmento de cimento apresentou EBITDA recorde de R$393 milhões, com margem de 31%, apoiado pela estratégia de valor sobre volume. Em logística, o EBITDA caiu para R$448 milhões devido à sazonalidade e chuvas mais intensas afetando as operações ferroviárias. A melhora marginal da alavancagem foi favorecida pelo efeito cambial positivo sobre a dívida em dólar e por um novo acordo de pré-pagamento de minério de ferro. A companhia segue dependente da execução de vendas de ativos para acelerar a desalavancagem, especialmente diante do elevado volume de vencimentos de dívida nos próximos anos. O desempenho operacional do aço mostrou melhora gradual em março após um início de trimestre pressionado por antecipação de importações antes das medidas antidumping.

  • CSN Mineração (CMIN3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 6,50

A CSN Mineração reportou resultados em linha com as estimativas no 1T26, refletindo sazonalidade mais fraca e impacto de chuvas mais intensas. O EBITDA atingiu R$1,4 bilhão, queda de 19% t/t e estável a/a, com preços realizados mais elevados compensando volumes e custos ligeiramente mais fracos. Os embarques totalizaram 9,5 milhões de toneladas, queda de 20% t/t, impactados principalmente pela estação chuvosa mais intensa. Os preços realizados de minério de ferro já foram afetados pelo aumento dos fretes, tendência que deve continuar pressionando os resultados no segundo trimestre diante da forte alta das tarifas Tubarão-Qingdao. O custo caixa permaneceu estável em US$23,1/t, enquanto o fluxo de caixa livre foi negativo em R$521 milhões, pressionado pelo consumo de R$1,1 bilhão de capital de giro. A alavancagem líquida permaneceu estável em 0,1x. Apesar da resiliência operacional, a companhia deve continuar enfrentando pressão de resultados devido ao aumento dos custos de frete, parcialmente compensados por preços mais altos do minério de ferro.

Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)

  • Petrobras (PETR4); COMPRA; Preço-alvo R$ 62,00

O governo anunciou uma nova medida provisória para mitigar o impacto da alta dos combustíveis no Brasil, incluindo subsídios para gasolina e diesel, tanto doméstico quanto importado, limitados ao valor dos tributos federais PIS/Cofins e CIDE. Para a gasolina, o subsídio pode chegar a R$0,89/litro, aumentando o preço realizado pela Petrobras em cada litro vendido e reduzindo parcialmente a necessidade de reajuste de preços. Inicialmente, o governo deve propor um subsídio entre R$0,40-0,45/litro, montante considerado compatível com as receitas adicionais provenientes das exportações de petróleo. Atualmente, a Petrobras vende gasolina a R$2,57/litro, enquanto a paridade de importação está em R$4,63/litro, de forma que o subsídio não elimina totalmente a defasagem de preços. A medida foi anunciada em meio à pressão da Petrobras para reajustar a gasolina, mas reforça a percepção de que o governo segue evitando interferência direta na política de preços da companhia. No diesel, a medida é considerada neutra para a Petrobras, substituindo a isenção de PIS/Cofins por um subsídio direto equivalente de R$0,32/litro, preservando o atual nível de suporte sem ampliar significativamente os incentivos existentes.

Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

  • SER (SEER3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 15,00

A SER Educacional reportou resultados acima das expectativas no 1T26, com crescimento sólido de receita líquida, expansão adicional de margens e forte desempenho no lucro líquido. A receita líquida atingiu R$584 milhões, alta de 8% a/a, apoiada pela expansão contínua do ensino presencial e aumento do ticket médio. O lucro bruto cresceu 11% a/a para R$365 milhões, com margem bruta de 62,5%, enquanto o EBITDA ajustado avançou 10% a/a para R$158 milhões, 3% acima das estimativas. O lucro líquido ajustado somou R$82 milhões, alta de 58% a/a, beneficiado por menor despesa financeira. A base de alunos presenciais cresceu 6% a/a para 197 mil estudantes, enquanto o ticket médio do presencial aumentou 5% a/a, ou 9% a/a excluindo medicina. No segmento de medicina, a base também cresceu 6% a/a, mas o ticket médio caiu 9% a/a devido a descontos maiores, ausência de novas vagas judicializadas e descontos específicos de captação. A geração operacional de fluxo de caixa após capex alcançou R$115 milhões e a Dívida Líquida/EBITDA caiu para 0,75x, marcando o 13º trimestre consecutivo de desalavancagem.

Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Luis Mollo, CFA)

  • Eneva (ENEV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 31,00

A Eneva reportou resultados sólidos no 1T26, com EBITDA reportado de R$1,69 bilhão e EBITDA ajustado de R$1,48 bilhão, excluindo ganhos relacionados a acordo com fornecedor e impactos de poços secos. O resultado ajustado ficou 14% acima das estimativas, impulsionado principalmente por ganhos de R$202 milhões com trading de gás. As despesas financeiras líquidas somaram R$432 milhões, ou R$540 milhões ajustadas por efeitos não caixa de variação cambial e marcação a mercado. O lucro líquido alcançou R$636 milhões, ou R$424 milhões ajustado por itens não recorrentes e não caixa. A operação da Celse apresentou EBITDA ajustado de R$638 milhões, beneficiada pelos ganhos com trading de gás, enquanto as térmicas a gás R2W e exploração entregaram R$648 milhões em EBITDA ajustado, apoiadas por bons níveis de despacho operacional. O segmento de small-scale LNG registrou EBITDA de R$83 milhões, refletindo o crescimento gradual da planta, enquanto Futura e a comercializadora de energia tiveram EBITDA fraco de R$3 milhões devido a perdas de modulação e curtailment. Os custos da holding encerraram o trimestre em R$100 milhões.

  • Equatorial (EQTL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 52,00

A Equatorial reportou resultados ligeiramente mais fracos no 1T26, com EBITDA ajustado de R$2,63 bilhões, 3% abaixo das estimativas e crescimento de 10% a/a. O segmento de distribuição apresentou desempenho sólido, com EBITDA de R$2,55 bilhões, levemente acima das projeções, enquanto as despesas financeiras líquidas ficaram abaixo das estimativas em R$1,51 bilhão. O lucro líquido após participação dos minoritários atingiu R$424 milhões, acima das expectativas, enquanto a alavancagem permaneceu estável em 3,1x. Entre as distribuidoras, destacaram-se os resultados de Ceal, CEEE e CEA, enquanto Celpa e CELG ficaram abaixo das projeções. As perdas de energia melhoraram no trimestre e ficaram 90bps abaixo do limite regulatório, enquanto os indicadores de qualidade apresentaram evolução positiva. O principal ponto negativo foi o aumento do opex agregado das distribuidoras acima da inflação. Echoenergia e a comercializadora de energia registraram EBITDA agregado de R$88 milhões, significativamente abaixo das estimativas, impactados por menor disponibilidade de recursos, menor produção e curtailment, enquanto a operação de saneamento CSA também apresentou desempenho fraco.

Financeiro (Eduardo Rosman / Ricardo Buchpiguel / Antonio Pascale / Bruno Henriques)

  • Banco do Brasil (BBAS3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 25,00

O Banco do Brasil reportou resultados fracos no 1T26, com lucro líquido ajustado de R$3,4 bilhões e ROE de 7,3%, queda de 30% t/t e 54% a/a. O principal impacto negativo continuou vindo do elevado custo de crédito, especialmente na carteira do agronegócio e no aumento da inadimplência em crédito para pessoas físicas. O guidance de lucro líquido ajustado para 2026 foi revisado para baixo, passando de R$20-26 bilhões para R$18-22 bilhões, refletindo maior prudência diante da baixa visibilidade operacional. A carteira de crédito permaneceu estável em R$1,2 trilhão, com crescimento em crédito consignado privado, financiamento de veículos e agronegócio, enquanto a carteira corporativa recuou. A margem financeira total caiu 3% t/t para R$28,7 bilhões, pressionada por sazonalidade mais fraca e menor recuperação de crédito. As provisões, incluindo descontos concedidos, cresceram 82% a/a para R$20,1 bilhões, impulsionadas pelo aumento da inadimplência inicial em pessoas físicas, enquanto o agronegócio segue apresentando tendência de deterioração. O índice CET1 caiu aproximadamente 65bps t/t para 11,6%, enquanto as despesas administrativas totalizaram R$19,8 bilhões, refletindo maiores gastos com tecnologia e reajustes salariais.

Telecom & Tech (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Bruno Henriques)

  • Unifique (FIQE3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 4,30

A Unifique reportou resultados sólidos no 1T26, com receita líquida de R$329 milhões, alta de 22% a/a e 1,7% t/t, ligeiramente acima das estimativas. O EBITDA ajustado atingiu R$170,6 milhões, crescimento de 28% a/a, com margem EBITDA de 51,9%, expansão de 2,4p.p. a/a e 0,6p.p. t/t. O lucro líquido somou R$52,1 milhões, avanço de 41% a/a, enquanto o capex totalizou R$93 milhões, sustentando forte geração operacional de fluxo de caixa de R$78 milhões. A companhia encerrou o trimestre com 3,8 milhões de casas passadas e 880 mil clientes de fibra, adicionando 12 mil adições líquidas orgânicas em banda larga e 40 mil novos clientes móveis, alcançando 288 mil acessos móveis. Cerca de 86% da base móvel também utiliza serviços de banda larga da companhia, reforçando a estratégia de cross-sell dos combos. A empresa expandiu sua cobertura móvel para 166 cidades em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, alcançando 5,1 milhões de pessoas, além de avançar com iniciativas como a aquisição da Amazônia 5G e a transação de espectro no Paraná. A Dívida Líquida/EBITDA anualizado encerrou o trimestre em 0,54x, mantendo elevada flexibilidade financeira para expansão orgânica e potenciais aquisições.

Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Localiza&Co (RENT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 65,00

A Localiza segue avançando em sua estratégia de redução do ciclo de renovação da frota, com melhora contínua na qualidade dos veículos vendidos em sua plataforma de Seminovos. Em abril, 58% dos veículos disponíveis possuíam quilometragem inferior a 45 mil km, frente a 39% da Movida, enquanto apenas 7% superavam 65 mil km, contra 35% da concorrente. A companhia também ampliou a concentração de veículos mais novos no mix de vendas, com aproximadamente 69% das unidades concentradas nos modelos 2024/25 e 2025/26, ante 55% da Movida. A exposição da frota permaneceu semelhante entre hatchs e sedãs, com participação um pouco maior em SUVs e menor em picapes. Os preços médios dos veículos usados subiram desde o início do ano, liderados por SUVs (+4,5%), seguidos por picapes (+3,9%), sedãs (+3,2%) e hatchs (+2,4%). Os dados mais recentes indicam continuidade na redução da quilometragem média e maior disciplina na rotação da frota, reforçando a estratégia de renovação acelerada e menor pressão de depreciação ao longo do tempo.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)

  • CVC (CVCB3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 3,00

A CVC apresentou resultados fracos no 1T26, impactados pelo ambiente desafiador para viagens, com maiores custos de combustível de aviação e disrupções relacionadas ao conflito no Oriente Médio. As reservas consumidas consolidadas cresceram 6% a/a, ou 11% excluindo destinos afetados pelo conflito e em moeda constante, atingindo R$4,4 bilhões. No Brasil, as reservas consumidas avançaram 11% a/a, impulsionadas principalmente pelo segmento B2B, enquanto a Argentina registrou queda de 9% a/a. A receita líquida consolidada cresceu 1% a/a para R$365 milhões, com EBITDA ajustado de R$94 milhões, queda de 11% a/a e margem de 25,7%, retração de 320bps a/a. As despesas com vendas aumentaram 34% a/a, pressionadas por maiores gastos com marketing, custos de cartão de crédito e base de comparação mais difícil em provisões. O resultado financeiro foi negativo em R$81 milhões, refletindo menores ganhos cambiais, maiores custos de antecipação de recebíveis e maiores impostos sobre transações bancárias. A companhia reportou prejuízo líquido contábil de R$72 milhões e FCFF negativo em R$168 milhões, pressionado pelo lucro líquido mais fraco, maior capex e pressão de capital de giro associada ao aumento das tarifas aéreas.