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Sacre Investimentos
14 de set. de 20264 min

Radar Diário de Ações - 14/09/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Transportes (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Marcopolo (POMO4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 8,00

 

Os dados de agosto da FABUS continuaram indicando um cenário fraco para a indústria de carrocerias de ônibus, com produção doméstica limitada, retração de dois dígitos nas exportações e deterioração do mix, ainda sustentado principalmente pelos segmentos de micro e minibuses, provavelmente impulsionados pelo programa Caminho da Saúde. A produção consolidada do setor totalizou 2.728 unidades no mês, estável em relação ao mesmo período do ano anterior e 3% inferior ao mês anterior, enquanto as vendas consolidadas da Marcopolo, incluindo Neobus e Volare, somaram 1.178 unidades, com queda de 11% a/a. No mercado doméstico, a produção da indústria atingiu 2.390 unidades, enquanto as marcas do grupo responderam por 961 unidades, recuo de 13% a/a, com participação relevante de micro e minibuses e ausência de recuperação significativa nos segmentos rodoviário e urbano. Nas exportações, o setor registrou 338 unidades, queda de 13% a/a, enquanto a companhia entregou 217 unidades, em linha com o ano anterior. O desempenho sugere perda de participação de mercado da Marcopolo no mercado doméstico e manutenção da pressão sobre o momento de vendas. Além disso, juros elevados continuam limitando a renovação de frotas rodoviárias, enquanto o aumento dos preços do diesel reduz a demanda dos operadores urbanos, compensando negativamente o suporte proveniente dos programas governamentais de micro-ônibus.

  • Localiza&Co (RENT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 63,00

 

A Localiza continua em fase inicial de desenvolvimento no México, onde iniciou operações em julho de 2023 com foco na construção da operação de aluguel de carros e presença nos principais aeroportos. Atualmente, a companhia direciona esforços para ampliar a atuação junto a clientes corporativos, expandir a rede de agências urbanas e desenvolver os segmentos de gestão de frotas e seminovos. A operação já conta com aproximadamente 6 mil veículos, dos quais cerca de 3 mil encontram-se alugados, refletindo crescimento significativo em relação ao ano anterior. A estratégia busca diferenciar a companhia por meio de uma oferta mais ampla de serviços, aumentando flexibilidade, recorrência e frequência de uso dos clientes, especialmente no segmento corporativo. O mercado mexicano permanece relativamente pouco desenvolvido, com concorrentes concentrados em propostas mais financeiras e menor oferta de serviços agregados, abrindo espaço para diferenciação competitiva. A companhia também vem fortalecendo relacionamentos com montadoras, assegurando condições atrativas de compra de veículos, enquanto amplia gradualmente sua rede de seminovos e sua presença física em aeroportos e centros urbanos. Por fim, a administração mantém a estratégia de replicar os pilares do modelo brasileiro, combinando a experiência de executivos da companhia com o desenvolvimento gradual de talentos locais para sustentar o crescimento de longo prazo no país.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Bruno Carrenho)

  • Nota Setorial - Varejo & Consumo

 

A implementação da reforma tributária entra em uma fase mais relevante para o varejo, com temas como split payment, novas opções para empresas enquadradas no Simples Nacional e a tributação de royalties ganhando importância crescente. A mudança está baseada no princípio da não cumulatividade, por meio da substituição dos tributos atuais por um IVA dual composto por IBS e CBS, permitindo que as empresas utilizem créditos tributários sobre suas compras e sejam tributadas apenas sobre o valor agregado. O split payment deverá alterar a dinâmica de capital de giro ao direcionar automaticamente a parcela dos tributos para o governo no momento da liquidação da venda, reduzindo o período em que as empresas mantêm esses recursos em caixa e aumentando a necessidade de controles operacionais mais sofisticados. Para empresas do Simples Nacional, surgirá a escolha entre permanecer no modelo simplificado ou aderir ao regime híbrido, que permite o aproveitamento de créditos tributários e pode ser mais atrativo em operações B2B. A tributação dos royalties também deverá ganhar relevância, especialmente para redes de franquias, já que o aumento da carga tributária poderá afetar a rentabilidade de franqueadores e franqueados, dependendo da capacidade de repasse dos custos. Entre os segmentos mais expostos às mudanças estão os pequenos varejistas, que tendem a enfrentar maiores desafios relacionados a liquidez, capacidade operacional, competitividade nas cadeias B2B e possíveis pressões adicionais de margem decorrentes da nova tributação sobre serviços de franquia.