Radar Diário de Ações - 15/04/26
Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
- Nota Setorial - Agronegócio
O cenário para o 1T26 indica deterioração de rentabilidade no setor, com expectativa de contração de margens operacionais para todas as empresas cobertas. Embora alguns segmentos e geografias ainda apresentem margens saudáveis, o ambiente geral sugere pressão sobre a lucratividade. Nos Estados Unidos, margens de carne bovina devem permanecer pressionadas, enquanto aves tendem a estabilidade, e outras empresas devem apresentar piora sequencial. No Brasil, o cenário também é desafiador, com margens ainda fracas em operações relevantes e pressão adicional de custos, especialmente no caso de gado. A expectativa é de queda sequencial de margens para diferentes empresas, refletindo condições menos favoráveis. Entre as companhias analisadas, apenas JBS mantém recomendação de compra, ainda que com menor suporte de momento de resultados. O setor passa a ser visto mais como uma oportunidade relativa do que uma tese de geração de valor.
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Antonio Pascale / Luis Mollo, CFA)
- Plano&Plano (PLPL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00
A companhia apresentou desempenho operacional fraco no primeiro trimestre, com vendas líquidas de R$ 842 milhões, queda anual de 2% e abaixo das estimativas, refletindo menores lançamentos e vendas, além de cancelamentos mais elevados. A velocidade de vendas foi de 17%, inferior ao observado no ano anterior. Os lançamentos somaram R$ 989 milhões, também abaixo do esperado, enquanto a queima de caixa atingiu R$ 80 milhões, acima das estimativas. Parte do desempenho negativo do fluxo de caixa deve ser compensada no 2T com recebimentos pendentes e reconhecimento de vendas via corretores terceiros. Apesar do resultado mais fraco, a companhia mantém perspectiva de recuperação de geração de caixa no curto prazo. O ambiente do programa Minha Casa Minha Vida segue favorável, sustentando a demanda. A recomendação permanece de compra, com valuation considerado atrativo.
Financeiro (Eduardo Rosman / Ricardo Buchpiguel / Antonio Pascale / Bruno Henriques)
- Banco do Brasil (BBAS3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 26,00
A expectativa para o 1T26 é de um resultado fraco, com lucro líquido estimado entre R$ 3,0 bilhões e R$ 3,5 bilhões, abaixo do consenso, pressionado por menor margem financeira e provisões ainda elevadas. O desempenho sequencial deve apresentar queda relevante em relação ao trimestre anterior, que foi beneficiado por efeito tributário não recorrente. A visão sobre os resultados se deteriorou desde o início do ano, com risco crescente de frustração também no segundo trimestre, especialmente diante da piora nas condições do agronegócio. O crescimento da carteira deve ser moderado, com receita pressionada e custos ligeiramente acima da inflação. A qualidade dos ativos segue como principal preocupação, com inadimplência em alta no agro e provisões elevadas. A visibilidade de recuperação permanece limitada, e o valuation atual não se mostra atrativo frente ao histórico. A recomendação segue neutra, com postura cautelosa.
Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Marcopolo (POMO4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 10,00
A companhia foi o principal destaque no leilão do Programa Caminho da Escola para 7,5 mil unidades, garantindo inicialmente 5,2 mil ônibus, incluindo microônibus, urbanos e modelos Volare, além de exposição indireta via Volkswagen. Existe ainda potencial de adicionar cerca de 2 mil unidades adicionais dependendo da homologação de um lote em disputa, podendo elevar o total para até 7,2 mil unidades. A participação alcançada foi de aproximadamente 70%, podendo chegar a 97%, acima da expectativa de mercado de cerca de 50%. O leilão tem duração de um ano, com possibilidade de extensão, e contou com Volkswagen como principal vencedora, seguida por Iveco e Agrale. Apesar do impacto limitado nos volumes de 2026, o resultado reforça as estimativas para o próximo ano e sustenta a resiliência de micro e minibus. A reação das ações já refletiu parte desse resultado positivo. A recomendação permanece neutra, diante da necessidade de maior visibilidade de crescimento em outros segmentos.
