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Sacre Investimentos
15 de mai. de 202613 min

Radar Diário de Ações - 15/05/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

 

  • 3tentos (TTEN3); COMPRA; Preço-alvo R$ 26,00

A 3tentos apresentou resultados fortes no 1T, com receita líquida crescendo 20% a/a para R$4,2 bilhões e EBITDA ajustado dobrando em relação ao ano anterior para R$394 milhões, acima das estimativas. A expansão de margens foi impulsionada principalmente pelos segmentos de Varejo e Grãos, enquanto a divisão Industrial manteve margens estáveis ajustadas pelos efeitos de hedge. O segmento de Varejo registrou crescimento de 55% a/a em volumes, apoiado pelo ganho de participação de mercado em novas regiões e maior representatividade do Mato Grosso nas receitas. A margem do segmento avançou 470bps a/a para 22,8%, enquanto preços mais altos de fertilizantes podem beneficiar os resultados ao longo do ano. Na divisão Industrial, os volumes cresceram 21% a/a com avanço em farelo de soja e biodiesel, enquanto os ativos industriais recém-expandidos continuam em crescimento operacional. A divisão de Grãos apresentou aumento de 40% a/a na receita e crescimento de 109% a/a no lucro bruto, impulsionados pelo maior volume transportado de soja e milho. A companhia também destacou redução sequencial dos custos logísticos e proximidade do início das operações da planta de etanol de milho. 

Alimentos & Bebidas (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

  • Marfrig (MBRF3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 26,00

A Marfrig reportou EBITDA de R$3,1 bilhões no 1T, praticamente estável a/a e acima das estimativas, com margens positivas tanto na BRF quanto na operação de carne bovina da América do Sul. A receita líquida ficou em R$39,5 bilhões, abaixo das projeções, enquanto o lucro líquido atingiu R$111 milhões, beneficiado por menores despesas financeiras líquidas e impacto positivo cambial sobre a dívida. A BRF apresentou recuperação das margens EBITDA e EBIT no trimestre, impulsionada principalmente pela operação de exportação, que alcançou margem EBIT de 12,2%. O segmento Halal registrou margem EBITDA de 15%, enquanto a retomada das exportações para China e Europa também favoreceu os resultados. No Brasil, a margem EBIT recuou para 6,8%, refletindo spreads menores em produtos processados e margarina. A operação da América do Sul continuou apresentando forte demanda internacional, com volumes crescendo 9% a/a e margem EBITDA próxima de 10%. A alavancagem IFRS16 encerrou o trimestre em 3,9x Dívida Líquida/EBITDA, enquanto a companhia apresentou consumo de caixa de R$1,5 bilhão concentrado nas operações de bovinos. 

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Antonio Pascale / Luis Mollo, CFA)

  • Cyrela (CYRE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 40,00

A Cyrela apresentou resultados mais fracos no 1T, com receita líquida de R$2 bilhões, crescimento de 4% a/a, mas abaixo das estimativas. O lucro bruto ajustado atingiu R$731 milhões, alta de 9% a/a, com margem bruta ajustada de 36%, beneficiada por melhor rentabilidade operacional. O lucro líquido somou R$297 milhões, queda de 9% a/a e abaixo das projeções devido a receita líquida mais fraca e maiores despesas comerciais. O ROE anualizado ficou em 11%, refletindo menor rentabilidade no trimestre. Por outro lado, a companhia apresentou forte geração de fluxo de caixa de R$125 milhões, acima das expectativas, apoiada pelas entregas realizadas no quarto trimestre e menores desembolsos com aquisição de terrenos. A dívida líquida encerrou o trimestre em R$1,7 bilhão, equivalente a 14% do patrimônio líquido, mantendo uma estrutura de capital confortável. A companhia segue ampliando sua exposição ao segmento Minha Casa Minha Vida enquanto mantém forte presença em média e alta renda. 

  • Even (EVEN3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 9,50

A Even apresentou resultados fracos no 1T, com receita líquida de R$330 milhões, queda de 2% a/a e abaixo das estimativas. O lucro bruto ajustado atingiu R$118 milhões, crescimento de 18% a/a, enquanto a margem bruta ajustada avançou 615bps a/a para 35,6%. Apesar das margens mais fortes, o lucro líquido caiu 39% a/a para R$33 milhões, pressionado principalmente por menor equivalência patrimonial e carga tributária acima do esperado. O ROE anualizado encerrou o trimestre em 7%, refletindo menor rentabilidade operacional. A companhia registrou consumo de caixa de R$49 milhões, em linha com as expectativas, devido principalmente à recomposição do landbank e menores cessões de recebíveis para bancos. A dívida líquida atingiu R$595 milhões ao final do trimestre, equivalente a 26% do patrimônio líquido. A companhia também anunciou distribuição de R$30 milhões em dividendos, equivalente a aproximadamente 3% de yield.

  • Trisul (TRIS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 9,00

A Trisul reportou resultados mistos no 1T, com receita líquida de R$343 milhões, crescimento de 26% a/a, mas abaixo das estimativas. A margem bruta ajustada ficou em 30,4%, retração de 500bps a/a, enquanto o lucro líquido somou R$28 milhões, queda de 31% a/a e abaixo das projeções devido ao desempenho mais fraco da receita líquida e maiores despesas comerciais. O ROE anualizado encerrou o trimestre em 7%, refletindo menor rentabilidade operacional. Por outro lado, a companhia apresentou forte geração de fluxo de caixa de R$68 milhões, acima das expectativas, apoiada principalmente pelas entregas de R$638 milhões no período, alta de 34% a/a. A dívida líquida atingiu R$472 milhões ao final do trimestre, equivalente a 32% do patrimônio líquido, acima dos 24% registrados no mesmo período do ano anterior. A companhia segue ampliando sua exposição ao segmento de baixa renda em meio a um cenário macroeconômico mais desafiador para incorporadoras de média e alta renda. O trimestre apresentou combinação de resultado operacional mais fraco com geração de caixa mais forte.

Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

  • Nota Setorial - Saúde

A pesquisa de sentimento realizada com investidores mostrou fortalecimento do posicionamento no setor de saúde, com 63% dos participantes sobrealocados no segmento, acima dos 51% observados em fevereiro de 2026. A Rede D’Or ampliou sua liderança entre as posições compradas, alcançando 67% das preferências, enquanto Fleury passou a ser o principal papel utilizado em posições vendidas. Para a Rede D’Or, 60% dos investidores projetam lucro líquido ajustado entre R$5,0 bilhões e R$5,4 bilhões em 2026, implicando P/L de aproximadamente 15,5x. A Hapvida permaneceu como uma tese de recuperação debatida, com 23% dos investidores reportando compras das ações nos últimos dois meses, embora apenas 5% a mantenham entre as preferidas. No setor educacional, 51% dos investidores afirmaram não possuir exposição ao segmento, enquanto YDUQS liderou entre as preferências com 16% das respostas, seguida por Vitru e Ânima. A pesquisa também mostrou expectativa de reajuste próximo de 6% nos planos individuais de saúde no ciclo 2026-27 para parte relevante dos investidores. Além disso, 46% dos participantes acreditam que mudanças de governança na Hapvida devem apresentar resultados concretos em um horizonte de um a dois anos.

Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Luis Mollo, CFA)

  • Sanepar (SAPR11); NEUTRO; Preço-alvo R$ 44,00

A Sanepar apresentou resultados abaixo das expectativas no 1T, com receita líquida de R$1,95 bilhão, crescimento de 8% a/a, impulsionada pelo reajuste tarifário de 6% e maiores volumes faturados de água e esgoto. O EBITDA atingiu R$844 milhões, alta de 3% a/a, mas abaixo das estimativas devido a custos mais elevados relacionados principalmente a serviços e provisões para contingências. O lucro líquido somou R$353 milhões, abaixo das projeções, impactado por maior carga tributária efetiva. As despesas operacionais cresceram 11% a/a para R$1,10 bilhão, refletindo maiores custos de energia elétrica, ajustes operacionais em tratamento de esgoto e provisões para contingências. A alavancagem permaneceu baixa em 0,7x Dívida Líquida/EBITDA, ainda beneficiada pelo impacto dos créditos fiscais recebidos em setembro de 2025. O aumento das despesas operacionais foi explicado também por maiores gastos com serviços e provisões acima do esperado. A margem EBITDA encerrou o trimestre em 43,3%, queda de 1,9p.p. a/a. 

  • CPFL (CPFE3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 50,00

A CPFL reportou resultados positivos no 1T, com EBITDA ajustado de R$3,35 bilhões, crescimento de 3% a/a e acima das estimativas. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo segmento de distribuição, que apresentou EBITDA ajustado de R$2,23 bilhões, beneficiado pela redução das perdas de energia para 9,55%. A receita líquida consolidada atingiu R$11,3 bilhões, alta de 6,4% a/a, enquanto o lucro líquido chegou a R$1,83 bilhão, favorecido por menores despesas financeiras líquidas e maior equivalência patrimonial. Os volumes faturados recuaram 0,7% a/a, enquanto as despesas PMSO ajustadas cresceram 5,6% a/a devido a maiores gastos com pessoal, materiais e serviços. No segmento de geração, o EBITDA ajustado ficou abaixo das estimativas, impactado por curtailments e velocidades de vento mais fracas no Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte. O segmento de transmissão apresentou EBITDA regulatório de R$231 milhões, ligeiramente acima das projeções. A alavancagem permaneceu estável em 2,31x Dívida Líquida/EBITDA no trimestre. 

  • Orizon Valorização De Resíduos (ORVR3); COMPRA; Preço-alvo R$ 84,00

A Orizon apresentou resultados sólidos no 1T, com EBITDA de R$144 milhões, crescimento de 36% a/a e acima das estimativas, impulsionado principalmente pelo forte desempenho da gestão de resíduos e pelo crescimento real das tarifas de disposição. A receita da divisão de gestão de resíduos atingiu R$203 milhões, alta de 16,5% a/a, refletindo aumento do preço médio para R$91,1 por tonelada e crescimento de 2,5% a/a nos volumes processados nos Ecoparques. O segmento também apresentou custos abaixo do esperado, resultando em lucro bruto de R$137 milhões. As receitas de energia, biogás e créditos de carbono cresceram 135% a/a para R$111 milhões, impulsionadas pelas operações de comercialização de energia e pela venda de R$11,5 milhões em créditos de carbono. O lucro bruto do segmento refletiu o crescimento operacional das plantas de biometano de Paulínia e Jaboatão dos Guararapes. As despesas financeiras líquidas atingiram R$51 milhões, acima das projeções, enquanto o lucro líquido ficou em R$19 milhões, abaixo das estimativas. A alavancagem subiu para 2,55x Dívida Líquida/EBITDA devido ao capex de expansão de R$147 milhões relacionado aos projetos em construção, enquanto o fechamento da aquisição da Vital segue esperado para o segundo trimestre de 2026.

Financeiro (ex-Bancos) (Eduardo Rosman / Ricardo Buchpiguel / Antonio Pascale / Bruno Henriques)

  • Nubank (ROXO34); COMPRA; Preço-alvo R$ 20,00

O NuBank apresentou forte crescimento da carteira de crédito e elevada rentabilidade no trimestre, apesar do aumento relevante das provisões para perdas, principal foco das preocupações dos investidores. O lucro líquido em padrão GAAP atingiu US$871 milhões, alta de 56% a/a, mas abaixo das estimativas, enquanto o crescimento da carteira permaneceu em ritmo acelerado de 40% a/a. A margem financeira foi beneficiada pelo maior crescimento em crédito pessoal sem garantia e cartões de crédito, enquanto as provisões cresceram 38% t/t e ficaram cerca de 30% acima das expectativas. A administração destacou que o aumento das provisões estava alinhado às projeções internas e refletia dinâmica saudável do portfólio, com cobertura superior a 150% sobre a formação de inadimplência. A companhia mencionou que crescimento acelerado da carteira, mudança de mix para produtos mais arriscados, aumento de limites concedidos e efeitos contábeis do IFRS-9 pressionaram provisões no curto prazo. O mercado local tem revisado positivamente as estimativas de lucro líquido da companhia, principalmente para 2027, enquanto investidores estrangeiros seguem mais céticos quanto à deterioração da qualidade dos ativos. A expansão internacional continua sendo apontada como um dos principais pilares da tese de investimento de longo prazo.

  • Méliuz (CASH3); COMPRA; Preço-alvo R$ 6,50

O Méliuz reportou EBITDA ajustado de R$30 milhões no 1T, crescimento de 74% a/a e acima das estimativas, com margem de 25,5%, impulsionada por melhor controle de custos. A receita líquida consolidada atingiu R$118 milhões, alta de 18% a/a, enquanto as receitas após despesas com cashback cresceram 17% a/a. O segmento Shopping Brasil permaneceu como principal motor de crescimento, representando 79% da receita total, com destaque para novas verticais como Nota Fiscal, Prime e Ads. As despesas operacionais ajustadas cresceram apenas 6% a/a, enquanto os investimentos em marketing e cashback recuaram na comparação anual e trimestral. O resultado líquido reportado ficou negativo em R$60 milhões devido a impairment não caixa relacionado à posição em Bitcoin, enquanto o lucro líquido ajustado atingiu R$16 milhões. A companhia encerrou o trimestre com R$91 milhões em caixa e ativos financeiros e utilizou geração de caixa operacional para recompra de ações. O Méliuz também destacou crescimento da posição em Bitcoin, encerrando o trimestre com 604,7 BTC adquiridos a preço médio de US$103 mil. 

Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Rumo (RAIL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00

A Rumo reportou resultados do 1T em linha com as estimativas, com volumes fortes já divulgados anteriormente e tarifas acima das expectativas, enquanto as margens ficaram ligeiramente abaixo do esperado. A companhia destacou que o processo de reposicionamento de preços está próximo do fim, com yields mais estáveis a partir do 2T e volumes transportados ganhando tração diante de preços mais competitivos. O volume acumulado no ano cresceu 22%, apoiado principalmente por soja e fertilizantes, enquanto a safra brasileira, especialmente em Mato Grosso, contribui para uma perspectiva positiva para os próximos trimestres. A empresa reiterou disciplina no capex, mantendo os investimentos concentrados no início do ano devido ao projeto LDRV e sem investimentos comprometidos para a segunda fase do projeto FMT em 2026. Nossa projeção de receita líquida passou para R$14,5 bilhões em 2026 e R$15,6 bilhões em 2027, enquanto o EBITDA estimado ficou em R$8,2 bilhões e R$9 bilhões, respectivamente. A companhia também destacou ganhos de eficiência, inflação do frete rodoviário favorecendo a competitividade ferroviária e discussões em andamento sobre Malha Sul e Malha Oeste.

  • Tupy (TUPY3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 35,00

A Tupy reportou resultados fracos no 1T, com receita líquida de R$2,3 bilhões, queda de 7% a/a, enquanto o EBITDA ajustado totalizou R$99 milhões, retração de 60% a/a e margem de 4%. O resultado foi impactado por R$46 milhões em itens não recorrentes relacionados a provisões, reestruturação, créditos tributários, baixa de ativos e depreciação de ativos não operacionais. A divisão de Componentes Estruturais e Contratos de Manufatura apresentou queda de 8% a/a na receita, pressionada pelo fraco desempenho de veículos pesados no mercado doméstico e pelo real mais forte nas operações externas. O segmento de Energia & Descarbonização cresceu 5% a/a, impulsionado pela venda de motores próprios no mercado brasileiro, enquanto Distribuição recuou 6% a/a. A companhia destacou melhora na operação da América do Norte, com menor incerteza tarifária, confirmação das regras EPA 27 e recuperação de fretes, resultando em crescimento de 53% a/a em pedidos de caminhões no trimestre. O capex somou R$64 milhões, enquanto a alavancagem subiu para 4,0x Dívida Líquida/EBITDA Ajustado devido ao EBITDA mais fraco nos últimos 12 meses.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)

  • Mateus (GMAT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 9,00

O Grupo Mateus apresentou um trimestre pressionado por dinâmica de consumo mais fraca, deflação de alimentos e integração do Novo Atacarejo, com receita líquida crescendo 12,9% a/a para R$9,4 bilhões. As vendas mesmas lojas caíram 7,3% a/a, refletindo maior endividamento das famílias e mudanças no perfil da cesta de consumo. A companhia manteve a estratégia de priorizar rentabilidade sobre volume, principalmente no canal Balcão, preservando margens brutas mesmo com impacto negativo sobre vendas. A margem bruta avançou 70bps a/a para 22,9%, apoiada por negociações com fornecedores e otimização comercial, enquanto as despesas operacionais cresceram 29,3% a/a devido à consolidação do Novo Atacarejo, expansão de lojas e investimentos em estruturas B2B. O EBITDA pós-IFRS 16 caiu 7,3% a/a para R$543 milhões, com margem de 5,8%, enquanto o lucro líquido atribuído ao Grupo Mateus ficou em R$213 milhões, retração de 21,8% a/a. A geração de caixa apresentou melhora sequencial, apoiada por ganhos de capital de giro e menor intensidade de capex, enquanto a alavancagem caiu para 0,33x Dívida Líquida/EBITDA. A companhia encerrou o trimestre com 228 lojas de varejo alimentar após a abertura de quatro unidades no período.