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Sacre Investimentos
16 de mar. de 20267 min

Radar Diário de Ações - 16/03/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Antonio Pascale / Luis Mollo, CFA)

  • Nota Setorial - Construção Civil

O FII Tracker reúne dados operacionais e financeiros trimestrais de FIIs nos segmentos de shoppings, escritórios e logística, destacando a interconexão com companhias imobiliárias listadas. Em 2025, os FIIs apresentaram desempenho positivo impulsionado por descontos relevantes em relação ao valor patrimonial, melhora gradual dos fundamentos operacionais e expectativas de queda de juros em 2026. Ainda assim, o desempenho ficou abaixo das ações imobiliárias listadas, que se beneficiaram de fluxos externos de capital. No 4T de 2025, os indicadores operacionais permaneceram sólidos, embora com desaceleração no crescimento real anual. O SSS médio foi de 1,7% e o SSR de 2,5%, com vacância de 4,3% e inadimplência de 1,4%. As emissões de FIIs totalizaram R$60 bilhões em 2025, crescimento de 48% a/a, mas cerca de 60% ocorreu via troca de cotas na aquisição de ativos. No setor de shoppings a alavancagem está sob controle, enquanto fundos logísticos mantêm capacidade relevante de investimento.

Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)

  • Petrobras (PETR4); COMPRA; Preço-alvo R$ 56,00

A recomendação para Petrobras foi elevada para compra, com preço-alvo de R$ 56, apoiada pela escassez de companhias de energia integradas em mercados emergentes e estatais brasileiras listadas, pelo perfil robusto e de baixo custo de produção e pela retomada esperada da geração de caixa excedente com o Brent a US$ 80 por barril e preços domésticos ajustados. A expectativa é de yield de fluxo de caixa para o acionista de cerca de 10% e dividend yield de cerca de 9% em 2026, passando para aproximadamente 13% e 11%, respectivamente, em 2027, com Brent a US$ 70 por barril. A proximidade das eleições presidenciais no Brasil também pode representar um catalisador adicional por meio de compressão no custo de capital próprio, sem expectativa de mudanças relevantes na companhia caso o atual governo seja reeleito. O perfil de produção é visto como robusto, apesar da volatilidade esperada, com crescimento composto estimado de cerca de 3,3% entre 2025 e 2028 e produção de 2,5 milhões de barris por dia em 2026. A retomada da geração de caixa excedente nos próximos trimestres reforça a atratividade relativa frente a pares globais. Os principais riscos apontados são uma queda mais forte do Brent e possíveis impactos de aquisições ou de participação em reestruturações sobre caixa e dividendos.

  • Nota Setorial - Petroleo & Gás

Os dados de distribuição de combustíveis de fevereiro devem ser divulgados pela ANP nesta semana e devem ser acompanhados de perto, especialmente após a perda de participação de mercado observada em janeiro pela Vibra e outras distribuidoras listadas. O setor de distribuição segue com bom desempenho, com indicações nas teleconferências de resultados do 4T25 de melhora sequencial das margens de EBITDA por metro cúbico no 1T26. Também são esperados anúncios da ANP sobre os preços de referência do programa de subvenção ao diesel e a adesão de mais empresas ao programa, em um contexto em que o pacote do governo é visto como negativo para as companhias, mas insuficiente para comprometer a geração de fluxo de caixa para o acionista. O desenho das medidas é considerado favorável para a Petrobras ao sinalizar preferência por alívio tributário e subsídios em vez de intervenção direta na política de preços. A Petrobras tem até sexta-feira para exercer o direito de preferência sobre Tartaruga Verde, ativo considerado positivo estratégica e financeiramente, com potencial de elevar EBITDA e fluxo de caixa para o acionista a partir de 2026. No mercado de petróleo, os preços seguem sustentados por interrupções no Oriente Médio, perdas de oferta no Golfo e maior demanda por barris fora da região. Nesse ambiente, também há espaço para Brava comercializar seu óleo pesado com descontos menores.

Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Nota Setorial - Transportes

O setor de concessões rodoviárias passou por uma mudança de percepção relevante nos últimos anos, após um histórico de pouco interesse dos investidores devido a problemas de governança, atritos regulatórios e críticas à alocação de capital. Esse ceticismo diminuiu com as mudanças de controle em algumas companhias, trocas nas equipes executivas, melhora do arcabouço regulatório e um ciclo de juros mais baixos no Brasil. As discussões com EPR, Arteris, Motiva, Ecorodovias e Vinci destacaram o ambiente regulatório mais favorável, o pipeline robusto de leilões, as estratégias individuais e as perspectivas de alocação de capital. O pipeline primário segue forte e amplo, oferecendo oportunidades tanto para operadores maduros quanto para novos investidores financeiros e estratégicos. Ao mesmo tempo, esse ciclo pode se aproximar de um ponto de inflexão, abrindo espaço para mais oportunidades no mercado secundário e para maior foco em distribuição de capital por empresas maiores. O governo segue atuando de forma transparente e proativa em reequilíbrios contratuais, relicitações e aditivos, em um ambiente regulatório mais maduro. Nesse contexto, alterações contratuais aparecem como um importante vetor de geração de valor, com boa visibilidade sobre demanda, opex e capex, sustentando a recomendação de compra para Motiva e Ecorodovias.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)

  • Grupo SBF (SBFG3); COMPRA; Preço-alvo R$ 16,00

Após vários trimestres focada em disciplina operacional e alocação de capital, a companhia inicia uma nova fase orientada ao crescimento. Nos últimos dois anos, a empresa corrigiu ineficiências estruturais na Centauro e Fisia, priorizando produtividade das lojas, otimização de sortimento e fortalecimento da organização comercial. A companhia identificou oportunidades relevantes de crescimento de vendas nas mesmas lojas, principalmente em unidades historicamente menos produtivas. Em 2025 foram contratados cerca de 900 novos vendedores para reforçar atendimento e conhecimento de produtos. A estrutura de merchandising também foi fortalecida com compradores dedicados por categoria. As primeiras iniciativas mostram crescimento mais acelerado em lojas reformadas em comparação com unidades similares. A estratégia da Centauro passou a focar ganhos de produtividade na base atual de lojas, apoiada por melhorias operacionais.

  • Nota Setorial - Varejo & Consumo

O setor de varejo farmacêutico no Brasil entrou em uma nova fase marcada por mudanças estruturais no cenário competitivo. A penetração do e-commerce cresceu significativamente e já representa cerca de 15% a 20% da receita total do setor. Plataformas digitais e marketplaces ampliaram a competição, especialmente nas categorias de saúde e cuidados pessoais que historicamente apresentam margens mais elevadas. Ao mesmo tempo, o sistema de regulação de preços de medicamentos tem limitado o crescimento real dos preços, com reajustes autorizados abaixo da inflação geral. Como resultado, o crescimento do setor depende cada vez mais da expansão de volumes e de melhorias no mix de produtos. O ambiente regulatório também segue em evolução com discussões sobre prescrições digitais e telemedicina. Paralelamente, a rápida adoção de medicamentos da classe GLP-1 para diabetes e obesidade tem ampliado significativamente o mercado farmacêutico.

A companhia tem se destacado como um dos principais vencedores estruturais no varejo farmacêutico brasileiro. Nos últimos anos, apresentou forte execução operacional, ganhos consistentes de participação de mercado e melhorias de eficiência. Esse desempenho sustentou crescimento da receita líquida e resiliência de margens, levando inicialmente a uma reprecificação do valuation em 2025. A narrativa evoluiu de uma história de crescimento para um negócio com perfil de crescimento composto. A expansão da rede continua relevante, com expectativa de cerca de 350 novas lojas por ano e economia atrativa por unidade. Paralelamente, ganhos de eficiência em logística, compras e integração digital contribuíram para melhorar a rentabilidade. A adoção de medicamentos GLP-1 e a consolidação do setor criam condições para novas revisões positivas de lucro líquido ao longo do tempo.