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Sacre Investimentos
16 de abr. de 20267 min

Radar Diário de Ações - 16/04/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Antonio Pascale / Luis Mollo, CFA)

  • Melnick (MELK3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 4,80

A companhia apresentou resultados operacionais sólidos no 1T26, com vendas líquidas de R$300 milhões (+130% a/a), em linha com as estimativas, refletindo bom desempenho dos lançamentos e melhora nas vendas de estoque. As vendas brutas atingiram R$342 milhões (+126% a/a), enquanto os distratos somaram R$42 milhões (+100% a/a), resultando em velocidade de vendas de 16%, acima dos 11% do mesmo período do ano anterior. Os lançamentos totalizaram R$213 milhões, também em linha com o esperado, com dois projetos residenciais, sendo um de média/alta renda e outro no programa MCMV. Esses lançamentos apresentaram boa performance, com cerca de 38% vendidos no trimestre. A companhia também entregou um projeto de loteamento no período, no valor de R$23 milhões. No geral, os indicadores operacionais mostraram consistência, com melhora no desempenho de estoque e manutenção da atividade de lançamentos.

  • Lavvi (LAVV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00

A companhia apresentou desempenho operacional mais fraco no 1T26, com vendas líquidas de R$325 milhões (-11% a/a), abaixo das estimativas, impactadas pela ausência de lançamentos no período. As vendas brutas totalizaram R$422 milhões (estáveis a/a), enquanto os distratos atingiram R$98 milhões (+70% a/a), levando a uma velocidade de vendas de 11%, abaixo dos 15% registrados no mesmo período do ano anterior. A companhia não realizou lançamentos no trimestre, mas indicou preparação para lançamento do projeto Hípica Santo Amaro no segundo trimestre, com potencial de aproximadamente R$1 bilhão na primeira fase. Houve consumo de caixa de R$70 milhões, principalmente relacionado à aquisição de terrenos e à ausência de entregas no período. O desempenho operacional refletiu principalmente a falta de novos projetos lançados.

  • Helbor (HBOR3); COMPRA; Preço-alvo R$ 4,10

A companhia apresentou resultados operacionais fracos no 1T26, com vendas líquidas de R$299 milhões (-37% a/a), refletindo menor volume de vendas tanto de lançamentos quanto de estoque. As vendas brutas somaram R$421 milhões (-32% a/a) e os distratos totalizaram R$123 milhões (-14% a/a), resultando em velocidade de vendas de 9%, inferior aos 17% do mesmo período do ano anterior. Os lançamentos atingiram R$470 milhões (-4% a/a), com dois projetos de média renda, dos quais 27% foram vendidos no trimestre. A companhia não realizou entregas no período, o que contribuiu para uma queda de 42% a/a na cessão de recebíveis para bancos, totalizando R$277 milhões. O desempenho refletiu menor ritmo comercial ao longo do trimestre.

Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

  • Nota Setorial - Saúde

As estimativas preliminares para o 1T26 indicam desaceleração da normalização no setor de saúde, com base de comparação mais desafiadora, embora ainda haja tendências divergentes entre empresas e segmentos. Rede D’Or e Fleury devem apresentar resultados resilientes, sustentados por bons indicadores operacionais e execução consistente, enquanto outras companhias seguem enfrentando desafios específicos, sem ponto claro de inflexão no curto prazo, com destaque negativo para a Hapvida. No segmento de planos de saúde, o crescimento de beneficiários permanece apoiado por um mercado de trabalho favorável, com expansão para a maioria das empresas, exceto Hapvida. A sinistralidade deve continuar melhorando a/a, embora em ritmo mais lento, diante de comparações mais exigentes. Entre prestadores, espera-se desempenho sólido, com destaque para crescimento de receita hospitalar da Rede D’Or e avanço em volumes. No segmento farmacêutico, Blau deve apresentar recuperação com crescimento de receita e EBITDA, enquanto Hypera deve ter dinâmica mais moderada. As principais preferências permanecem concentradas em Rede D’Or e Odontoprev.

Financeiro (Eduardo Rosman / Ricardo Buchpiguel / Antonio Pascale / Bruno Henriques)

  • Bradesco (BBDC4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 23,00

Mantivemos uma visão cautelosa para o Bradesco por alguns anos, com histórico de deterioração estrutural do ROE e recuperação gradual, enquanto concorrentes como Itaú seguem ampliando vantagem. Ainda assim, surgem sinais iniciais de mudança na qualidade do capital, considerada um dos principais entraves para a criação de valor. No curto prazo, o banco deve apresentar desempenho relativamente melhor, com expectativa de crescimento sequencial do lucro no 1T26 suportado por melhora na qualidade de ativos, margem financeira resiliente e impacto positivo da transação envolvendo o Bradesco Saúde. A operação com Odontoprev pode aumentar a flexibilidade estratégica, governança e acesso a capital. A possível oferta secundária deve fortalecer o índice de capital e acelerar o uso de créditos tributários, elevando a proporção de capital gerador de retorno. A baixa qualidade do capital, com alta participação de ativos não geradores de yield como Ativo Fiscal Diferido, limitava o retorno sobre o patrimônio. A melhora nesse aspecto é vista como essencial para destravar valor. Uma mudança estrutural nessa direção pode levar a reprecificação das ações ao longo do tempo.

  • Banco Pine (PINE4); COMPRA; Preço-alvo R$ 19,00

Reunião com a administração reforçou a visão mais construtiva, com execução consistente da estratégia focada em carteiras de maior yield, especialmente crédito consignado privado e cartões vinculados à folha. O início do ano mostrou desempenho acima do esperado, com alocação mais rápida de capital e crescimento forte das originações, levando à revisão para cima das estimativas de lucro para 2026 e 2027. O 1T26 deve apresentar resultado sólido, com lucro recorrente estimado em torno de R$140 milhões, crescimento de +17% t/t e +91% a/a, impulsionado pelo avanço da carteira. A estrutura de securitização via FIDC permite maior alavancagem com menor consumo de capital, mantendo geração de resultado ao longo do tempo. Gargalos operacionais no consignado privado mantêm spreads elevados, apesar de desafios na execução. O ambiente regulatório segue em evolução, com potencial impacto positivo via garantias adicionais. O banco apresenta forte momento operacional, valuation atrativo e melhora de liquidez após oferta, sustentando perspectiva positiva.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)

  • Vivara (VIVA3); COMPRA; Preço-alvo R$ 36,00

A análise de preços por SKUs mostrou dinâmica divergente entre as bandeiras, com a Vivara implementando aumentos, a Life realizando ajustes táticos e a Pandora mantendo preços estáveis. Na Vivara monitoramos cerca de 14 mil SKUs, com 7% reajustados (84% para cima), resultando em uma elevação média ponderada de +2,8% t/t, com maior aumento em itens de maior ticket e cerca de 6% dos SKUs com desconto médio de 5%. Na Life 8,4 mil SKUs, com 15% reajustados (85% para baixo), levando a variação média de -1,4% t/t e cerca de 25% dos SKUs com desconto médio de 6%. A Pandora não apresentou reajustes no período analisado. Em termos de ticket médio, há sobreposição entre marcas, mas a Life mantém preços de entrada mais baixos, especialmente em prata. A análise por categoria mostra pequenas quedas na Life e aumentos moderados na Pandora, resultando em dinâmicas consolidadas distintas. O contexto de commodities, com ouro e prata em alta e volatilidade recente, reforça a importância da estratégia de precificação baseada em elasticidade e otimização de portfólio.

  • Nota Setorial - Varejo & Consumo

A Receita Federal intensificou a fiscalização sobre créditos de PIS/Cofins, notificando cerca de 3 mil empresas por inconsistências que podem somar aproximadamente R$10 bilhões. Foram identificados mais de 55 mil pedidos com possíveis irregularidades, principalmente no varejo alimentar, envolvendo créditos apropriados sem base legal, como em produtos com tributação monofásica ou alíquota zero. A abordagem atual prioriza regularização voluntária até junho de 2026, com possíveis consequências incluindo glosas, devoluções e multas. O setor de varejo alimentar é mais exposto pela complexidade tributária e relevância dessas categorias no mix de vendas. No caso do Assaí, há potencial de monetização de créditos de cerca de R$ 1,5 bilhão, com impacto positivo relevante no valuation, com valor presente estimado em ~R$ 1 bilhão, o que foi um dos catalisadores após o resultado do 4T25. Já o Grupo Mateus reconhece esses créditos no resultado, o que pode gerar risco de revisão negativa de lucro caso a interpretação fiscal prevaleça.