Radar Diário de Ações - 16/06/26
Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
- Rede D´Or (RDOR3); COMPRA; Preço-alvo R$ 54,00
Desde o IPO, a família Moll recebeu recursos por meio de ofertas de ações, dividendos e juros sobre o capital próprio, totalizando aproximadamente R$ 9,1 bilhões brutos, ou R$ 8,1 bilhões líquidos de impostos. Entre 2022 e 2026, os controladores realizaram compras relevantes de ações da Rede D’Or e também da SulAmérica, aproveitando períodos de múltiplo mais baixo e a estrutura da operação de combinação de negócios entre as companhias. As aquisições acumuladas de ações de RDOR e SULA são estimadas em aproximadamente R$ 3,5 bilhões, correspondendo a cerca de 43% dos recursos recebidos pelos controladores desde o IPO. Paralelamente, a redução da participação da GIC, de cerca de 17% para 12,75%, tem sido uma importante fonte de pressão vendedora sobre as ações, embora ainda haja baixa visibilidade sobre eventuais desinvestimentos adicionais. Considerando apenas os recursos recebidos e não reinvestidos em ações da companhia, estima-se que aproximadamente R$ 4,6 bilhões ainda poderiam estar disponíveis para futuras alocações de capital. Além dos controladores, a tesouraria da Rede D’Or também tem atuado como compradora relevante, tendo investido aproximadamente R$ 3,1 bilhões em programas de recompra de ações da Rede D’Or e da SulAmérica. A companhia continua apresentando desempenho sólido nos segmentos hospitalar e de seguros, crescimento orgânico, resiliência de margens e perspectivas favoráveis para a geração de fluxo de caixa, mantendo a recomendação de compra.
Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Rumo (RAIL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00
Os custos do transporte rodoviário são um fator relevante para a competitividade da Rumo, já que os preços de seus serviços ferroviários são definidos com base nos custos alternativos do transporte por caminhões. Os fretes rodoviários refletem tanto a evolução dos custos operacionais, como diesel, manutenção, remuneração dos motoristas e pedágios, quanto a dinâmica de oferta e demanda por capacidade logística, influenciada pelas safras, exportações e expansão da infraestrutura. A distribuição mais equilibrada das contratações de frete ao longo do ano, impulsionada pelo aumento da capacidade de armazenagem, reduziu a intensidade dos picos sazonais de demanda observados no passado. Entre os fatores estruturais de alta para os fretes estão a maior fiscalização do piso mínimo do frete e os efeitos da reforma tributária, que tende a aumentar a formalização do setor de transporte rodoviário. No curto prazo, restrições operacionais e crescimento mais lento da frota de caminhões também contribuem para um ambiente mais favorável aos preços dos fretes, embora a menor rentabilidade dos produtores rurais atue como um fator de pressão negativa sobre a demanda por serviços logísticos. A saúde financeira dos transportadores também influencia a formação de preços, uma vez que condições econômicas mais favoráveis reduzem a necessidade de praticar preços agressivos. Apesar dos diversos fatores que sustentam custos mais elevados, a lentidão na contratação dos serviços logísticos tem limitado o repasse dessas pressões aos fretes, enquanto a competitividade entre os corredores de exportação e os riscos climáticos associados ao El Niño permanecem elementos notáveis para a dinâmica de volumes e preços no setor.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Marcel Zambello)
- MercadoLibre (MELI34); COMPRA; Preço-alvo R$ 115,00
Os dados de maio dos principais FIDCs do Mercado Livre indicaram expansão da carteira de crédito para R$ 7,9 bilhões, alta de 3% em relação ao mês anterior e de 23% na comparação anual, com crescimento de R$ 231 milhões no período. Os indicadores de inadimplência mostraram aumento de 104 bps nos atrasos inferiores a 90 dias, para 10,7% da carteira, enquanto os atrasos superiores a 90 dias recuaram 11 bps, para 11,5%. No primeiro trimestre de 2026, a carteira do Mercado Crédito alcançou US$ 14,5 bilhões, com crescimento de 87% a/a e 16% t/t, impulsionada principalmente pelas operações de crédito ao consumidor e cartões de crédito. O NIMAL recuou 550 bps na comparação trimestral, para 17,8%, refletindo maiores provisões para devedores duvidosos, enquanto a participação de vendedores com crédito na plataforma continuou avançando. A companhia emitiu 2,7 milhões de cartões de crédito no trimestre, com crescimento de 104% a/a da carteira dessa modalidade, além de acelerar a expansão do produto no México e continuar os investimentos iniciais na Argentina. A penetração de crédito ainda permanece baixa em relação à base de usuários, enquanto as operações de crédito e publicidade seguem ampliando o engajamento e fortalecendo o ecossistema da plataforma. Nos próximos trimestres, o foco permanecerá na evolução das margens sobre o crescimento do GMV, na trajetória das despesas operacionais, nos investimentos em inteligência artificial e na expansão da carteira de crédito.
