Radar Diário de Ações - 16/06/26
Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
- Cosan (CSAN3); COMPRA; Preço-alvo R$ 8,00
A Cosan segue avançando no processo de simplificação de sua estrutura, migrando de uma estratégia focada na construção de ativos para uma fase de monetização e desalavancagem. Desde o follow-on e o IPO da Compass, a companhia reduziu sua dívida, diminuiu despesas na holding, listou a Compass e monetizou parcialmente sua participação na Rumo sem perder exposição econômica ao ativo. Apesar do preço de IPO da Compass ter ficado abaixo das expectativas iniciais e do ambiente de juros mais elevados ter retardado a desalavancagem, a empresa já possui um caminho mais claro para destravar valor. A dívida líquida ajustada da holding encerrou o primeiro trimestre de 2026 em aproximadamente R$12,3 bilhões, enquanto as despesas financeiras ainda superam os dividendos recebidos das subsidiárias, resultando em consumo de caixa estimado em cerca de R$1 bilhão em 2026. A expectativa é que esse cenário melhore com novas vendas de ativos, redução adicional da dívida e aumento dos dividendos das controladas. Os principais candidatos à monetização no curto prazo continuam sendo a Radar e a participação na Rumo, enquanto Moove e parte da participação remanescente na Compass devem ganhar relevância em um segundo momento. A Radar possui cerca de 306 mil hectares de terras agrícolas, mas a venda do portfólio tende a ocorrer de forma gradual devido à baixa liquidez do mercado e às restrições para investidores estrangeiros. Pelas estimativas, a venda de 70 mil a 80 mil hectares com desconto de aproximadamente 15% sobre o valor de avaliação poderia reduzir significativamente o consumo de caixa da holding. Atualmente, a ação negocia com desconto de holding de aproximadamente 29%, nível considerado elevado diante do avanço da simplificação da estrutura. Mantemos recomendação de compra e preço-alvo de R$8 por ação, o que implica potencial de valorização de 145%.
- Jalles Machado (JALL3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 5,00
O ano-safra 2025/26 foi marcado por menor produtividade agrícola e preços mais fracos do açúcar, enquanto os preços do etanol ajudaram a sustentar a rentabilidade do setor. A política de hedge da Jalles protegeu a companhia da queda dos preços do açúcar, mas os resultados continuaram pressionados por uma recuperação de produtividade mais lenta do que o esperado. Para a safra atual, a empresa projeta crescimento de 10% na moagem de cana-de-açúcar, impulsionado principalmente pelo aumento dos rendimentos agrícolas, enquanto a produção total de ATR deverá avançar 8,5%. O mix de produção será direcionado para o etanol, cuja participação deve aumentar de 53,6% para 59,0%, refletindo a expectativa de continuidade da pressão sobre os preços do açúcar. No quarto trimestre, a companhia aproveitou os preços mais elevados do etanol para acelerar as vendas do produto, reduzindo estoques e registrando EBITDA de R$335 milhões, com Dívida Líquida/EBITDA de 1,3x. As orientações para capex recorrente vieram abaixo das estimativas, enquanto o capex de expansão segue previsto em R$143 milhões. Apesar da proteção proporcionada pelas operações de hedge, que já cobrem 85% da produção esperada de açúcar a preços superiores aos atuais, a recuperação da produtividade continua sendo o principal fator a ser acompanhado, sustentando a recomendação neutra para a ação.
- SLC Agrícola (SLCE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 20,00
A SLC reforçou durante o Investor Day sua estratégia resiliente a ciclos do agronegócio, destacando que o ambiente para o segue desafiador, com custos de insumos mais elevados, margens pressionadas e incertezas para a safra 2026/27, mas também cria oportunidades para empresas com balanço robusto. A companhia vê fundamentos construtivos para soja e algodão no longo prazo, diante de uma oferta global mais restrita e da manutenção do crescimento da demanda, embora os fertilizantes continuem pressionando a rentabilidade no curto prazo. A administração destacou que o setor pode estar migrando de uma crise de balanço patrimonial para uma crise de rentabilidade, cenário no qual a SLC pretende continuar expandindo e capturando oportunidades. Entre os destaques operacionais estão os avanços em irrigação, que aumentam a produtividade e reduzem riscos climáticos, e o forte crescimento da SLC Sementes, que vem ganhando participação de mercado em soja e algodão. A reforma tributária foi apontada como positiva para o setor, apesar da maior necessidade de capital de giro, enquanto o portfólio de terras foi reavaliado em R$13,5 bilhões, com valorização de 1% a/a. As estimativas foram revisadas para refletir custos mais elevados e margens menores nos próximos anos, mantendo um cenário de curto e médio prazo pressionado. Ainda assim, a combinação de escala, produtividade acima da média, qualidade dos ativos e potencial de valorização das commodities sustenta a recomendação de compra, com preço-alvo de R$20 por ação.
Alimentos & Bebidas (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
- JBS (JBSS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 100,00
Um ano após o primeiro Investor Day nos Estados Unidos, a JBS reforçou a consistência de sua estratégia, sustentada pela diversificação global em proteínas, disciplina na alocação de capital e forte geração de caixa. Nos Estados Unidos, a companhia anunciou o fechamento de parte da capacidade de processamento de bovinos, reduzindo a capacidade anual de abate de 33 milhões para 27 milhões de cabeças, buscando concentrar operações em regiões com maior disponibilidade de gado e ampliar a diferença de margem em relação aos concorrentes. A administração também destacou que uma eventual reabertura das importações de gado do México poderia aliviar significativamente a escassez de animais no mercado americano. Nas demais operações, o foco permaneceu no fortalecimento de marcas e na aproximação com o consumidor final, com destaque para o crescimento da Just Bare, da Seara, da Primo e da Friboi, além do fortalecimento da plataforma global de distribuição e exportação. A companhia mantém um dos balanços patrimoniais mais sólidos do setor, com prazo médio da dívida superior a 15 anos, custo médio de financiamento de 5,7% e redução de US$400 milhões no plano de expansão anunciado para 2026. Para os próximos anos, a estratégia segue baseada em crescimento orgânico, expansão nos Estados Unidos, potencial uso das ações em aquisições e busca por inclusão no S&P 500. Apesar da revisão para baixo das estimativas de lucro de 2026 devido a uma visão mais cautelosa para as margens do negócio de bovinos nos Estados Unidos, a combinação de valuation, diversificação, disciplina financeira e geração de fluxo de caixa sustenta a recomendação de compra, com preço-alvo de US$20 por ação, equivalente a R$100 por ação no mercado local, representando potencial de valorização de 63%.
Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Bruno Henriques)
- Compass (PASS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 38,00
Iniciamos cobertura de Compass com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 38 por ação, sustentados pela combinação entre ativos regulados de elevada previsibilidade, oportunidades de crescimento estrutural no mercado de gás natural e valuation atrativo. A companhia reúne concessões relevantes de distribuição de gás, como Comgás, Necta, Sulgás e Compagas, que oferecem receitas protegidas pela inflação, expansão da base regulatória de ativos e forte geração de caixa. Além disso, a Edge amplia a exposição da empresa ao crescimento do mercado livre de gás e ao desenvolvimento da infraestrutura de GNL no Brasil, criando novas avenidas de expansão. A tese também se apoia na perspectiva de crescimento orgânico das concessões existentes, em oportunidades de consolidação do setor e no avanço da abertura do mercado brasileiro de gás natural. Os principais riscos estão relacionados à execução dos investimentos da Edge, ao crescimento de volumes, aos ganhos de eficiência operacional e a questões regulatórias em algumas concessões. Ainda assim, entendemos que a companhia oferece uma combinação atrativa entre previsibilidade, crescimento e potencial de valorização, com upside estimado de aproximadamente 52% em relação ao preço de mercado.
