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Sacre Investimentos
16 de jul. de 20266 min

Radar Diário de Ações - 16/07/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Bruno Henriques)

  • Copel (CPLE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 19,00

A Copel anunciou uma atualização de sua política de dividendos, elevando a alavancagem-alvo para 2,9x Dívida Líquida/EBITDA, ante 2,8x anteriormente, e ampliando a faixa operacional para entre 2,6x e 3,2x. A principal mudança foi a extensão do prazo para retorno à alavancagem-alvo, que passa de 24 para até 48 meses a partir de dezembro de 2026, proporcionando maior flexibilidade financeira para conciliar distribuição de dividendos e execução dos investimentos previstos. Essa flexibilidade é particularmente relevante diante dos projetos conquistados no recente leilão de capacidade, incluindo as expansões das hidrelétricas Segredo e Foz do Areia, com entrada em operação prevista para agosto de 2030. A companhia também foi beneficiada por uma revisão tarifária considerada favorável em sua distribuidora, cujos efeitos já estão incorporados nas estimativas. As projeções indicam distribuição de dividendos de aproximadamente R$3,4 bilhões em 2026 e R$3,1 bilhões em 2027, equivalentes a yields de 7,5% e 6,9%, respectivamente. Mesmo com a manutenção de investimentos relevantes, a expectativa é que a alavancagem permaneça próxima de 3,0x Dívida Líquida/EBITDA ao final de 2027, permanecendo compatível com os parâmetros da política atualizada.

Financeiro (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)

  • B3 (B3SA3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 20,00

 B3 divulgou os dados operacionais de junho, concluindo o conjunto de informações do segundo trimestre de 2026. O volume médio diário negociado em ações à vista atingiu R$32,8 bilhões no trimestre, crescimento de 21% a/a e acima das estimativas, enquanto as atividades de renda fixa e balcão também apresentaram desempenho melhor do que o esperado. Em junho, o principal destaque foi o segmento de derivativos de juros em reais, com crescimento de 23% a/a no volume de contratos e aumento relevante das receitas diárias, além da continuidade da expansão das atividades de registro e custódia no mercado de balcão. Por outro lado, a receita média dos derivativos e o número de veículos financiados ficaram ligeiramente abaixo das projeções, compensando parcialmente os pontos positivos observados em ações e renda fixa. Com isso, a receita líquida trimestral é estimada em aproximadamente R$2,8 bilhões, crescimento de 9% a/a e em linha com as expectativas do mercado. A companhia também vem observando aumento do interesse de investidores locais, que passaram a enxergá-la como uma alternativa de exposição ao mercado doméstico após a recente correção das ações e em meio à maior complexidade estratégica observada em outros ativos do setor financeiro. Apesar da melhora relativa da atratividade das ações após a queda recente de preços, a avaliação sobre o papel permanece neutra neste momento.

  • Melnick (MELK3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 4,80

A prévia operacional de Melnick apresentou dados mais fracos no segundo trimestre, com vendas líquidas de R$108 milhões, queda de 67% a/a e desempenho abaixo das estimativas. As vendas brutas somaram R$131 milhões, retração de 63% a/a, enquanto os cancelamentos totalizaram R$23 milhões, queda de 10% a/a, resultando em uma velocidade de vendas de apenas 7%, ante 19% no mesmo período do ano anterior. A companhia lançou apenas um empreendimento residencial no trimestre, o Square Garden Fase 2, com valor geral de vendas de R$115 milhões, número inferior ao esperado devido ao adiamento de um projeto para o terceiro trimestre. O lançamento registrou comercialização de 15% das unidades ainda dentro do trimestre. Em contrapartida, a empresa realizou entregas relevantes, totalizando R$1,02 bilhão em valor geral de vendas, o que tende a favorecer a geração de caixa nos próximos períodos. O desempenho operacional refletiu tanto o menor volume de lançamentos quanto a desaceleração das vendas de estoque e das unidades recém-lançadas. O cenário macroeconômico mais desafiador para os segmentos de média e alta renda, marcado por juros elevados e menor acessibilidade ao crédito imobiliário, continuou pressionando a demanda ao longo do período.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Marcel Zambello)

  • Assaí (ASAI3); COMPRA; Preço-alvo R$ 11,00

O Assaí iniciou uma nova fase de diversificação de seu modelo de negócios, com a inauguração da primeira farmácia integrada ao interior de uma loja e planos de expandir o formato para cerca de 25 unidades em 2026 e até 250 lojas nos próximos anos, aproveitando sua rede de mais de 300 lojas e aproximadamente 40 milhões de visitas mensais. A estratégia faz parte de uma transformação mais ampla voltada à criação de um ecossistema de serviços além do varejo alimentar, incluindo marcas próprias, soluções financeiras para cerca de um milhão de clientes B2B e potenciais iniciativas em combustíveis, marketplace e infraestrutura para veículos elétricos. O movimento ocorre em um momento de menor expansão física, com apenas cinco novas lojas previstas para este ano, enquanto a companhia prioriza desalavancagem e disciplina financeira. A administração também reconhece que a maior adoção de medicamentos GLP-1 poderá alterar gradualmente os hábitos de consumo, reduzindo a demanda por carboidratos e bebidas alcoólicas e aumentando o consumo de proteínas, suplementos e produtos ligados à saúde. Nesse contexto, a entrada no mercado farmacêutico complementa a estratégia de ampliar exposição ao chamado ecossistema de saúde. Apesar dessas iniciativas de crescimento e diversificação, o ambiente operacional do varejo alimentar continua desafiador, com volumes pressionados, crescimento dependente de preços e limitações para novos repasses sem afetar a demanda. Embora os novos negócios tenham potencial relevante no médio e longo prazo, a execução das estratégias e a evolução do setor alimentar permanecem os principais fatores para os resultados da companhia nos próximos anos.

  • Nota Setorial - Varejo & Consumo

Em uma análise sobre os últimos vinte anos do varejo brasileiro, o estudo mostra que os ciclos de consumo foram fortemente influenciados por crédito, renda, emprego e condições financeiras. Entre 2006 e 2014, o setor viveu um período de forte expansão, impulsionado pelo crescimento do PIB, aumento da renda, queda do desemprego e forte avanço do crédito às famílias, beneficiando especialmente categorias ligadas ao consumo discricionário e ao financiamento. A recessão de 2015-2016 alterou estruturalmente esse ambiente, provocando forte retração das vendas, aumento do desemprego e mudança nas prioridades das empresas, que passaram a focar em produtividade, eficiência operacional, transformação digital e ganho de participação de mercado. Durante a pandemia, o consumo foi profundamente impactado pelos programas de transferência de renda, pela aceleração do comércio eletrônico e pela posterior elevação dos juros, favorecendo supermercados e farmácias enquanto categorias dependentes de crédito enfrentaram mais dificuldades. No ciclo atual, varejo e consumo apresentam um cenário paradoxal, com volumes agregados próximos dos recordes históricos, mas crescimento significativamente mais lento devido ao alto endividamento das famílias, juros reais elevados e perda de acessibilidade financeira. Nesse contexto, farmácias continuam se beneficiando de fatores estruturais ligados à saúde e demografia, varejistas de vestuário mostram maior resiliência operacional e categorias dependentes de crédito permanecem pressionadas. A principal conclusão é que o próximo ciclo do varejo brasileiro dependerá menos do crescimento macroeconômico e mais da capacidade de execução das empresas, incluindo ganhos de participação de mercado, produtividade, monetização de ecossistemas, uso de dados e disciplina na alocação de capital.