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Sacre Investimentos
17 de mar. de 20267 min

Radar Diário de Ações - 17/03/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Papel & Celulose (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)

  • Nota Setorial - Papel & Celulose

O setor de Papel & Celulose é apontado como um dos poucos setores de ativos reais que não apresentou valorização recente, com a Suzano próxima a 5,5x EV/EBITDA 2026, abaixo do nível histórico de 7x, apesar da recuperação dos preços da celulose de cerca de US$490/t para US$590/t, refletindo menor apelo temático, geração limitada de caixa e desafios estruturais de oferta e demanda, embora a demanda siga estruturalmente crescente e a competitividade de custos e liderança global sustentem potencial de reprecificação futura, mantendo Suzano em destaque. Os preços de revenda na China recuaram levemente para US$565/t, abaixo do PIX de US$595/t, gerando resistência a aumentos adicionais após elevação acumulada de cerca de US$100/t, embora fatores como fretes mais altos e menor disponibilidade de madeira possam sustentar preços, com expectativa de negociações intensas na Shanghai Pulp Week. O processo de desalavancagem segue em curso, ainda que mais lento, com expectativa de redução da Dívida Líquida/EBITDA para 2,7x na Suzano e 3,1x na Klabin, com retorno ao intervalo de 2,0x–2,5x no longo prazo, embora o benefício incremental seja limitado pelo baixo custo da dívida, ainda assim contribuindo para o fortalecimento do balanço e potencial de maior remuneração ao acionista. O mercado de curto prazo apresenta equilíbrio, com estoques de celulose de fibra curta abaixo do normal sustentando preços, enquanto o excesso de capacidade de papel na China limita a rentabilidade na ponta da cadeia, e o câmbio, apesar de impactar negativamente a rentabilidade recente, pode ser mitigado por hedges corporativos e reforça a atratividade do setor como proteção cambial em portfólios.

Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)

  • Nota Setorial - Petroleo & Gás

A Petrobras anunciou que exerceu seu direito de preferência para adquirir 50% do campo de Tartaruga Verde e no Módulo II do campo de Espadarte, o que restabelecerá 100% de sua participação, mantendo o seu papel como operadora. A transação totaliza US$450 milhões, sendo US$50 milhões no signing, US$350 milhões no closing (sujeitos a ajustes a partir da data efetiva de 1º de julho de 2025) e dois pagamentos diferidos de US$25 milhões após 12 e 24 meses. A Petrobras destacou que o desembolso final será ajustado pelos resultados econômicos gerados pelos ativos desde a data efetiva.

Nossa visão

Vemos a transação como positiva para a Petrobras, pois consolida barris totalmente operados em seu portfólio e reforça a geração de fluxo de caixa de ativos já sob seu controle operacional. Em um ambiente de Brent mais elevado, e considerando que a transação é economicamente retroativa a julho de 2025, esperamos que o desembolso efetivo de caixa no closing seja relativamente limitado, uma vez que parte do valor será ajustada pelos fluxos de caixa já gerados pelos ativos. Por outro lado, acreditamos que pode haver uma reação mista do mercado em relação à Brava, já que a aquisição aceleraria a trajetória de desalavancagem da companhia, ao mesmo tempo em que adiciona EBITDA e fluxo de caixa para o acionista a partir de 2026. Esperamos que a Petronas reembolse a Brava pelos US$50 milhões pagos no signing realizado em janeiro.

Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Luis Mollo, CFA)

  • Sabesp (SBSP3); COMPRA; Preço-alvo R$ 155,00

A companhia reportou EBITDA ajustado de R$3,37 bilhões no 4T, 6% acima das estimativas e crescimento de 10% a/a, impulsionado principalmente por controle de custos, enquanto a receita atingiu R$5,68 bilhões, em linha com as estimativas e alta de 2% a/a, com aumento de volumes faturados e retirada de descontos compensados por mix tarifário mais fraco devido a tarifas sociais. As despesas operacionais ajustadas ficaram em R$2,31 bilhões, 7% abaixo do esperado e queda de 10% a/a, com destaque positivo para redução de custos com pessoal, inadimplência e despesas gerais, parcialmente compensados por maiores custos com serviços e materiais. Após despesas financeiras líquidas de R$1 bilhão e impacto positivo de imposto de renda, o lucro líquido ajustado alcançou R$1,9 bilhão, acima das estimativas, com lucro reportado de R$2,68 bilhões. O capex totalizou R$15,2 bilhões em 2025, com avanço do plano de universalização e cumprimento antecipado das metas de 2024-2025, incluindo 97 mil novas conexões, além de progresso relevante nas metas de água e esgoto para o período 2024-2026, evidenciando execução consistente do plano operacional.

Telecom & Tecnologia (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Bruno Henriques)

  • Nota Setorial - Telecom & Tech

As empresas de telecomunicações questionam a constitucionalidade das taxas do Fistel, composto por TFI e TFF, alegando desproporcionalidade e inadequação ao seu objetivo, discussão que se estende há décadas e ganhou novo capítulo com ação direta de inconstitucionalidade protocolada em fevereiro de 2025 no STF, ainda sem prazo definido para decisão. Desde 2020, Vivo, TIM e Claro suspenderam os pagamentos e obtiveram liminar em 2021 permitindo a continuidade da suspensão, acumulando cerca de R$13 bilhões não pagos, sendo R$6,2 bilhões pela Vivo e R$4,3 bilhões pela TIM, valores integralmente provisionados nos balanços. Caso haja decisão favorável, as companhias poderão reverter provisões, aumentando o lucro líquido e potencialmente ampliando a base para distribuição de dividendos, além de eventual revisão da metodologia futura de cobrança. O argumento das empresas se baseia em dados que mostram que apenas 7% da arrecadação é destinada à Anatel, enquanto 46% vai para o Ministério da Fazenda, além da ausência de benefício individualizado exigido pela Constituição, reforçado por precedente do STF em caso similar que considerou cobranças inconstitucionais.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)

  • Natura (NATU3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 12,00

A companhia reportou mais um trimestre de dinâmica pressionada de receita, em meio a uma base de comparação forte no Brasil no 4T24, mas EBITDA e lucro líquido, ajustados por itens não recorrentes relevantes e custos de transformação, ficaram acima das estimativas e do consenso, beneficiados também por melhora nas despesas operacionais. A receita líquida consolidada caiu 12% a/a, ou 3,4% em base neutra de câmbio, para R$6,2 bilhões, refletindo desaceleração de demanda no Brasil, instabilidades na integração de marcas, câmbio desfavorável na Argentina e impactos da implementação da Wave 2, com redução de 5% no número de consultoras no Brasil e de 22% nos demais mercados da América Latina. O lucro bruto consolidado atingiu R$4 bilhões, com margem bruta 130 bps maior, enquanto SG&A caiu 22% a/a para R$3,8 bilhões, equivalente a 61,2% da receita líquida, impulsionado por otimizações da Wave 2 em Hispana e menor remuneração variável da administração, ainda incorporando R$105 milhões em custos de transformação. Excluindo esses custos e uma provisão não caixa de R$434 milhões relacionada a recebíveis da The Body Shop, o EBITDA ajustado consolidado alcançou R$978 milhões, alta de 57% a/a e 33% acima das estimativas, com margem de 15,8%. Após resultado financeiro líquido negativo de R$128 milhões, provisões adicionais ligadas ao acordo Chapman e baixas contábeis de operações descontinuadas, o prejuízo líquido reportado das operações continuadas foi de R$321 milhões, mas o lucro líquido ajustado teria sido de R$620 milhões, ou R$186 milhões incluindo a provisão da The Body Shop. A alavancagem caiu para 1,5x Dívida Líquida/EBITDA no 4T25, ante 2,5x no 3T25, enquanto seguem em acompanhamento a recuperação de margens, a redução da alavancagem e a retomada das vendas no Brasil e na América Latina Hispânica.