Radar Diário de Ações - 17/07/26
Radar Diário de Ações | 17/07/26
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Marcel Zambello)
Lavvi (LAVV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00
Vendas líquidas somaram R$823 milhões (5% acima da nossa estimativa), com velocidade de vendas de 21%
A Lavvi divulgou sólidos resultados em sua prévia operacional no 2T26, impulsionados principalmente pelo forte desempenho do projeto Jardim da Hípica, lançado durante o trimestre, e pelas boas vendas no segmento de baixa renda por meio da marca Novvo. As vendas brutas totalizaram R$945 milhões (+27% a/a), enquanto os distratos alcançaram R$122 milhões (+94% a/a). Como resultado, as vendas líquidas encerraram o trimestre em R$823 milhões (+21% a/a), 5% acima da nossa estimativa, resultando em uma sólida velocidade de vendas de 21% no período.
Lançamentos fortes no trimestre, liderados pelo Jardim da Hípica; consumo de caixa de R$27 milhões
A Lavvi lançou R$1,3 bilhão em VGV no trimestre (+14% a/a), em linha com nossa expectativa, composto por: (i) Novvo Santa Marina (R$121 milhões), voltado ao segmento de baixa renda por meio da marca Novvo; e (ii) as primeiras fases do Jardim da Hípica, o maior projeto da história da companhia, com VGV total de R$1,2 bilhão. O empreendimento apresentou forte desempenho comercial, com 44% das unidades vendidas ainda durante o trimestre. A companhia também registrou consumo de caixa de R$27 milhões no período, refletindo principalmente desembolsos de aproximadamente R$100 milhões para aquisição de terrenos.
Fortes lançamentos garantiram um sólido 2T26; reiteramos nossa recomendação de compra (4x P/L 2027E)
Os resultados operacionais do 2T26 foram sólidos, sustentados por: (i) lançamentos robustos; e (ii) velocidade de vendas de 21%. Apesar do ambiente macroeconômico mais desafiador para o segmento de média e alta renda, reiteramos nossa recomendação de compra para a Lavvi, pois acreditamos que a companhia: (i) continua apresentando forte execução em seu segmento principal, com projetos diferenciados; (ii) amplia sua exposição ao programa Minha Casa, Minha Vida por meio da marca Novvo; e (iii) negocia a um valuation bastante atrativo, de apenas 4x o P/L projetado para 2027.
Plano&Plano (PLPL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00
Vendas líquidas somaram R$917 milhões (+2% a/a), com velocidade de vendas de 19%
A Plano&Plano divulgou resultados operacionais modestos em sua prévia do 2T26, com (i) lançamentos e vendas em linha com as expectativas, mas (ii) consumo de caixa acima do esperado. As vendas brutas totalizaram R$977 milhões (-2% a/a), enquanto os distratos somaram R$61 milhões (-42% a/a), resultando em vendas líquidas de R$917 milhões (+2% a/a), em linha com nossa estimativa. Como resultado, a velocidade de vendas ficou em 19% no trimestre (estável na comparação anual), impactada pelo fato de que aproximadamente 85% dos lançamentos da companhia ocorreram no último mês do trimestre.
Lançamentos somaram R$826 milhões (-41% a/a); consumo de caixa de R$103 milhões (acima da nossa estimativa)
No 2T26, a Plano&Plano lançou R$826 milhões em VGV (-41% a/a), exatamente em linha com nossa projeção, sendo 100% dos lançamentos enquadrados na Faixa 2 do programa Minha Casa, Minha Vida. A companhia também registrou consumo de caixa de R$103 milhões no período, acima da nossa estimativa de R$50 milhões. O resultado foi novamente impactado por atrasos (i) nos recebimentos do programa Pode Entrar (aproximadamente R$50 milhões) e (ii) na cessão de recebíveis de clientes com renda informal (aproximadamente R$35 milhões).
2T26 fraco, com consumo de caixa acima do esperado; reiteramos nossa recomendação de compra
Os números operacionais do 2T26 foram fracos, uma vez que (i) a velocidade de vendas veio em linha com nossas expectativas, apresentando uma leve recuperação em relação ao trimestre anterior, enquanto (ii) o consumo de caixa ficou acima do esperado. Apesar da dinâmica de resultados mais fraca no curto prazo, mantemos nossa recomendação de compra para a ação, pois continuamos vendo uma perspectiva bastante positiva para o programa Minha Casa, Minha Vida e acreditamos que a Plano&Plano deverá recuperar sua rentabilidade em breve. Pretendemos revisar nossas estimativas para a companhia após um primeiro semestre de 2026 mais fraco, mas reiteramos nossa recomendação de compra.
Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
WEG (WEGE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 65,00
Os EUA iniciaram uma nova rodada de tarifas; nossa visão sobre os resultados do 2T26 e o anúncio de M&A da ABB
Dois temas chamaram nossa atenção em relação à WEG: (i) a retomada da discussão sobre tarifas nos Estados Unidos; e (ii) as implicações dos resultados do 2T26 da ABB. Em relação às tarifas, acreditamos que a manchete é negativa para a WEG. No entanto, do ponto de vista dos resultados, esperamos um impacto limitado, considerando as iniciativas da companhia para mitigar esse efeito, incluindo a redistribuição geográfica da produção e os reajustes de preços dos produtos afetados pelas tarifas no mercado americano. Além disso, acreditamos que o trimestre recorde da ABB reforça a força dos negócios de Eletrificação (relacionados à inteligência artificial e data centers) e de Motion, sendo este último particularmente positivo para a WEG, dado o elevado grau de sobreposição entre os portfólios das duas companhias. Embora a aquisição da Rotork pela ABB levante algumas dúvidas sobre alocação de capital, devido ao múltiplo implícito elevado da transação, acreditamos que a continuidade da forte demanda por Motion, combinada com a esperada mudança na narrativa da WEG para um crescimento mais forte a partir do 3T26, sustenta nossa recomendação de compra para a ação, que negocia a 23x o P/L projetado para 2027.
Marcopolo (POMO4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 10,00
Principais destaques da reunião com a Marcopolo; atualização sobre mercado e estratégia
Realizamos uma reunião virtual com Eduardo Willrich (RI) para discutir as tendências mais recentes do mercado brasileiro de ônibus, exportações, operações internacionais, margens, alocação de capital e resultado financeiro. De forma geral, a reunião reforçou uma perspectiva mais desafiadora para o curto prazo, especialmente nos segmentos de ônibus urbanos e rodoviários. A demanda por ônibus urbanos continua pressionada pelos preços mais elevados do diesel, em um contexto de ausência de reajustes tarifários, enquanto a demanda por ônibus rodoviários segue limitada pelos juros elevados e pelo intenso ciclo de renovação de frota observado nos últimos anos. Além disso, as vendas de micro-ônibus devem continuar mais fracas no curto prazo, já que os contratos recentemente concedidos do programa Caminho da Escola ainda aguardam aprovação definitiva. Por outro lado, a administração transmitiu uma mensagem confiante para o segundo semestre, sustentada por um mix de carteira de pedidos mais favorável, que deve contribuir para margens mais elevadas. Em uma perspectiva de longo prazo, a companhia também permanece otimista com os fundamentos estruturais do setor, apoiada por um mix de produtos superior ao observado antes da pandemia, impulsionado pela maior participação de ônibus de dois andares, exportações e programas públicos. Em nossa visão, esse cenário deve contribuir para margens estruturalmente maiores aos níveis historicamente observados, na faixa de um dígito alto. No geral, embora reconheçamos o valuation atrativo da Marcopolo, negociando a cerca de 5x o P/L projetado e oferecendo dividend yield de aproximadamente 10%, reiteramos nossa recomendação neutra, diante de uma perspectiva de crescimento de longo prazo ainda pouco inspiradora.
