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Sacre Investimentos
17 de ago. de 20267 min

Radar Diário de Ações - 17/08/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

  • Jalles Machado (JALL3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 5,00

 

A Jalles Machado processou 3,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no trimestre, crescimento de 10% a/a, com melhora da produtividade agrícola, refletida pelo aumento de 7% no TCH e pelo avanço da produção de ATR acima das estimativas. Os ganhos de produtividade começaram a se refletir nos custos de produção, que recuaram 5% a/a por tonelada de ATR produzida, embora o custo caixa por tonelada vendida tenha aumentado devido ao efeito temporal da comercialização e à formação de estoques. Os volumes vendidos ficaram acima das expectativas, impulsionados principalmente pelo etanol, enquanto as vendas de açúcar ficaram abaixo do projetado. A estratégia conservadora de hedge continuou contribuindo significativamente para os resultados, gerando R$ 112 milhões por meio de operações de proteção de preços e câmbio. Como resultado, o EBITDA ajustado incluindo hedge atingiu R$ 269 milhões e o EBIT ajustado por tonelada ficou acima das estimativas. A companhia manteve inalterado seu guidance para o ano fiscal de 2027, sustentado pela expectativa de continuidade da recuperação da produtividade agrícola e do processamento de cana.

  • Cosan (CSAN3); COMPRA; Preço-alvo R$ 8,00

 

A Cosan apresentou evolução gradual em sua principal frente estratégica, a redução da alavancagem da holding, encerrando o segundo trimestre com dívida líquida praticamente estável em R$ 12,2 bilhões. A estabilidade decorreu do fato de que os dividendos recebidos das controladas e as receitas financeiras praticamente compensaram as despesas com juros e custos corporativos, indicando uma aproximação do ponto em que a estrutura da holding passa a se sustentar operacionalmente. As despesas administrativas recuaram 36% a/a para R$ 42 milhões, refletindo iniciativas de simplificação e ganho de eficiência. A companhia também divulgou guidance para o índice de cobertura do serviço da dívida, prevendo melhora significativa até o final de 2026 sustentada por maiores dividendos das subsidiárias. Entre os ativos não listados, a Moove apresentou forte recuperação operacional, com crescimento de volumes, receita e EBITDA acima dos níveis históricos. Além disso, a empresa avançou em medidas de simplificação societária, redução de custos e reorganização de ativos, mantendo o foco na desalavancagem, monetização de participações e fortalecimento da estrutura financeira da holding.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Bruno Carrenho)

  • Nota Setorial - Shoppings

 

A temporada de resultados do segundo trimestre para empresas de shopping centers e propriedades mostrou um cenário ainda sólido, embora com sinais de desaceleração em algumas métricas operacionais. Nos shoppings brasileiros, o crescimento das vendas mesmas lojas e dos aluguéis mesmas lojas desacelerou para cerca de 3% a/a, abaixo da inflação, mas os demais indicadores permaneceram saudáveis, com baixa vacância e inadimplência. Financeiramente, os resultados ficaram próximos das expectativas, com receita consolidada recuando 3% a/a, EBITDA caindo 2% a/a e FFO avançando 11% a/a. Nos shopping centers chilenos, os indicadores operacionais foram mais fracos devido a uma base de comparação exigente e a um ambiente de consumo menos favorável, embora o crescimento da área bruta locável tenha sustentado avanços de aproximadamente 11% a/a na receita e no EBITDA. O segmento logístico manteve seu forte momento, com elevada absorção líquida, vacância reduzida e aluguéis crescendo acima da inflação. Já o mercado de escritórios em São Paulo continuou apresentando melhora gradual, com nova queda da vacância e crescimento consistente dos aluguéis. Entre os destaques da temporada, Allos apresentou resultado acima das expectativas no Brasil, enquanto a chilena Mallplaza registrou forte crescimento operacional e anunciou uma aquisição relevante na Colômbia.

Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

  • Oncoclínicas (ONCO3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 3,00

 

A Oncoclínicas apresentou mais um trimestre bastante fraco, com receita líquida de R$ 1,05 bilhão, queda de 29% a/a, impactada principalmente pela escassez de medicamentos iniciada em março, que continuou pressionando os volumes de tratamento ao longo do período. O lucro bruto recuou 48% a/a para R$ 229 milhões, refletindo a forte contração das receitas e a menor diluição operacional. Os resultados também foram afetados por diversos itens não recorrentes, incluindo baixas contábeis, provisões de crédito, Impairment de ativos e penalidades relacionadas a contratos de locação, levando o EBITDA contábil a registrar resultado negativo de R$ 246 milhões. As despesas financeiras líquidas somaram R$ 169 milhões e o prejuízo líquido alcançou R$ 476 milhões, deterioração significativa em relação ao mesmo período do ano anterior. A dívida líquida, incluindo obrigações de aquisições, aumentou para R$ 3,4 bilhões, elevando a alavancagem para aproximadamente 7,9x Dívida Líquida/EBITDA. Apesar de a geração operacional de caixa ter voltado ao terreno positivo, apoiada por renegociações com fornecedores e normalização de recebíveis, a companhia continua enfrentando elevada alavancagem, geração de caixa ainda frágil e desafios relevantes na execução de sua reestruturação financeira e operacional.

Financeiro (Eduardo Rosman / Ricardo Buchpiguel / Antonio Pascale / Bruno Henriques)

  • Porto Seguro (PSSA3); COMPRA; Preço-alvo R$ 61,00

 

Mudamos nossa recomendação para Compra A Porto voltou a apresentar características que sustentam sua posição entre as empresas de maior qualidade do mercado brasileiro, combinando crescimento consistente de resultados, rentabilidade elevada e retorno acima do custo de capital ao longo de vários anos. Entre 2004 e 2025, o lucro líquido recorrente cresceu a uma taxa composta de 16% ao ano, enquanto as ações entregaram desempenho significativamente superior ao Ibovespa e ao CDI. A companhia encontra-se hoje mais diversificada do que em ciclos anteriores, com melhoria estrutural do ROE, aceleração da operação de seguros automotivos e fortalecimento da divisão de saúde, que continua crescendo em um ambiente desafiador para o setor. O Porto Bank atravessa um processo de limpeza da carteira de cartões, o que tem pressionado os resultados de curto prazo, mas sem indicar deterioração estrutural do negócio. A gestão mantém foco na criação de valor de longo prazo, priorizando relacionamentos sustentáveis com clientes, corretores, colaboradores e demais stakeholders. Após a recente correção das ações, o valuation tornou-se mais atrativo, com múltiplo de aproximadamente 7,7x P/L projetado para 2027, mantendo a companhia como uma tese de crescimento consistente sustentada pela qualidade operacional e pela capacidade de geração de valor ao longo do tempo.

Transportes (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • GPS (GGPS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 24,00

 

A GPS atualizou suas perspectivas após os resultados do segundo trimestre, indicando sinais moderadamente mais positivos para a segunda metade do ano. O trimestre apresentou crescimento orgânico de 6% a/a, abaixo das expectativas, ainda impactado pela readequação de contratos provenientes das aquisições realizadas em 2024 e por um ambiente macroeconômico mais desafiador. Apesar disso, a rentabilidade ficou ligeiramente acima do esperado, mesmo diante da pressão de custos temporários relacionados aos segmentos de alimentação, contratos offshore e manutenção. A forte geração de caixa permitiu uma redução mais rápida da alavancagem para 1,3x Dívida Líquida/EBITDA, ampliando a capacidade da companhia para retomar o ritmo de aquisições. A administração reforçou que a prioridade segue sendo a expansão com foco em rentabilidade, mantendo uma ampla carteira de potenciais aquisições e disciplina na seleção de ativos. Para os próximos anos, a companhia revisou levemente para baixo suas projeções de crescimento e lucro líquido, mas segue apostando na combinação de crescimento inorgânico, melhora gradual das margens e forte geração de caixa como pilares da estratégia de longo prazo.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Bruno Carrenho)

  • Grupo SBF (SBFG3); COMPRA; Preço-alvo R$ 16,00

 

A Grupo SBF destacou que o forte desempenho do segundo trimestre foi resultado não apenas do impacto da Copa do Mundo, mas também de melhorias relevantes na execução operacional, com vendas de produtos oficiais significativamente superiores às registradas em 2022 e manutenção de tendências saudáveis de demanda no início do terceiro trimestre. A companhia observou crescimento em diversas categorias, sustentado por melhor gestão de estoques, disponibilidade de produtos e alocação de mercadorias. Na Centauro, os principais vetores de crescimento continuam sendo a reforma de lojas, o aumento da produtividade comercial e a abertura seletiva de novas unidades, enquanto na Fisia a expansão das lojas Nike de preço cheio e o forte desempenho do canal atacadista permanecem como importantes oportunidades de crescimento. Outro destaque foi o Projeto Conecta, iniciativa voltada à otimização logística e de estoques, com potencial para melhorar capital de giro, geração de caixa, margens e retorno sobre o capital investido. A companhia também informou que os investimentos necessários para o projeto permanecem dentro do orçamento já previsto e que os benefícios mais relevantes devem ser percebidos até 2028. Por fim, a administração reforçou sua capacidade de continuar financiando as principais iniciativas de crescimento e produtividade mantendo níveis confortáveis de alavancagem financeira.