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Sacre Investimentos
18 de ago. de 20266 min

Radar Diário de Ações - 18/08/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Bruno Carrenho)

  • Nota Setorial - Construção Civil

 

A temporada de resultados do segundo trimestre para as incorporadoras brasileiras foi marcada por desempenho moderado, com receitas consolidadas crescendo 11% a/a, expansão das margens brutas e lucro líquido avançando 2% a/a, desconsiderando a MRV. No segmento de baixa renda, os resultados operacionais foram mistos, com desaceleração da velocidade de vendas em função da Copa do Mundo e de critérios mais restritivos de aprovação de crédito pela Caixa Econômica Federal ao final do trimestre. Apesar disso, os resultados financeiros permaneceram sólidos, com crescimento de receitas e manutenção de margens saudáveis. Já o segmento de média e alta renda continuou enfrentando um ambiente mais desafiador, marcado por demanda mais fraca, maior estoque disponível e velocidade de vendas inferior à observada no ano anterior. As receitas ficaram praticamente estáveis nesse segmento, enquanto a rentabilidade permaneceu pressionada para diversas companhias. Entre os destaques da temporada, Tenda apresentou resultado acima das expectativas na baixa renda, enquanto Cyrela e Moura Dubeux se destacaram entre as incorporadoras de média e alta renda, sustentadas por forte geração de caixa e elevada rentabilidade.

Mineração & Siderurgia (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Rodrigo Gotardo / Marcel Zambello)

  • Vale (VALE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 90,00

 

A administração da Vale reforçou uma visão construtiva para a companhia, destacando que a tese de investimento continua apoiada por execução operacional consistente, disciplina na alocação de capital e foco na desalavancagem, sem planos relevantes de aquisições ou projetos greenfield. Para 2027, a expectativa é de crescimento apenas moderado dos volumes de minério de ferro e cobre, com custos mais normalizados após impactos não recorrentes observados em 2026 e capex relativamente estável. O cobre permanece como um dos principais vetores de crescimento de longo prazo, com potencial de expansão da produção acima dos planos atuais, sustentado por avanços em projetos e resultados exploratórios em Carajás. A companhia segue confiante na resiliência dos fundamentos do minério de ferro, mantendo uma visão construtiva para preços próximos de US$ 100 por tonelada, mesmo diante da entrada gradual de nova oferta global. Entre os demais destaques, a Vale descartou uma abertura de capital da VBM no curto prazo, não vê oportunidades relevantes de aquisições neste momento e mantém o foco na otimização de seus ativos logísticos e operacionais. A distribuição de dividendos extraordinários continuará condicionada principalmente à evolução dos preços das commodities, à geração de caixa e à redução da dívida líquida.

Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

  • Rede D´Or (RDOR3); COMPRA; Preço-alvo R$ 58,00

 

Elevamos as estimativas após os resultados acima do esperado no segundo trimestre, revisando o lucro projetado para 2027 em aproximadamente 3% e atualizando o preço-alvo para R$ 58 por ação. O desempenho do 2T26 foi sustentado pela combinação de forte evolução das operações hospitalares e resultados particularmente robustos da SulAmérica, principal responsável pelas revisões positivas das projeções. Nos hospitais, a expansão das margens continuou refletindo ganhos de eficiência operacional, crescimento da oncologia e ampliação gradual da capacidade instalada, enquanto a companhia segue ampliando sua liderança no processo de consolidação do setor hospitalar brasileiro. Na SulAmérica, a expressiva melhora da sinistralidade fortaleceu a confiança na trajetória de rentabilidade e crescimento, sustentando perspectivas mais favoráveis para os próximos trimestres. A companhia também mantém expectativa de expansão orgânica da base de beneficiários e crescimento relevante do EBITDA da operação de seguros. Apesar da volatilidade recente do mercado brasileiro, a tese de crescimento permanece preservada, apoiada pela combinação de rentabilidade elevada, crescimento recorrente, expansão operacional e fortalecimento da posição competitiva nos mercados hospitalar, oncológico e de saúde suplementar.

Financeiro (Eduardo Rosman / Ricardo Buchpiguel / Antonio Pascale / Bruno Henriques)

  • XP Inc (XPBR31); COMPRA; Preço-alvo R$ 144,00

 

A XP apresentou resultados do segundo trimestre com lucro líquido de R$ 1,4 bilhão, crescimento de 5% t/t e a/a, impulsionado em parte pelo programa de recompra de ações, que contribuiu para um avanço de 7% do LPA. A captação líquida atingiu R$ 28 bilhões, com destaque para os clientes de varejo, enquanto os ativos de clientes somaram R$ 1,53 trilhão e os ativos sob gestão continuaram crescendo acima da média da plataforma. A receita líquida totalizou R$ 4,9 bilhões, em linha com as expectativas, com desempenho mais fraco no varejo sendo compensado pelo forte crescimento das operações de atacado e crédito corporativo. O resultado operacional foi beneficiado pelo controle de custos, levando o lucro antes dos impostos a superar as estimativas, embora uma carga tributária mais elevada tenha limitado parte desse ganho no lucro líquido. A companhia manteve forte geração de capital, distribuiu recursos por meio de dividendos e recompra de ações e preservou um índice de Basileia confortável de 20,3%. Apesar do valuation atrativo e da evolução gradual da operação de atacado, o ambiente para ativos de maior risco continua desafiador, mantendo limitado o impulso de crescimento de curto prazo da principal franquia de varejo.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Bruno Carrenho)

  • Nota Setorial - Varejo & Consumo

 

O setor de varejo brasileiro continua sendo fortemente influenciado pelo ambiente macroeconômico adverso, com juros elevados, restrições de crédito e menor capacidade de consumo das famílias. Os estudos destacam que a disponibilidade de crédito e o nível de endividamento das famílias seguem como os principais determinantes do desempenho das categorias discricionárias, enquanto a expansão do crédito próprio dos varejistas tem ganhado relevância como ferramenta para sustentar vendas. Entre os temas estruturais, merecem destaque o crescimento do mercado de apostas online, que pode reduzir parte da renda disponível para consumo, e a crescente importância do mercado de medicamentos GLP-1, que deverá influenciar o setor farmacêutico nos próximos anos. O varejo farmacêutico continua apresentando forte potencial de crescimento estrutural, apoiado por envelhecimento populacional, maior acesso à saúde e inovação farmacêutica. Já o comércio eletrônico permanece altamente competitivo, com as grandes plataformas buscando elevar a monetização e a rentabilidade por meio de ajustes em taxas e modelos operacionais. Diante desse cenário, a preferência continua recaindo sobre empresas com motores estruturais de crescimento, balanços sólidos e capacidade comprovada de proteger margens mesmo sem melhora relevante do ambiente macroeconômico.