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Sacre Investimentos
19 de mar. de 202613 min

Radar Diário de Ações - 19/03/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Alimentos & Bebidas (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

  • Minerva (BEEF3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 8,50

A companhia encerrou 2025 com receitas e EBITDA recordes de R$55 bilhões e R$4,8 bilhões, respectivamente, apoiados pela aquisição dos ativos da Marfrig, que já parecem totalmente integrados e podem contribuir com R$1,4 bilhão a R$1,6 bilhão de EBITDA em 2026. Ainda assim, o último trimestre foi mais fraco, com receita praticamente em linha com as estimativas, volumes abaixo do esperado e compensação parcial por preços melhores em algumas geografias. A margem bruta ficou em 17,1%, 2,8 p.p. abaixo a/a e 1,3 p.p. abaixo da estimativa, pressionada por custos unitários 13% acima do esperado e alta sequencial mesmo com queda do preço do gado em alguns mercados-chave. O EBITDA somou R$1,17 bilhão, 9% abaixo da estimativa, com margem de 8,2%, também abaixo a/a, t/t e frente à projeção. O capital de giro voltou a consumir caixa no trimestre, com aumento de forfait (risco sacado), queda nos adiantamentos de clientes e alguma formação de estoques, resultando em consumo de R$600 milhões. Considerando a dívida líquida expandida, incluindo adiantamentos de clientes e forfait, houve aumento de R$670 milhões no trimestre, principalmente por efeitos cambiais e pagamento de dividendos. A alavancagem encerrou o período em 2,8x dívida líquida/EBITDA, ou 4,7x na base expandida, após um ano marcado por forte geração de caixa, mas também por maior dependência de financiamento de capital de giro.

  • Marfrig (MBRF3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 26,00

MBRF encerrou 2025 com resultados operacionais muito fortes, com margens robustas em BRF e na operação de bovinos na América do Sul compensando o ano fraco em bovinos nos Estados Unidos, além de crescimento consistente de volumes ao longo do ano. No 4T, o EBITDA reportado foi de R$3,4 bilhões, em linha com o esperado, mas 9% abaixo a/a por uma base de comparação mais forte, enquanto o lucro líquido ficou em apenas R$91 milhões, pressionado por despesas financeiras elevadas de R$2,1 bilhões. Apesar do bom desempenho operacional, a geração de caixa permaneceu fraca, com queima de caixa de R$328 milhões no trimestre e dívida líquida IFRS 16 de R$50,4 bilhões ao fim do ano, equivalente a 3,8x o EBITDA dos últimos 12 meses. A companhia também carrega linhas de financiamento de capital de giro de R$10,8 bilhões e, com custo anualizado de juros acima de R$6 bilhões e capex recorrente de cerca de R$5,5 bilhões, mesmo o EBITDA quase recorde de R$13,1 bilhões em 2025 resultou em queima de fluxo de caixa livre de R$1,3 bilhão, ainda que majoritariamente explicada por gastos relacionados a M&A. Na BRF, o crescimento de volumes voltou a se destacar, com alta de 4,5% em 2025 e de 5,7% no quarto trimestre, reforçando a recuperação de participação de mercado, embora as margens tenham seguido em normalização, com EBITDA de R$2,6 bilhões, queda de 6% a/a, e margem de 14,9%, a menor em dois anos. Na Marfrig, a operação na América do Sul permaneceu resiliente, com volumes subindo 24% a/a e margem EBITDA de 10,5%, enquanto a América do Norte registrou margem ajustada de apenas 0,8%, refletindo um ambiente ainda bastante desafiador. A visão neutra se mantém, apoiada na combinação entre elevado endividamento e expectativa de margens operacionais mais baixas em 2026 do que em 2025.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Antonio Pascale / Luis Mollo, CFA)

  • Tenda (TEND3); COMPRA; Preço-alvo R$ 44,00

A visita às operações em Salvador mostrou que o mercado de baixa renda no Nordeste é grande, pouco atendido e tem ganhado relevância nas vendas da companhia, que pretende continuar expandindo sua presença na região. A companhia destacou que a demanda segue crescente, com financiamentos contratados com recursos do FGTS avançando a uma taxa composta de 16% nos últimos cinco anos nas quatro regiões em que atua. O mercado permanece amplamente desabastecido e com baixa concorrência, e a companhia lidera em Faixas 1 e 2, com participação média de 36% na Bahia, Ceará e Pernambuco. O ambiente jurídico e regulatório mais desafiador exige escala significativa para tornar as operações rentáveis, o que reduz a presença de competidores menores na região. O Nordeste já respondeu por cerca de 10 mil unidades lançadas, equivalentes a 45% do total, e por aproximadamente R$561 milhões de lucro bruto, ou 40% do total em 2025. Ainda assim, a companhia vê espaço adicional para crescimento, especialmente em João Pessoa, além de perspectivas positivas para Curitiba, Minas Gerais e RMSP. A administração também indicou potencial de melhora de margem com ajustes recentes de produto, aumento de preços, maior exposição ao MCMV Faixa 3 e retomada de projeto em Faixa 4 em Salvador.

  • Melnick (MELK3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 4,80

A companhia reportou resultados do 4T em linha com as estimativas, com receita líquida de R$311 milhões, queda de 22% a/a e 1% acima da projeção, e lucro bruto de R$84 milhões, queda de 20% a/a, com margem bruta de 27,2%. O lucro líquido somou R$34 milhões, estável a/a e 4% acima da estimativa, implicando ROE anualizado de 13%. No trimestre, a companhia apresentou consumo de caixa de R$220 milhões, acima do esperado, explicado principalmente por R$84 milhões em aquisição de terrenos, R$63 milhões em securitização de recebíveis tratada agora como dívida e aumento de R$27 milhões em dívida com partes relacionadas. Com isso, encerrou 2025 com maior alavancagem, atingindo 38% de dívida líquida sobre patrimônio líquido. Esse aumento refletiu tanto o consumo de caixa quanto a distribuição relevante de dividendos ao longo de 2025, que totalizou R$265 milhões. Os resultados foram em linha da receita ao lucro, com LPA estável e ROE de 13% de acordo com o esperado. Apesar de negociar a múltiplos baixos, de 6,5x P/L 2026 e 0,7x P/valor patrimonial tangível, a visão para a ação permanece neutra.

Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

  • Hapvida (HAPV3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 15,00

A companhia reportou um 4T muito fraco, com EBITDA ajustado em queda de 34% a/a e margem 90bps menor t/t, apesar da sazonalidade favorável, com desempenho pior do que o já fraco terceiro trimestre. A receita líquida foi de R$7,9 bilhões, alta de 6% a/a e em linha com as estimativas, mas o lucro bruto caiu 39% a/a para R$1,7 bilhão, pressionado por sinistralidade caixa mais alta, maior provisão para contingências e menor alavancagem operacional. O EBITDA ajustado somou R$556 milhões, 23% abaixo da estimativa, enquanto a despesa financeira líquida seguiu elevada e o prejuízo líquido ajustado teria sido de R$53 milhões. A sinistralidade caixa subiu 450bps a/a para 75,5%, refletindo maiores custos com novos hospitais, atraso no reconhecimento de sinistros do 3T e utilização ainda elevada. A base de beneficiários de saúde caiu 140 mil vidas t/t, a maior perda líquida já registrada, concentrada principalmente no Sudeste. O fluxo de caixa operacional após leasing e capex ficou negativo em R$292 milhões, com capex de R$419 milhões no trimestre e R$1,04 bilhão no ano. A dívida líquida subiu R$932 milhões t/t para R$5,2 bilhões, as provisões de contingência aumentaram de forma relevante e o foco passou a recair sobre a sustentabilidade do balanço e a liquidez da companhia.

Telecom & Tech (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Bruno Henriques)

  • Unifique (FIQE3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 4,30

A companhia reportou resultados sólidos no 4T, com receita líquida de R$323,5 milhões, crescimento de 21,8% a/a e 6% t/t, levemente acima das estimativas. O EBITDA ajustado atingiu R$165,6 milhões, alta de 31% a/a, com margem de 51,2%, expansão de 3,5p.p. a/a. O lucro líquido foi de R$62 milhões, crescimento de 25% a/a, também acima do esperado, enquanto o capex de R$123,7 milhões sustentou geração operacional de caixa de R$42 milhões. A base de clientes de fibra cresceu com adições líquidas orgânicas de 11,6 mil, além de 33 mil inorgânicas, e forte desempenho no segmento móvel com 37 mil novos clientes. A companhia expandiu sua rede móvel para 128 cidades no sul do Brasil, com novos avanços em janeiro e meta de cobertura de 1.006 cidades até 2029. A alavancagem permaneceu confortável, com Dívida Líquida/EBITDA anualizado de 0,66x e churn reduzido para 1,36%. O balanço sólido permite flexibilidade para potenciais aquisições, apoiado por fundamentos operacionais consistentes.

  • Brisanet (BRIT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 5,00

A companhia reportou receita líquida de R$442 milhões no 4T, alta de 15,6% a/a e 1,9% t/t, ligeiramente abaixo da estimativa, enquanto o EBITDA ajustado atingiu R$199 milhões, crescimento de 22% a/a e 3% t/t, com margem de 45%. A expansão de margem refletiu o crescimento da operação móvel, cuja receita bruta foi de R$53 milhões no trimestre e passou a representar 11% da receita total. O lucro líquido ficou negativo em R$24 milhões, principalmente por conta de uma despesa tributária não recorrente relacionada a um acordo judicial. A companhia encerrou o período com 7,16 milhões de casas passadas e 1,52 milhão de clientes FTTH, com adição líquida de 15 mil clientes no trimestre. O ARPU de banda larga ficou em R$88,76, praticamente estável t/t e a/a, enquanto o churn ficou em 2,22%, também estável. No móvel, a base atingiu 852,3 mil assinantes, com adição líquida de 152 mil clientes, acelerando em relação aos trimestres anteriores. O capex somou R$146 milhões no trimestre e R$751 milhões em 2025, acima do guidance de R$700 milhões, com dívida líquida de R$1,66 bilhão e alavancagem estável em 2,2x.

Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Localiza&Co (RENT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 65,00

O debate sobre o crescimento da companhia reflete não apenas preocupações com escala, mas uma mudança estrutural na percepção do mercado após um período de maiores custos de capital, depreciação elevada e expansão mais lenta da frota. Historicamente marcada por crescimento consistente, a companhia passou a priorizar preservação de capital e recuperação de retorno sobre o capital investido no pós-pandemia. A normalização gradual de fatores como preços de veículos, dinâmica de usados e custo de capital reacende a discussão sobre crescimento. Segmentamos o crescimento entre expansão do ecossistema de locação e normalização na rotação de ativos no mercado de usados. Ambos os vetores foram impactados por restrições de acessibilidade e condições financeiras mais apertadas. O crescimento recente foi limitado mais por distorções econômicas do que por saturação de demanda. A retomada depende de melhoria de acessibilidade, ganhos em RAC e Frotas e recuperação do ciclo de renovação da frota.

  • Mills (MILS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 19,00

Os resultados do 4T ficaram acima das estimativas, impulsionados por margens mais fortes, com receita líquida de R$493 milhões, crescimento de 14% a/a. O EBITDA reportado foi de R$239 milhões, impactado por itens não recorrentes, enquanto o EBITDA ajustado atingiu R$253 milhões, alta de 20% a/a e margem de 51%. O lucro líquido reportado foi de R$79 milhões, com lucro ajustado de R$89 milhões, acima das estimativas. A divisão de locação apresentou receita de R$415 milhões e expansão da frota para 16,3 mil unidades, com desempenho resiliente. O segmento de formas e escoramentos registrou crescimento relevante de receita e forte expansão de margem, refletindo maior volume de projetos. O capex foi reduzido para R$80 milhões, concentrado em ativos de maior previsibilidade de retorno. A alavancagem caiu para 1,3x Dívida Líquida/EBITDA, com ROIC estável e geração de caixa operacional robusta.

 

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)

  • Vivara (VIVA3); COMPRA; Preço-alvo R$ 36,00

A companhia apresentou resultados fracos no 4T, com crescimento sólido de receita líquida em linha com as estimativas, mas EBITDA e lucro líquido abaixo do esperado, pressionados por menores incentivos fiscais, maiores despesas de vendas e resultado financeiro mais fraco. As vendas brutas líquidas de devoluções atingiram R$1,4 bilhão, alta de 17% a/a, enquanto a receita líquida cresceu 16%, com aumento das deduções sobre receita e redução da receita de subsídios para R$85 milhões. A estratégia de otimização de estoques levou a menor produção, reduzindo a diluição de benefícios fiscais, enquanto o indicador de vendas por metro quadrado cresceu 5,5% a/a. As lojas Vivara cresceram 15% a/a em vendas brutas, com SSS de 12%, enquanto Life avançou 20% a/a, apoiada por 39 aberturas líquidas em 12 meses e SSS de 9%. A margem bruta ajustada ficou em 68%, queda de 140bps a/a e abaixo da estimativa, refletindo menor nível de subsídios, ambiente mais promocional e estratégia comercial voltada a ganho de participação de mercado. O EBITDA ajustado pré-IFRS16 totalizou R$296 milhões, alta de 13% a/a, com margem de 27,8%, impactado também por maiores despesas com frete, CRM, marketing e despesas relacionadas a IPI. O fluxo de caixa operacional após capex foi positivo em R$362 milhões e o ciclo de estoques caiu para 537 dias, com redução de 9% t/t nos estoques.

  • CVC (CVCB3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 3,00

A companhia reportou resultados do 4T melhores do que o esperado, com reservas consumidas crescendo 7% a/a para R$4,2 bilhões, sendo Brasil +11,5% e Argentina -9%. No Brasil, a receita líquida cresceu 2% a/a para R$316 milhões, mas com queda de take rate consolidada de 80bps, pressionada tanto no B2C quanto no B2B, enquanto na Argentina a receita líquida caiu 20% a/a para R$46 milhões. Com isso, a receita líquida consolidada recuou 1% a/a para R$362 milhões, ficando 3% abaixo da estimativa. As despesas ajustadas com vendas, gerais e administrativas, incluindo outras despesas, caíram 11% a/a, sustentadas por menores despesas administrativas no Brasil e menores despesas comerciais na Argentina. O EBITDA ajustado foi de R$131 milhões, alta de 21% a/a e 17% acima da estimativa, com margem de 36,2%, expansão de 670bps a/a. O resultado financeiro permaneceu pressionado em -R$83 milhões, e a companhia reportou prejuízo líquido contábil de R$28 milhões, que seria lucro líquido ajustado de R$12 milhões ao excluir baixa de imposto diferido. O fluxo de caixa operacional após capex atingiu R$144 milhões, ante -R$10 milhões no 4T do ano anterior, refletindo dinâmica mais forte de capital de giro.

  • Mateus (GMAT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 9,00

A companhia reportou resultados fracos no 4T, abaixo de estimativas já conservadoras, com comparabilidade afetada pela consolidação do Novo Atacarejo, em meio a demanda fraca e pressão de margem por maiores despesas com vendas, gerais e administrativas. As vendas brutas cresceram 22% a/a para R$12 bilhões, explicadas integralmente pela incorporação do Novo, enquanto as vendas mesmas lojas consolidadas caíram 1% a/a, com retração em atacarejo de vizinhança e supermercados e alta em Eletro, além de bom desempenho do atacado. O lucro bruto atingiu R$2,4 bilhões, alta de 25% a/a, com margem de 22,5%, enquanto as despesas operacionais subiram 34% a/a para 16,3% da receita líquida, refletindo aquisição, reestruturação e maiores gastos com pessoal e vendas. O EBITDA pós-IFRS 16, excluindo o efeito do Refis do Maranhão, somou R$652 milhões, alta de 3% a/a, com margem de 6,2%, enquanto o EBITDA ajustado pré-IFRS 16 caiu 6% a/a, com margem de 4,8%. O resultado financeiro foi de -R$306 milhões, pior do que no trimestre anterior, em função de pagamentos de PIS/Cofins, JCP e ausência de capitalização de juros observada antes. O lucro líquido contábil foi de R$343 milhões, ajudado por reversão tributária de R$87 milhões, enquanto o lucro líquido ajustado foi de R$340 milhões, 11% abaixo da estimativa. O ciclo de conversão de caixa melhorou para 43 dias e a dívida líquida caiu para R$1,05 bilhão, ante R$1,4 bilhão no trimestre anterior.