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Sacre Investimentos
19 de mai. de 20265 min

Radar Diário de Ações - 19/05/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Estratégia (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Bruno Henriques)

Com o encerramento da temporada de resultados do 1T26, as companhias brasileiras apresentaram números consolidados acima das estimativas em receita líquida, EBITDA e lucro líquido quando excluídas Petrobras e Vale. Entre empresas domésticas, a receita líquida superou as projeções, mas EBITDA e lucro líquido vieram abaixo das estimativas devido ao ambiente de juros elevados. Na comparação anual, houve aceleração nos resultados ex-Petrobras e Vale, com crescimento de receita líquida, EBITDA e lucro líquido, impulsionados principalmente por empresas de commodities, especialmente Óleo & Gás e Materiais Básicos. Entre as empresas domésticas, receita líquida e EBITDA cresceram, enquanto o lucro líquido permaneceu praticamente estável. Qualitativamente, os resultados foram considerados estáveis em relação ao ano anterior, com leve melhora sequencial e aumento da participação de resultados fortes frente ao quarto trimestre de 2025. Os setores de aluguel de veículos e logística e serviços básicos lideraram o crescimento de receita líquida, enquanto serviços básicos e Óleo & Gás tiveram forte expansão de EBITDA e lucro líquido. Em contrapartida, alimentos e bebidas e varejo apresentaram piora relevante nos resultados, com destaque negativo para JBS e Banco do Brasil. O trimestre reforçou que, apesar do crescimento operacional, o cenário macroeconômico continua pressionando o lucro líquido de empresas domésticas mais alavancadas.

Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

  • Nota Setorial - Saúde

Investidores estrangeiros demonstraram elevado interesse em discutir os setores de saúde e educação durante o roadshow realizado na Europa, embora ainda mantenham cautela para aumentar exposição ao Brasil diante das incertezas macroeconômicas e políticas. Após um evento político relevante ocorrido no país, o tema eleitoral passou a ser um dos principais tópicos levantados nas reuniões, com maior atenção ao impacto das eleições de 2026 sobre os mercados. Rede D’Or foi a companhia mais debatida, com investidores reavaliando convicções após a recente queda das ações e resultados trimestrais mais cautelosos. A companhia segue apresentando momento operacional estável em hospitais e seguros, enquanto a redução de participação do GIC continua pressionando tecnicamente o papel. Bradsaúde também teve destaque, com investidores reagindo positivamente à nova estrutura de governança e parcerias estratégicas, embora ainda exista um processo de entendimento mais profundo da tese. Em educação, Laureate permaneceu como o nome mais discutido, sustentado pelo bom momento operacional e forte desempenho no Peru. Apesar da percepção positiva sobre geração de fluxo de caixa futura, investidores continuam cautelosos com empresas brasileiras de educação devido à baixa liquidez e maior sensibilidade ao cenário macro.

Financeiro (ex-Bancos) (Eduardo Rosman / Ricardo Buchpiguel / Antonio Pascale / Bruno Henriques)

  • XP Inc (XPBR31); COMPRA; Preço-alvo R$ 136,00

A XP reportou um 1T26 abaixo das expectativas, com receita líquida, EBT e lucro líquido aproximadamente 3% inferiores ao consenso, impactados pela abertura dos spreads de crédito sobre posições de estoque. O lucro líquido totalizou R$1,318 bilhão, com crescimento de 3% t/t e 7% a/a, enquanto a administração reiterou expectativa de crescimento de receita líquida de dois dígitos em 2026 mesmo em um ambiente mais fraco para DCM e crédito. A companhia anunciou ainda a substituição do CFO, com Gustavo Alejo assumindo a posição anteriormente ocupada por Victor Mansur. A XP reorganizou sua estrutura operacional entre os segmentos Retail e Wholesale, buscando maior clareza para investidores. A captação líquida total ficou abaixo das expectativas em R$14 bilhões, embora as entradas líquidas do varejo tenham mostrado resiliência ao atingir R$19 bilhões. Os ativos sob custódia cresceram 15% a/a para R$1,5 trilhão, enquanto receitas recorrentes ligadas a gestão e administração de recursos continuaram expandindo. A receita líquida foi pressionada pelo impacto negativo de marcação a mercado sobre posições de crédito, parcialmente compensado por menores despesas operacionais e financeiras. O patrimônio líquido cresceu 5% t/t para R$24,7 bilhões, acompanhado pelo anúncio de R$500 milhões em dividendos e novo programa de recompra de R$1 bilhão. Apesar do valuation atrativo e da manutenção da recomendação de compra, a desaceleração do momento operacional e o ambiente macroeconômico mais desafiador seguem limitando uma valorização mais relevante das ações.

Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • GPS (GGPS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 24,00

O julgamento relacionado ao Sistema S voltou ao foco dos investidores da GPS diante da retomada das discussões no STJ em maio de 2026. O tema envolve contribuições compulsórias incidentes sobre a folha de pagamento destinadas a entidades como SENAI, SESI, SENAC e SEBRAE, cuja base de cálculo historicamente era limitada a 20 salários mínimos por empresa. Em 2024, o STJ removeu esse limite e determinou que as contribuições passassem a incidir sobre a folha integral, alterando estruturalmente os custos de empresas intensivas em mão de obra como a GPS. A companhia destacou que existem dois processos jurídicos distintos relacionados ao tema, sendo um referente ao núcleo do Sistema S e outro envolvendo contribuições como INCRA e SEBRAE. A principal discussão envolve a modulação dos efeitos, que pode limitar ou eliminar cobranças retroativas em caso de decisão desfavorável. A administração entende que o processo principal possui maior probabilidade de modulação favorável, enquanto o caso envolvendo INCRA e SEBRAE apresenta maior risco de desembolsos retroativos. No balanço do primeiro trimestre, a companhia possuía provisão de R$755 milhões relacionada ao tema, já reconhecida na DRE como contingência provável. Em um cenário favorável, a companhia poderia reverter parte relevante dessa provisão para o lucro líquido, enquanto uma definição final também eliminaria efeitos recorrentes no resultado e melhoraria a qualidade dos lucros reportados.