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Sacre Investimentos
19 de ago. de 20266 min

Radar Diário de Ações - 19/08/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Bruno Carrenho)

  • Trisul (TRIS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 9,00

 

A administração da Trisul destacou que o segmento de média e alta renda em São Paulo continua mais desafiador, levando a companhia a adotar uma postura seletiva na escolha de novos projetos, especialmente no segmento de alto padrão. A empresa avalia que a acessibilidade permanece pressionada na média renda, enquanto a oferta de empreendimentos de luxo aumentou de forma relevante nos últimos períodos, exigindo maior disciplina na alocação de capital. Em contrapartida, a operação voltada ao programa Minha Casa Minha Vida, conduzida pela marca Elev, segue apresentando desempenho positivo e deve ganhar participação crescente dentro dos negócios da companhia. Aproximadamente 60% do banco de terrenos está direcionado para projetos de baixa renda, permitindo expansão relevante dos lançamentos desse segmento ao longo dos próximos anos. A administração também destacou que os principais desafios atuais estão relacionados à execução das obras e ao fortalecimento do desempenho comercial. Entre os fatores de atenção, foram mencionadas as restrições de mão de obra na construção civil e a necessidade de ampliar a rede própria de corretores para sustentar o crescimento das vendas e manter níveis adequados de velocidade de comercialização.

Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

  • Hapvida (HAPV3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 15,00

 

A Hapvida continua enfrentando diversos desafios operacionais e financeiros, evidenciados pelos resultados fracos do segundo trimestre, incluindo aumento da judicialização, elevada sinistralidade, maiores provisões para contingências, pressão sobre despesas corporativas e deterioração dos fundamentos do balanço patrimonial. Após incorporar essas tendências ao modelo, as estimativas de EBITDA para 2026 e 2027 foram reduzidas significativamente, refletindo a piora das perspectivas operacionais. A judicialização tornou-se um dos principais fatores de consumo de caixa, com crescimento expressivo dos bloqueios judiciais e das baixas de depósitos judiciais, elevando substancialmente os valores retidos e reduzindo a cobertura das provisões. Paralelamente, a companhia identificou que aproximadamente 11% de sua base de beneficiários opera com margens negativas, exigindo reajustes relevantes ou encerramento de contratos, o que deve resultar em redução da base de clientes ao longo dos próximos meses. A estratégia de correção desses contratos tende a gerar perda de alavancagem operacional no curto prazo, exigindo ajustes na infraestrutura assistencial e pressionando margens. Embora a liquidez permaneça adequada, o consumo recorrente de caixa, o aumento da alavancagem e o avanço dos custos financeiros reforçam os desafios da reestruturação, que continua dependente da melhora da judicialização, da rentabilidade e da execução do novo plano estratégico.

Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Bruno Henriques)

  • Nota Setorial - Serviços Básicos

 

O setor de Utilities tem se destacado historicamente como uma das principais alternativas para geração consistente de retorno no mercado acionário brasileiro, em contraste com a elevada volatilidade observada em grande parte dos componentes do Ibovespa. Apesar dos riscos relacionados ao comportamento das taxas de juros reais, especialmente em um cenário de dominância fiscal e juros estruturalmente elevados, o setor continua apresentando características defensivas e importante capacidade de geração de valor no longo prazo. Atualmente, os múltiplos sugerem um ponto de entrada mais atrativo, com o prêmio de risco do setor retornando a níveis historicamente elevados após a recente correção das ações. A temporada de resultados do segundo trimestre foi mais fraca, com desempenho abaixo das expectativas em saneamento, geração e transmissão, enquanto distribuição foi o segmento de maior destaque, embora sem alterar de forma relevante as projeções para o setor. Em um cenário de redução das TIRs para patamares próximos de 9%, algumas empresas apresentam potencial de valorização significativo, especialmente Compass, Auren e Equatorial. Para enfrentar um ambiente de persistente fragilidade fiscal, a preferência recai sobre os segmentos de geração e saneamento, enquanto as escolhas de longo prazo continuam concentradas em empresas com forte histórico de execução e capacidade de compor valor, como Equatorial e Eneva.

Financeiro (Eduardo Rosman / Ricardo Buchpiguel / Antonio Pascale / Bruno Henriques)

  • Nota Setorial - Financeiro

 

O setor de seguros continua relativamente pouco acompanhado pelos investidores, apesar de apresentar um histórico consistente de geração de valor e retorno superior aos principais benchmarks brasileiros. Porto Seguro, BB Seguridade e Caixa Seguridade acumularam desempenho significativamente acima do Ibovespa e do CDI desde seus respectivos IPOs, impulsionadas por crescimento recorrente de resultados, disciplina operacional e modelos de negócios resilientes. Entre as seguradoras, a preferência recai sobre a Caixa Seguridade, que combina crescimento próximo de 10% ao ano, forte expansão do seguro habitacional, elevada previsibilidade dos resultados e um payout próximo de 90%, resultando em yield superior a 8%. Por outro lado, a BB Seguridade enfrenta um cenário mais desafiador, com perspectivas mais fracas para o agronegócio e para a originação de crédito do Banco do Brasil, além de menor visibilidade contratual de longo prazo. Embora a BB Seguridade ofereça yield mais elevado, suas perspectivas de crescimento são inferiores às da Caixa Seguridade. Além dessas empresas, o setor também oferece oportunidades em Porto Seguro e IRB, reforçando que o principal risco para investidores talvez seja simplesmente ignorar um segmento com histórico comprovado de crescimento, geração de caixa e valorização consistente ao longo do tempo.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Bruno Carrenho)

  • Nota Setorial - Varejo & Consumo

 

A Shein se aproxima de uma potencial abertura de capital em Hong Kong após diversas tentativas frustradas em outros mercados, mas com expectativas de valuation substancialmente inferiores às observadas nos últimos anos. A companhia, que atingiu receita líquida de US$ 41,8 bilhões em 2025, continua operando em escala global relevante, com mais de 1 bilhão de pedidos e 273 milhões de clientes ativos, mas o ritmo de crescimento desacelerou significativamente, passando de 41,1% em 2023 para apenas 8,0% em 2025. Além da desaceleração das receitas, a rentabilidade tornou-se mais volátil e os custos operacionais, especialmente de logística e marketing, passaram a representar uma parcela crescente das vendas. O principal desafio para a companhia decorre das mudanças regulatórias e tarifárias nos Estados Unidos e na Europa, que vêm aumentando o custo de seu modelo tradicional de vendas transfronteiriças diretamente ao consumidor. Paralelamente, a concorrência de plataformas como Temu e de varejistas tradicionais continua intensa, exigindo maiores investimentos em aquisição de clientes e infraestrutura logística local. Com isso, a discussão sobre a companhia deixou de focar apenas no potencial de crescimento e passou a concentrar-se na capacidade de preservar sua trajetória de expansão e rentabilidade em um ambiente regulatório e competitivo estruturalmente mais desafiador.