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Sacre Investimentos
20 de mar. de 20269 min

Radar Diário de Ações - 20/03/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Antonio Pascale / Luis Mollo, CFA)

  • LOG (LOGG3); COMPRA; Preço-alvo R$ 35,00

A companhia apresentou perspectiva positiva, com forte momento no segmento logístico, desenvolvimento com retornos de 13% a 14% e confiança na entrega do plano LOG 2 milhões até 2028, além da expansão da plataforma de serviços e oportunidades promissoras em M&As. A demanda por ativos logísticos segue robusta em todo o país, impulsionada pelo e-commerce e baixos níveis de vacância, sustentando crescimento relevante dos aluguéis, com oportunidades mais atrativas fora de SP e Rio devido à menor concorrência. A empresa possui capacidade operacional para desenvolver entre 500 mil e 600 mil m² por ano, com projetos recentes apresentando yield acima da meta e elevado nível de pré-locação. O processo de reciclagem de ativos continua relevante, com vendas nos últimos 12 meses contribuindo para financiar expansão e aumentar dividendos, com operações realizadas a cap rates inferiores ao retorno de desenvolvimento. A plataforma asset-light de serviços contribui para desalavancagem e aumento de retornos, reforçando a geração de valor via crescimento do NAV e distribuição de dividendos.

  • Cyrela (CYRE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 40,00

Os resultados do 4T foram sólidos, com expansão do resultado a/a em linha com as estimativas, apoiada por receitas fortes, e geração de fluxo de caixa livre ligeiramente acima do esperado, favorecida por dividendos relevantes de subsidiárias. A receita líquida totalizou R$ 3,23 bilhões, alta de 29% a/a, em linha com as estimativas, enquanto a margem bruta ajustada foi de 33,7%, alta de 40bps a/a, mas 30bps abaixo do esperado, impactada pela venda de unidades compactas no projeto Vista Milano. O LPA foi de R$ 1,55, alta de 41% a/a, exatamente em linha com a estimativa, resultando em ROE anualizado de 27%. As receitas do trimestre foram impulsionadas por uma mudança nas regras contábeis de reconhecimento, passando a ser contabilizadas quando a equipe comercial decide seguir com o projeto, o que levou ao reconhecimento relevante de receitas de Epic, Vista Milano e projetos lançados no 4T25. A geração de fluxo de caixa livre foi de R$ 74 milhões, acima da projeção de R$ 50 milhões, também ajudada por cerca de R$ 240 milhões recebidos de JVs, principalmente Cury e Lavvi, que anteciparam dividendos para evitar tributação. A companhia também anunciou R$ 1,4 bilhão em dividendos no trimestre, elevando a dívida líquida para R$ 1,97 bilhão e levando a relação Dívida Líquida/Patrimônio a 17%, acima da média histórica, mas ainda em nível confortável. O trimestre combinou forte crescimento de receita líquida, ROE de 27% e geração de caixa um pouco acima do esperado, embora parte da expansão do resultado tenha sido explicada pelo ajuste contábil no reconhecimento de receitas.

Mineração & Siderurgia (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)

  • Nota Setorial - Mineração & Siderurgia

As discussões sobre o setor siderúrgico brasileiro se intensificaram, com distribuidores indicando possíveis aumentos de preços, enquanto as empresas consultadas adotaram postura mais cautelosa, em um cenário marcado por importações elevadas, aumento de volumes, baixo poder de precificação e demanda doméstica mais fraca, além de pressões de custos em alguns casos. A tese de impacto limitado das medidas antidumping permanece válida, com expectativa de lucro líquido e rentabilidade deprimidos nos próximos trimestres e margens EBITDA abaixo de 10%. Dados do IABr mostram queda de 3% a/a nas vendas domésticas em fevereiro e alta de 34% a/a nas importações, com penetração chegando a 28% em março. No curto prazo, contratos automotivos indicam preços menores, enquanto outros segmentos permanecem estáveis em níveis baixos, com prêmios de importação limitando aumentos. A demanda segue fraca, com construção como único destaque positivo. O mercado precifica melhora gradual, mas o ambiente segue desafiador, pressionado por excesso global, especialmente da China, e medidas de proteção ainda insuficientes.

Financeiro (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)

  • Wiz (WIZC3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 11,00

A companhia reportou lucro líquido de R$49 milhões no 4T25, 14% acima das estimativas, apesar de queda t/t e crescimento a/a, com impacto de impairment sem efeito caixa e efeitos da venda da Wiz Concept, que ao serem ajustados levam o lucro líquido a cerca de R$60 milhões, acima das projeções. A receita líquida caiu 5% t/t e cresceu 6% a/a, impactada por menores receitas em algumas operações, parcialmente compensadas por forte desempenho da Wiz Corporate e melhora no resultado de equivalência patrimonial. Custos e despesas cresceram com impacto relevante do impairment, enquanto houve melhora de eficiência com redução de quadro de funcionários. As despesas financeiras recuaram significativamente, contribuindo para melhora das margens. A companhia gerou cerca de R$220 milhões de caixa em 2025, com alavancagem baixa e aumento do payout para 50%. Apesar da queda recente das ações, o valuation com prêmio e incertezas sobre crescimento futuro mantêm visão neutra.

Telecom & Tech (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Bruno Henriques)

  • Bemobi (BMOB3); COMPRA; Preço-alvo R$ 35,00

A companhia apresentou mais um conjunto forte de resultados, com receita líquida de R$ 199,2 milhões, alta de 20,5% a/a, ou 23% em base neutra de câmbio, e de 6% t/t, ficando 4% acima da estimativa, impulsionada principalmente por Pagamentos, que cresceu 50% a/a e 17% t/t, e por SaaS, com alta de 23% a/a e 8% t/t. As receitas de Microfinanças totalizaram R$ 20,2 milhões, alta de 6% a/a, apoiadas pelo bom momento em credit scoring, enquanto Assinaturas caiu 7% a/a, ou ficou praticamente estável em base neutra de câmbio, em desempenho melhor do que o esperado. O trimestre marcou o sétimo período consecutivo de crescimento de dois dígitos a/a e o quinto com expansão da receita líquida entre a faixa alta de dois dígitos e o início dos 20%. A rentabilidade permaneceu forte, com margem EBITDA de 33,1%, estável a/a, e EBITDA ajustado de R$ 65,9 milhões, alta de 20% a/a e 4% acima da estimativa. O lucro líquido ajustado, excluindo efeitos de marcação a mercado de contratos de swap, totalizou R$ 61 milhões, alta de 31% a/a, acima da estimativa, principalmente por menores impostos. Em Pagamentos, o crescimento foi sustentado por expansão de 36% a/a no TPV e aumento do take rate de 2,5% para 2,8%, com destaque para Educação e Sabesp e anúncio da Telcel como novo cliente relevante no México. A companhia combina crescimento de dois dígitos, rentabilidade e retorno ao acionista, negociando a 11x lucro líquido projetado para 2026.

Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Tupy (TUPY3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 35,00

Os resultados do 4T vieram mais fracos do que o esperado, com receita líquida de R$ 2,2 bilhões, queda de 12% a/a e 6% abaixo da estimativa, enquanto o EBITDA reportado ficou em -R$ 273 milhões, pressionado por R$ 312 milhões em itens não recorrentes, principalmente impairment, custos de reestruturação e redução do valor realizável de estoques, parcialmente compensados pela venda de créditos de IPI. Ajustando esses efeitos, o EBITDA ajustado foi de R$ 39 milhões, queda de 85% a/a e 55% abaixo da estimativa, com margem de 2%, recuo de 8,3 p.p. a/a e 2,0 p.p. abaixo do esperado. A estimativa é de prejuízo líquido ajustado de R$ 93 milhões no período. Na divisão de Componentes Estruturais e Contratos de Manufatura, a receita caiu 17% a/a, com queda de 40% a/a na receita doméstica e de 5% a/a na externa. Em Energia e Descarbonização, a receita subiu 23% a/a, com alta de 36% a/a no mercado doméstico e queda de 28% a/a no externo, enquanto Distribuição cresceu 6% a/a, com alta doméstica de 13% a/a e queda externa de 17% a/a. No consolidado, a receita doméstica caiu 22% a/a, para R$ 799 milhões, e a externa recuou 6% a/a, para R$ 1,4 bilhão. O capex totalizou R$ 177 milhões, a alavancagem subiu para 3,4x Dívida Líquida/EBITDA Ajustado, e os próximos pontos de monitoramento incluem tarifas, produção automotiva doméstica, crescimento dos contratos de manufatura, alavancagem e geração de caixa.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)

  • Nota Setorial - Varejo & Consumo

Os resultados do 4T25 confirmaram um ambiente mais desafiador para o consumo, refletindo juros elevados, alta alavancagem das famílias e inflação acumulada, com maior impacto sobre categorias discricionárias, especialmente a partir do 3T. O desempenho consolidado mostrou receita líquida de +7% a/a, EBITDA de +12% e margem em alta de 50bps, enquanto o lucro líquido ficou 6% abaixo das estimativas. Houve elevada dispersão entre empresas, com destaque positivo para Raia Drogasil, que apresentou forte crescimento e ganho de participação de mercado, e desempenho razoável de Lojas Renner com expansão de margens. Em contraste, C&A, Magazine Luiza e varejo alimentar apresentaram fraqueza, enquanto Mercado Livre manteve crescimento robusto com pressão de margens. O setor de vestuário mostrou melhora operacional via controle de estoques e custos, enquanto o varejo alimentar segue pressionado apesar da geração de caixa. E-commerce mantém o trade-off entre crescimento e rentabilidade, enquanto o segmento farmacêutico e consumo premium seguem resilientes. O setor permanece dependente da trajetória de juros e crédito, com foco em execução e momento de resultados.

  • Dimed (PNVL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 19,00

A companhia reportou um conjunto sólido de resultados no 4T, em linha com as estimativas, com forte crescimento de vendas mesmas lojas, desempenho operacional consistente, nova rodada de ganhos de margem e geração saudável de caixa. As vendas no varejo cresceram 18% a/a, para R$ 1,67 bilhão, refletindo SSS de 14,7% a/a e MSSS de 11,6%, enquanto a produtividade subiu 13% a/a, para R$ 849 mil por loja por mês, e a participação de mercado na região Sul aumentou 70bps a/a, para 13,9%. A receita bruta consolidada cresceu 16% a/a, abaixo do crescimento do varejo devido à descontinuidade da operação de atacado, alcançando R$ 1,68 bilhão, puxada por medicamentos de marca, genéricos, higiene e cosméticos e MIP. O lucro bruto atingiu R$ 503 milhões, alta de 19% a/a e 2% acima da estimativa, com margem de 29,8%, alta de 50bps a/a, principalmente pela saída das operações de atacado de menor margem. Ajustado por provisões de participação nos lucros, bônus e itens não recorrentes, o EBITDA ajustado pré-IFRS16 foi de R$ 105 milhões, alta de 28% a/a, com margem de 6,2%, também 50bps acima do ano anterior, enquanto o lucro líquido pré-IFRS16 foi de R$ 45 milhões, alta de 35% a/a. Com capex 31% menor, melhores resultados operacionais e ciclo de caixa mais saudável, o fluxo de caixa livre atingiu R$ 42 milhões, a dívida líquida caiu para R$ 287 milhões e a alavancagem recuou para 0,9x Dívida Líquida/EBITDA. A tese segue apoiada em densidade de lojas, espaço para ganho de margem, penetração de marca própria, proposta multicanal e valuation de 12x P/L 2026.