Radar Diário de Ações - 21/05/26
Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
- 3tentos (TTEN3); COMPRA; Preço-alvo R$ 26,00
A 3tentos iniciou a operação de sua planta de etanol de milho em Porto Alegre do Norte após obter autorização da ANP. A companhia já possui milho contratado para os primeiros meses de operação e está adquirindo volumes junto a produtores locais para a próxima safra, apoiada por sua presença comercial na região. A unidade tem capacidade para processar 2,8 mil toneladas de milho por dia, produzindo etanol hidratado, etanol anidro e DDGS. A empresa projeta moagem de 719 mil toneladas de milho ainda neste ano, o que implicaria utilização superior a 100% da capacidade até dezembro. A estimativa considerada é mais conservadora, com moagem de 350 mil toneladas, equivalente a 60% de utilização durante o período operacional. Com essa premissa, o novo negócio pode gerar lucro bruto de R$ 154 milhões no ano, enquanto o capex total investido sugere uma TIR real desalavancada próxima de 15%.
Financeiro (Eduardo Rosman / Ricardo Buchpiguel / Antonio Pascale / Bruno Henriques)
- Inter & Co (INBR32); COMPRA; Preço-alvo R$ 51,00
A administração reiterou confiança na entrega do guidance de ROE de 26% a 30% para 2029 e afirmou que a estrutura “Rule of 50” não implica sacrificar rentabilidade em troca de crescimento da receita líquida. A pressão observada na margem financeira ajustada ao risco no primeiro trimestre foi considerada temporária e associada a fatores sazonais, com expectativa de melhora nos próximos trimestres. Para 2026, a companhia segue confortável com lucro líquido próximo de R$ 1,8 bilhão, crescimento da carteira de crédito de 25% a 30% e expansão da receita líquida em torno de 30%. A qualidade dos ativos estaria próxima do pico de deterioração, enquanto o programa Desenrola e a incorporação de recursos do FGTS podem favorecer recuperações. O crédito consignado privado continua sendo uma das principais avenidas de crescimento, apoiado por novas garantias e melhorias operacionais. A expansão do ROE deve continuar sendo impulsionada pela evolução do mix de crédito e pelo aumento da participação de produtos mais rentáveis.
Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Motiva (MOTV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 20,00
A Motiva possui uma agenda relevante de eventos de curto e médio prazo, incluindo leilões de novos ativos, aditivos contratuais, reequilíbrios regulatórios, reciclagem de capital e temas de governança. Entre os principais gatilhos estão o leilão da concessão da Régis Bittencourt em julho, o projeto ferroviário TIC Sorocaba, negociações de aditivos para SPVias, AutoBAn e ViaMobilidade, além do reequilíbrio do Metrô Bahia. A companhia também aguarda a conclusão da venda da plataforma aeroportuária para a ASUR, o que deve contribuir para a desalavancagem. No programa de reciclagem de capital, a mobilidade urbana é o próximo ativo em avaliação para potencial venda parcial. Outro tema relevante é a definição da participação acionária da Mover, com o período inicial para exercício de preferência pelos atuais acionistas expirando em 23 de maio. Após a recente queda das ações, a companhia negocia a uma TIR real implícita de aproximadamente 12%.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)
- Nota Setorial - Varejo & Consumo
Os dados de sell-out divulgados pela Sindusfarma, compilados pela IQVIA, mostram as vendas totais das farmácias a preços de compra, incluindo medicamentos e produtos de consumo não farmacêuticos. Em abril, o sell-out consolidado cresceu 14,1% na comparação anual, acima dos 13,4% observados no primeiro trimestre. Os genéricos apresentaram crescimento de 14,5% em abril, também superior aos 13,4% registrados no trimestre anterior. A comparação mensal é parcialmente afetada por efeitos de calendário, já que o Carnaval ocorreu em fevereiro de 2026 e em março de 2025. A aceleração observada está alinhada aos comentários das empresas durante a última temporada de resultados e sugere melhora da demanda, além da normalização da oferta de medicamentos GLP-1 a partir de abril. Os dados reforçam a resiliência da demanda por genéricos e medicamentos prescritos.
