Radar Diário de Ações - 21/07/26
Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
- Nota Setorial - Saúde
As estimativas para o segundo trimestre de 2026 apontam um cenário misto no setor de saúde, com diferenças relevantes entre operadoras, prestadores de serviços e empresas farmacêuticas. Entre os planos de saúde, os reajustes de preços continuam saudáveis, mas a evolução das carteiras permanece desigual, com crescimento de beneficiários para Bradesco Saúde e SulAmérica, enquanto a Hapvida deve registrar novas perdas de membros e deterioração da sinistralidade. Nos prestadores de serviços, a Rede D’Or deve enfrentar menor ocupação hospitalar, embora procedimentos de maior complexidade e reajustes de preços sustentem o crescimento da receita líquida, enquanto Fleury e Mater Dei devem apresentar tendências operacionais mais favoráveis. A Dasa deve continuar avançando em eficiência operacional, apesar do maior peso de diagnósticos corporativos de menor margem. No segmento farmacêutico, a Hypera tende a registrar um trimestre estável, beneficiada por uma temporada de gripe mais favorável, enquanto a Blau deve apresentar crescimento mais moderado da receita líquida, compensado por melhora do mix de produtos e efeitos cambiais positivos. Para o conjunto do setor, Rede D’Or e Bradesco Saúde continuam sendo os destaques preferidos, apoiados pela qualidade dos ativos, crescimento comercial e capacidade de execução. A expectativa geral é de resultados razoáveis, com pressões pontuais em alguns segmentos, mas sem alterações significativas nas tendências estruturais observadas ao longo do ano.
Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Bruno Henriques)
- Energisa (ENGI11); COMPRA; Preço-alvo R$ 60,00
A prévia operacional da Energisa para o segundo trimestre de 2026 mostrou crescimento de 4,5% a/a no consumo consolidado de energia, impulsionado principalmente pela expansão das classes residencial, comercial e industrial. O avanço refletiu o aumento da base de clientes, melhora de renda e emprego, temperaturas mais elevadas e maior atividade nos segmentos de varejo, atacado, saúde, alimentos e mineração. As nove distribuidoras do grupo registraram crescimento de volume no período, com destaque para EMT, EMS, ESS, EMR e ERO. Em relação à qualidade operacional, as perdas de energia consolidadas aumentaram 9 pontos-base em relação ao trimestre anterior, atingindo 12,28%. Apenas EPB e ERO apresentaram melhora nesse indicador, enquanto EAC, EMS, EMR, EMT, ETO e ESS registraram aumentos nas perdas, e ESE permaneceu estável. Entre as concessões, EMT e ERO foram as únicas que encerraram o período acima dos respectivos limites regulatórios estabelecidos para perdas de energia.
Financeiro (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)
- Porto Seguro (PSSA3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 58,00
A Porto Seguro apresentou uma mensagem operacional construtiva, sustentada pela melhora contínua do segmento automotivo, saúde com sinistralidade saudável, forte desempenho do consórcio e expectativa de avanço da receita financeira ao longo do ano. No segmento Auto, o crescimento dos prêmios acelerou, as tendências de subscrição permaneceram positivas e a companhia adotou proteção adicional por meio de resseguro contra potenciais efeitos climáticos adversos. Em Saúde, a empresa continua observando oportunidades para ganhar participação de mercado, focando produtos mais acessíveis e crescimento sustentável, enquanto os segmentos de Vida e Patrimonial devem manter desempenho consistente. O principal ponto de pressão permanece concentrado nos cartões de crédito, onde a deterioração da qualidade dos ativos exigiu postura mais conservadora e aumento das provisões, embora o impacto esteja restrito a uma parcela reduzida da base de clientes. Fora dos cartões, os demais produtos financeiros seguem apresentando comportamento resiliente, apoiados pelo bom desempenho do consórcio e por uma carteira amplamente garantida. A companhia mantém expectativa compatível com o lucro líquido recorrente esperado pelo mercado para 2026, combinando distribuição de dividendos próxima de 55%, recompras de ações e aproximadamente R$3 bilhões de capital excedente. A gestão continua priorizando decisões de médio e longo prazo, preservando disciplina de precificação, qualidade da carteira de crédito e sustentabilidade dos resultados ao longo do tempo.
Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Motiva (MOTV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 20,00
A concessão da Régis Bittencourt atraiu apenas três participantes no processo competitivo, Arteris, EPR e Motiva, fato considerado positivo diante da elevada qualidade do ativo e da baixa intensidade competitiva observada. A concessão abrange 383 quilômetros da BR-116 entre São Paulo e Curitiba e prevê investimentos de R$7,1 bilhões em capex, além de R$4,1 bilhões em despesas operacionais ao longo de 15 anos, incluindo obras de duplicação, vias marginais, contornos e iniciativas de modernização. O leilão será definido pelo maior desconto tarifário oferecido, utilizando uma estrutura semelhante à observada na relicitação da Fernão Dias. O modelo também incorpora mecanismos que exigem contribuições financeiras adicionais quando determinados níveis de desconto são superados, reduzindo os incentivos a ofertas excessivamente agressivas. O número limitado de concorrentes foi inferior ao esperado e pode refletir a combinação de elevados compromissos de investimentos já contratados pelas concessionárias e um ambiente macroeconômico ainda desafiador, marcado por juros elevados e incertezas geopolíticas. Nesse contexto, a menor concorrência aumenta as chances de um desfecho mais favorável para a Motiva, que continua apresentando diversas alternativas de alocação de capital no setor de infraestrutura.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Marcel Zambello)
- Nota Setorial - Varejo & Consumo
O varejo farmacêutico brasileiro continua apresentando uma das teses de crescimento estrutural mais consistentes do consumo doméstico, sustentada por fatores que vão muito além dos medicamentos GLP-1. Ao longo da última década, o mercado farmacêutico mais do que triplicou em valor, alcançando aproximadamente R$170 bilhões, impulsionado pelo envelhecimento da população, maior prevalência de doenças crônicas, expansão da saúde privada, ampliação do Farmácia Popular e inovação farmacêutica contínua. Os medicamentos sob prescrição permanecem como o principal motor do setor, representando cerca de 65% do mercado e beneficiando-se de uma demanda resiliente e pouco sensível aos ciclos econômicos. Paralelamente, genéricos, medicamentos isentos de prescrição e categorias de Higiene, Cuidados Pessoais e Beleza continuam ampliando participação por meio de acessibilidade, prevenção em saúde e premiumização do mix. As projeções indicam que o mercado farmacêutico seguirá crescendo entre alta de um dígito e baixa de dois dígitos ao longo dos próximos anos, enquanto as grandes redes organizadas continuam ganhando participação sobre farmácias independentes por meio de escala, logística, programas de fidelidade e canais digitais. Embora os GLP-1 representem uma oportunidade relevante de crescimento e possam adicionar mais de R$17 bilhões ao mercado já em 2026, a atratividade estrutural do setor permanece apoiada em múltiplos vetores de crescimento mesmo sem considerar essa categoria.
