Radar Diário de Ações - 22/04/26
Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
- Nota Setorial - Agronegócio
M. Dias Branco
A companhia tem apresentado sinais claros de foco na recuperação de participação de mercado ao longo dos últimos trimestres, com expectativa de aumento de volumes em 6% a/a no período, enquanto os preços devem recuar 1,2% t/t acompanhando a queda no preço da farinha de trigo, parcialmente compensada por um melhor mix de receita. Com isso, a receita projetada para o 1T26 é de R$ 2,4 bilhões (+7% a/a). Do lado de custos, após desempenho fraco no trimestre anterior, espera-se um ambiente mais benigno com queda de 3,3% t/t nos custos unitários, resultando em EBITDA de R$ 275 milhões e margem de 11,6%. Para o restante do ano, há maior incerteza devido à alta recente de commodities como trigo e óleo de palma, além do aumento de fretes, o que pressiona a base de custos. Ainda assim, projeta-se expansão de margem com EBITDA de R$ 1,3 bilhão e margem de 12,0%, embora o repasse de preços em um ambiente de consumo desafiador possa limitar a rentabilidade.
Camil
A companhia deve encerrar o ano com resultados impactados pela queda relevante no preço do arroz, que recuou 41% a/a, pressionando receita e EBITDA, com projeção de receita de R$ 11,1 bilhões (-10% a/a), volumes +3% e preços -13%, além de EBITDA de R$ 901 milhões (+3% a/a). No trimestre, espera-se estabilidade de volumes e queda de 23% na receita devido a preços menores, enquanto produtos de maior valor agregado devem apresentar crescimento de receita. No segmento internacional, volumes devem cair a/a, embora o ano apresente crescimento impulsionado por expansão orgânica e aquisição no Paraguai. Para 2026, projeta-se melhora com recuperação dos preços do arroz diante da redução da oferta, levando a receita de R$ 11,4 bilhões e EBITDA de R$ 963 milhões, além de geração de fluxo de caixa próxima de R$ 300 milhões.
Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)
- Nota Setorial - Petroleo & Gás
Ultrapar & Vibra
A expectativa é de crescimento relevante de participação de mercado para distribuidoras incumbentes, impulsionado por estratégias competitivas, com dados de vendas de combustíveis da ANP devendo confirmar esse movimento. Esse ganho de volume, combinado a margens mais fortes, tende a reforçar a percepção positiva do mercado sobre o setor, com estimativas de margem EBITDA de R$ 255/m³ para Vibra e R$ 240/m³ para Ipiranga, além de níveis superiores a R$ 400-450/m³ em abril. Paralelamente, o mercado segue atento às discussões sobre a exigência de divulgação de margens pelas distribuidoras, com empresas já reportando dados mais detalhados à ANP e atuando para evitar divulgação pública por razões competitivas.
Mercado de Petróleo (Brent)
O Brent recuperou parte das perdas recentes em função da incerteza sobre um possível cessar-fogo, reintroduzindo prêmio de risco geopolítico, embora a leitura do mercado físico permaneça cautelosa. Mesmo com eventual fim do conflito, a normalização logística tende a ser gradual, com armadores ainda relutantes em retomar operações sem garantias de segurança, além da liberação escalonada de cargas represadas. A recuperação da oferta também deve ocorrer com defasagem, dado o tempo necessário para retomada da produção exploração e normalização do refino, que pode levar semanas ou meses para atingir plena utilização.
Exploração (O&G)
Empresas de exploração apresentaram revisões relevantes para cima nas estimativas de EBITDA, impulsionadas pelo ambiente mais forte de preços do Brent, o que levou à compressão dos múltiplos EV/EBITDA no setor. Adicionalmente, indicadores de posicionamento, como “days-to-cover” e percentual de ações vendidas, deixaram de apresentar tendência de queda, sugerindo estabilização do posicionamento dos investidores em antecipação a uma possível normalização dos fluxos no Estreito de Ormuz.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)
- Pague Menos (PGMN3); COMPRA; Preço-alvo R$ 9,00
A companhia passou por diferentes fases, incluindo expansão acelerada, desafios operacionais e aumento de alavancagem, seguidos por um processo de reestruturação focado em disciplina de capital, culminando recentemente em aumento de capital que fortaleceu o balanço patrimonial. A expectativa é de continuidade do forte momento operacional, sustentado por crescimento acima da inflação no setor farmacêutico, ganhos de produtividade e contribuição relevante de GLP-1, mesmo com gap de produtividade em relação ao benchmark. Após período com baixa expansão de lojas, a companhia pretende acelerar o crescimento da área de vendas a partir de 2027, suportada por um modelo de expansão mais eficiente. GLP-1 deve contribuir de forma relevante para o crescimento da receita, mesmo em cenário conservador. Recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 9 por ação e negociação a 11x P/L 2026.
