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Sacre Investimentos
23 de abr. de 20265 min

Radar Diário de Ações - 23/04/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Alimentos & Bebidas (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

                 

  • Marfrig (MBRF3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 26,00            

Realizamos ajustes nas estimativas para o primeiro trimestre de 2026, com destaque para maior volume esperado de carne bovina na América do Sul e revisão de premissas para BRF, com menores volumes, porém preços médios e margens operacionais mais elevados, refletindo prêmios de exportação e reabertura de mercados relevantes. Apesar das mudanças, a mensagem geral permanece inalterada, com ciclos anteriormente favoráveis começando a se reverter, especialmente com aumento do preço do gado pressionando margens. Para BRF, a revisão indica expansão sequencial de margem, embora sem alteração significativa da tendência estrutural, com margens convergindo para níveis mais normalizados. As novas estimativas apontam receita de R$25,3 bilhões para Marfrig e EBITDA de R$501 milhões, com margem de 2,0%, enquanto BRF deve apresentar receita de R$15,5 bilhões e EBITDA de R$2,4 bilhões, com margem de 15,5%. No consolidado, a projeção indica receita de R$41 bilhões e EBITDA de R$2,9 bilhões, com margem de 7,1%. As revisões refletem mudanças na intensidade dos vetores operacionais, mantendo a visão de normalização gradual de margens.                 

                 

 Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)

                 

  • Nota Setorial - Petroleo & Gás                 

As estimativas para 2026 foram revisadas para cima, refletindo forte momento de resultados impulsionado por fornecimento competitivo de combustíveis via compras da Petrobras e mercado de diesel subofertado no Brasil, o que sustenta expansão de margens e ganhos de participação de mercado. As empresas têm se beneficiado da capacidade de adquirir combustível mais barato da Petrobras e combinar com importações, criando base de custos competitiva e ampliando margens, com preços de venda crescendo acima dos custos. As projeções indicam EBITDA por metro cúbico elevado no primeiro trimestre e continuidade do momentum no segundo trimestre, com indicadores recentes apontando margens ainda mais altas. O crescimento do capital de giro é esperado, mas compensado pela expansão do EBITDA, sustentando melhora no retorno sobre o capital investido. As revisões elevam significativamente as projeções de EBITDA e lucro líquido, posicionando as estimativas acima do consenso. O cenário deve resultar em forte geração de fluxo de caixa, com desalavancagem acelerada e melhora do perfil financeiro. As empresas negociam a múltiplos atrativos e apresentam yield relevante, sustentando a tese de investimento.                

                 

 Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

                 

  • Nota Setorial - Educação                 

 A prévia do 1T26 indica continuidade de crescimento da receita líquida, geração de fluxo de caixa resiliente e disciplina no balanço patrimonial, com desalavancagem favorecida pela sazonalidade positiva do período de captação e rematrícula. A receita consolidada é projetada em R$7,6 bilhões, com crescimento de 11% a/a, enquanto o EBITDA ajustado deve atingir R$2,7 bilhões, alta de 7% a/a, com leve compressão de margem para 35,5%. O lucro líquido deve crescer acima do EBITDA, refletindo menor alavancagem e custo médio da dívida mais baixo. O novo marco regulatório começa a impactar volumes e mix, com restrições em cursos online e mudança na composição entre ensino presencial, híbrido e EAD, com crescimento mais forte no modelo híbrido. O ambiente indica volumes mais fracos, parcialmente compensados por tickets médios mais elevados e mix mais resiliente. Os efeitos completos da transição devem ocorrer gradualmente, ainda com impacto limitado no curto prazo. O setor mantém dinâmica de desalavancagem e geração de caixa consistente.

                   

 Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

                 

  • Localiza&Co (RENT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 65,00 

 A depreciação permanece como variável central e de difícil previsão no segmento de locação de veículos, tendo sido o principal fator de revisões negativas recentes, após ciclos de impairment observados entre 2023 e 2025. A análise considera o impacto potencial de uma segunda onda de montadoras chinesas, que deve ocorrer de forma mais gradual e previsível, com efeitos já parcialmente incorporados nas expectativas de mercado. O impacto ocorre por meio de três canais: preços de veículos novos, dinâmica do mercado secundário e composição da frota. A primeira onda trouxe choque relevante de preços e expectativas, enquanto a segunda tende a representar expansão de portfólio e entrada de novas marcas, com menor disrupção. A companhia tem ajustado sua estratégia, incorporando veículos chineses e adotando premissas mais conservadoras de depreciação, refletindo maior previsibilidade. A depreciação segue como variável prospectiva baseada em valor residual, mas com menor volatilidade esperada ao longo do tempo. A dinâmica atual sugere maior controle do risco e estabilidade relativa nas estimativas.

                 

           

 Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)

                 

  • Smart Fit (SMFT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 30,00

 Discussões com investidores indicam crescente relevância do TotalPass, que atingiu 1,7 milhão de usuários em 2025 no Brasil e México, com ampla rede de academias parceiras e presença em milhares de cidades, consolidando-se como uma plataforma escalável com diluição de custos e expansão de margens ao longo do tempo. No Brasil, o TotalPass representou cerca de 15% dos check-ins, mas apenas 12% da receita líquida, implicando menor receita por visita em relação ao modelo tradicional, ainda que com redução gradual desse gap. Apesar da diluição no ticket médio, o modelo melhora a utilização das academias e absorve custos fixos, enquanto no nível de plataforma apresenta margens elevadas e menor churn, sustentado por contratos corporativos. A análise de “unit economics” indica elevada rentabilidade mesmo em cenários de maior uso, com margens superiores a agregadores terceiros e rápido retorno de CAC. O crescimento da base e a eficiência operacional devem impulsionar a margem EBITDA, estimada em 24% em 2025 e projetada em 30% em 2026. A plataforma também contribui para diversificação de receitas e aumento do valor gerado por ativo instalado, ampliando retornos ao longo do tempo.