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Sacre Investimentos
24 de mar. de 20264 min

Radar Diário de Ações - 24/03/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Antonio Pascale / Luis Mollo, CFA)

 

  • Even (EVEN3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 9,50

Lucro líquido foi de R$45 milhões, com ROE anualizado de 9,5%

Os resultados da Even no 4T25 vieram em linha com o esperado, com receita de R$484 milhões (+8% a/a) e margem bruta acima das estimativas, impulsionada por efeitos não recorrentes, enquanto o lucro líquido de R$45 milhões (+50% a/a) ficou alinhado às projeções devido a maior participação de minoritários, com ROE anualizado de 9,5%. O consumo de caixa foi de R$79 milhões, acima do esperado, refletindo principalmente a recomposição do landbank, com aquisição de terrenos relevantes, além do pagamento de R$150 milhões em dividendos, elevando a dívida líquida para R$545 milhões e a alavancagem para 25% (ainda administrável). No geral, o trimestre foi sem grandes surpresas, e apesar da estratégia de maior foco em projetos de alta renda, o cenário macro mais fraco para média/alta renda sustenta uma visão cautelosa, com recomendação Neutra.

Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

 

  • Nota Setorial - Saúde

Nosso cálculo aponta para um reajuste de preços de 5,4%

Com base nos dados completos de 2025 divulgados pela ANS, a estimativa para o reajuste dos planos individuais em 2026–27 foi revisada para 5,4%, abaixo do ciclo anterior (6,06%), refletindo uma base mais precisa de sinistralidade. O principal fator de incerteza é o tratamento da Hapvida no cálculo: caso seja considerada outlier, o reajuste fica em ~5,4%; se incluída, pode chegar a ~7,8%, dado seu forte aumento de custos médicos (~36% a/a vs. ~6% do setor). A metodologia da ANS combina inflação médica (80%) e não médica (20%), resultando no cenário-base a partir de VDA de 6,6%, fator de eficiência de -0,9% e IPCA ex-saúde de 4,2%. Em termos de impacto, um reajuste mais baixo representa headwind adicional para a Hapvida, já pressionada por alta utilização, baixa alavancagem operacional e queima de caixa, enquanto Rede D’Or e OdontoPrev/Bradsaúde seguem como preferências, sustentadas por melhor execução, crescimento e valuation atrativo.

Financeiro (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)

 

  • Santander Brasil (SANB11); NEUTRO; Preço-alvo R$ 35,00

Reunião com Mario Leão após o anúncio da semana passada

O Santander realizou reunião com Mario Leão após o anúncio de sua saída em 2026, reforçando que a mudança de CEO não implica alteração estratégica, mantendo foco em reduzir a ciclicidade dos resultados, aumentar funding de varejo e ampliar receitas com tarifas, com meta de ROE acima de 20% até 2028. Ainda assim, 2026 deve ser um ano de transição, com maior pressão de provisões no curto prazo, mas sem deterioração relevante do custo de risco no médio prazo. O crescimento seguirá seletivo, priorizando alta renda, PMEs e empresas médias, enquanto o banco adota cautela em baixa renda, grandes corporates e no consignado privado, devido a riscos operacionais e de inadimplência. Em termos financeiros, o NII de mercado tende a perder relevância, custos seguem como principal alavanca de eficiência e o aumento da carga tributária deve pressionar o lucro líquido, exigindo maior crescimento do EBT. Diante de um cenário mais desafiador para 2026 e desempenho inferior das ações, a recomendação Neutra foi mantida.

Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

 

  • Movida (MOVI3); COMPRA; Preço-alvo R$ 12,00 

Resultados do 4T foram sólidos, embora amplamente antecipados

A Movida apresentou um 4T sólido, com receita líquida de R$3,7 bilhões (+13% a/a) e EBITDA de R$1,5 bilhão (+20% a/a), ambos em linha com prévias, enquanto o lucro líquido de R$102 milhões (+65% a/a) superou o guidance, beneficiado por menor carga tributária, com ROIC de 17% e expansão do spread. No segmento de seminovos, as vendas ficaram estáveis em volume (22 mil veículos), com aumento de preço médio, margens estáveis e maior capex, elevando a alavancagem levemente para 4,1x dívida líquida/EBITDA. Já a operação de locação mostrou pricing forte, aumento de tarifas, ocupação e volumes, sustentando margens elevadas tanto em RAC quanto em gestão de frotas. O guidance para o 1T indica lucro entre R$110–130 milhões, bem acima do ano anterior e do consenso, reforçando ganhos de eficiência e melhora de rentabilidade, levando à manutenção da recomendação de Compra, apesar da influência do cenário macro no curto prazo.