Radar Diário de Ações - 24/03/26
Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
Boa Safra (SOJA3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 12,00
Resultado do 4T25
A Boa Safra revisou sua estratégia, priorizando rentabilidade em vez de crescimento, após expansão recente ter pressionado margens e retornos. Apesar de crescimento de receita e ganho de market share, com aumento relevante nas vendas e utilização de capacidade, a rentabilidade ficou bem abaixo do esperado, impactada por maior custo operacional e expansão da base de distribuidores, o que elevou despesas comerciais. O resultado foi um EBITDA fraco, prejuízo líquido e aumento relevante da alavancagem. Embora haja espaço para recuperação de margens com maior eficiência e diluição de custos, é improvável um retorno aos níveis históricos, levando à manutenção da recomendação Neutra diante de um perfil de retorno mais limitado.
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Antonio Pascale / Luis Mollo, CFA)
- Helbor (HBOR3); COMPRA; Preço-alvo R$ 4,10
Lucro líquido próximo do zero, conforme esperado
O 4T25 da Helbor foi sem surpresas, com lucro próximo do zero e leve consumo de caixa, apesar de receitas abaixo do esperado e margens pressionadas. O resultado foi sustentado por despesas menores e maior equivalência patrimonial. A companhia registrou consumo de caixa de R$15 milhões e manteve alavancagem elevada (66% dívida líquida/patrimônio), ainda pressionando a tese no curto prazo. Mesmo com um trimestre fraco, a recomendação de Compra é mantida, baseada no valuation descontado (0,4x P/VP) e no potencial de desalavancagem via venda de ativos.
- Nota Setorial - Construção Civil
Mais uma rodada de medidas positivas para o MCMV
O conselho do FGTS aprovou novas melhorias no programa Minha Casa Minha Vida, incluindo aumento dos limites de renda em todas as faixas e elevação dos tetos de preço dos imóveis nas faixas 3 e 4, ampliando o poder de compra dos beneficiários. Também foram indicadas mudanças na estrutura de funding, com aumento do orçamento e possível uso do Fundo Social para financiar o programa no futuro. As medidas devem impulsionar a demanda e sustentar crescimento com rentabilidade para o setor de baixa renda, beneficiando principalmente empresas mais expostas às faixas iniciais (como Tenda) e também players das faixas intermediárias (como Cury e Direcional).
Mineração & Siderurgia (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)
- Vale (VALE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 85,00
Controlando o que é controlável; Vencedor relativo; Compra
Após reuniões com a gestão, a visão sobre a Vale permanece positiva, com maior probabilidade de revisões para cima de lucros do que para baixo. Apesar do cenário global volátil, a empresa está bem posicionada para mitigar impactos da guerra no Oriente Médio, com contratos de frete de longo prazo, hedge de combustível e baixa exposição a riscos de oferta, enquanto se beneficia de preços de minério de ferro acima do esperado (~US$110/t). A demanda chinesa segue resiliente e os prêmios de qualidade permanecem elevados, enquanto a estratégia de disciplina de capital é mantida, com baixa propensão a M&A e maior probabilidade de dividendos extraordinários. No cobre e níquel, o foco segue em execução operacional. Em termos relativos, a Vale se destaca positivamente frente aos pares, com geração de caixa favorecida por preços mais altos e menor sensibilidade a custos, sustentando a recomendação de Compra.
Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- JSL (JSLG3); COMPRA; Preço-alvo R$ 18,00
Resultados do 4T com crescimento mais fraco, mas margens melhores
A JSL apresentou resultados em linha, com receita estável e EBITDA em crescimento, impulsionado por expansão relevante de margens, principal destaque do trimestre. Apesar disso, o lucro líquido foi pressionado por efeitos não recorrentes e custos financeiros, refletindo o impacto de juros elevados. A empresa mostrou melhora operacional em ambas as divisões e redução de alavancagem e capex no trimestre, mas a elevada alavancagem ainda deve pressionar resultados no curto prazo. Mesmo com valuation atrativo, o desempenho das ações segue dependente do cenário macro e da trajetória de juros.
