Radar Diário de Ações - 24/07/26
Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Motiva (MOTV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 20,00
A Motiva ficou em segundo lugar no leilão da concessão da Rodovia Régis Bittencourt, que foi vencido pela EPR após a apresentação de um desconto tarifário de 22,53%, superior aos 12,10% ofertados pela Motiva e aos 0,01% da Arteris. A concessão é considerada um dos ativos mais atrativos do setor, devido ao perfil de tráfego, localização estratégica e margens operacionais já elevadas, fatores que ajudam a explicar o forte interesse observado no processo. A avaliação da proposta da Motiva sugere uma abordagem disciplinada, buscando preservar retornos atrativos por meio de ganhos moderados de eficiência em capex e despesas operacionais. Apesar de não conquistar uma nova oportunidade de crescimento, a companhia mantém diversas alternativas de alocação de capital para os próximos anos. Entre elas, destaca-se um pipeline superior a R$20 bilhões em potenciais investimentos brownfield por meio de aditivos contratuais, que deve se tornar o principal foco da empresa ao longo do segundo semestre de 2026. Esses projetos apresentam perfil de risco-retorno considerado mais equilibrado por serem desenvolvidos em ativos já conhecidos e consolidados. Assim, a perda da concessão não altera a estratégia da companhia, que continua apoiada por disciplina na alocação de capital e múltiplas oportunidades de geração de valor.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Marcel Zambello)
- Nota Setorial - Varejo & Consumo
O consumo das famílias brasileiras pode começar a enfrentar um novo desafio nos próximos anos, à medida que o endividamento das famílias passa a ser visto como um dos principais riscos macroeconômicos para o varejo. Embora o consumo tenha permanecido resiliente recentemente, esse desempenho foi sustentado por mercado de trabalho forte, estímulos fiscais e expansão do crédito, e não necessariamente por uma melhora estrutural da capacidade financeira das famílias. O aumento do endividamento já supera os níveis observados antes da recessão de 2014, enquanto os indicadores de comprometimento de renda com dívidas também atingiram patamares historicamente elevados. Além disso, a composição do crédito tornou-se menos favorável, com maior participação de modalidades mais caras, como empréstimos pessoais sem garantia, consignado e cartão de crédito, especialmente entre consumidores de menor renda. O cenário-base continua apontando desaceleração do consumo e não recessão, com crescimento projetado de 0,8% em 2027 após aproximadamente 2,2% em 2026, embora existam riscos mais negativos em cenários de desalavancagem mais intensa. Historicamente, períodos de redução do endividamento foram acompanhados por fraqueza prolongada no consumo discricionário, tornando a dinâmica de crédito e saúde financeira das famílias variável tão relevante quanto a trajetória da Selic para a análise do varejo. Empresas mais expostas à baixa renda, compras discricionárias e financiamento ao consumidor tendem a ser mais sensíveis a esse processo, enquanto categorias com demanda recorrente, fatores estruturais de crescimento e maior exposição à alta renda devem apresentar maior resiliência.
Varejo & Consumo (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
- Nota Setorial - Educação
O segundo trimestre de 2026 deve ser marcado por resultados sem grandes surpresas, refletindo principalmente a base de alunos formada no primeiro ciclo de captação do ano, embora as tendências operacionais variem entre as companhias. A Cogna deve apresentar forte crescimento da Receita, impulsionado pela Educação Básica, enquanto a Vitru deve manter crescimento e rentabilidade resilientes, a Cruzeiro do Sul deve mostrar melhora após um primeiro trimestre mais fraco, e a Ser deve registrar crescimento da Receita de um dígito médio e expansão de EBITDA de dois dígitos. Em contrapartida, a YDUQS deve apresentar melhora operacional limitada devido ao mix de negócios, enquanto a maior evasão de alunos deve pressionar o crescimento da Receita da Ânima. No consolidado, a Receita deve crescer cerca de 7% a/a, para R$ 7,3 bilhões, com EBITDA ajustado de R$ 2,3 bilhões, alta de aproximadamente 5% a/a, margem 50 pontos-base menor e lucro líquido ajustado de R$ 825 milhões, alta de 10% a/a, enquanto a geração de fluxo de caixa deve ser sazonalmente mais fraca no trimestre, mas permanecer saudável nos últimos 12 meses. O segundo trimestre deve trazer poucas novidades sobre a demanda por alunos, mantendo a perda de volume dos cursos online tradicionais e a maior resiliência dos cursos híbridos e presenciais, com o foco do mercado voltado para o segundo ciclo de captação de 2026 e para indicadores de matrículas, preços, retenção e expansão do modelo híbrido. O setor continua favorecido pela forte geração de fluxo de caixa, balanços patrimoniais mais saudáveis e múltiplos atrativos, enquanto diferenças de execução e de mix de negócios tendem a ganhar importância, com Cogna e Vitru permanecendo como os principais destaques.
