Radar Diário de Ações - 25/05/26
Mineração & Siderurgia (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Rodrigo Gotardo / Bruno Henriques)
- Nota Setorial - Mineração & Siderurgia
Ternium
A Ternium continua sendo a exposição preferida ao setor siderúrgico devido à combinação de valuation atrativo e potencial de geração de caixa. A companhia está concluindo um ciclo de capex equivalente a aproximadamente 50% de seu valor de mercado, enquanto o crescimento da operação de placas via DRI/EAF previsto para 2027 deve elevar significativamente o EBITDA e a geração de caixa. Os fundamentos do aço em seus principais mercados permanecem favoráveis, especialmente no México, onde os preços seguem resilientes. Eventuais revisões do USMCA podem representar um vetor adicional de valorização. Negociando a cerca de 3,5x EV/EBITDA de 2027 e com yield de geração de fluxo de caixa próximo de 12%, a ação continua descontada frente aos fundamentos. O cenário combina melhora operacional, maior visibilidade de alocação de capital e uma relação risco-retorno mais atrativa.
Usiminas
A tese de investimento da Usiminas apresentou melhora relevante, sustentada pelas medidas antidumping, pela melhora do sentimento em relação ao setor siderúrgico brasileiro e pelos sinais de recuperação de rentabilidade observados desde o primeiro trimestre. Entretanto, após uma valorização superior a 70% no ano, parte relevante dessa melhora já parece refletida nos preços. Diferentemente da Ternium, a companhia ainda possui mais de US$ 1 bilhão em potenciais investimentos futuros relacionados à substituição da bateria de coque e à expansão da Musa. Esse ciclo de investimentos deve limitar a geração de fluxo de caixa e restringir o retorno aos acionistas. Apesar da melhora no momento de resultados, a ação negocia a múltiplos superiores aos da Ternium para 2027, mesmo oferecendo menor visibilidade de retorno de caixa.
Minério de ferro
O minério de ferro atingiu em meados de maio o maior nível dos últimos 12 meses, com o produto de 62% Fe CFR Qingdao alcançando aproximadamente US$ 114,7 por tonelada, impulsionado pela inflação de custos, recomposição de estoques e melhora das margens das siderúrgicas. Posteriormente, os preços perderam parte do avanço, gerando questionamentos sobre a sustentabilidade do movimento. O aumento dos estoques portuários chineses ocorreu em função da aceleração dos embarques brasileiros e australianos, fazendo a oferta crescer temporariamente acima das compras das usinas. A avaliação predominante é de que o movimento decorre de uma dinâmica de oferta e não de deterioração da demanda. Com custos elevados ao longo da cadeia global e antes de Simandou substituir efetivamente volumes de maior custo, o piso de preços permanece acima do consenso de mercado. O cenário mantém uma visão positiva para a Vale.
Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)
- Nota Setorial - Petroleo & Gás
Vibra e Ultrapar
As discussões com investidores indicam otimismo em relação à geração de fluxo de caixa da Ultrapar no curto prazo, embora os múltiplos ajustados por margens normalizadas pareçam menos atrativos. As expectativas para o 2T26 contemplam margens EBITDA superiores a R$ 300/m³ para Vibra e Ultrapar, favorecidas por um ambiente de preços domésticos positivo para distribuidoras que compram parcela relevante de combustíveis da Petrobras. Os investidores acompanham especialmente uma possível reversão de capital de giro na Ultrapar, enquanto permanecem confiantes no potencial de geração de fluxo de caixa da Vibra. Apesar de negociarem abaixo das médias históricas de P/L, os múltiplos se aproximam de 10x quando consideradas margens normalizadas entre R$ 190 e R$ 200 por metro cúbico. A forte geração de caixa esperada aumenta a probabilidade de maiores distribuições aos acionistas, principalmente via dividendos.
Petrobras
Com o Brent apresentando média próxima de US$ 104 por barril no trimestre, a Petrobras deve registrar resultados fortes no 2T26. A combinação de elevada produção, captura integral dos preços mais altos do petróleo e os efeitos do programa de subvenção ao diesel tende a favorecer o momento de resultados da companhia. Ao mesmo tempo, permanece o monitoramento dos impactos do programa sobre o capital de giro, já que os pagamentos governamentais podem ocorrer com algum atraso. A Petrobras continua sendo nossa Top Pick, oferecendo yield de fluxo de caixa para o acionista próximo de 12% e dividend yield de aproximadamente 10% para 2026, considerando Brent a US$ 82 por barril. O cenário operacional segue sustentado pela evolução dos preços do petróleo e pela manutenção dos programas de suporte ao mercado doméstico.
PRIO
A PRIO deve apresentar resultados robustos no 2T26, beneficiada pelos preços elevados do Brent e por uma reversão de capital de giro. Parte relevante desse efeito decorre do aumento das contas a receber observado no 1T, posteriormente monetizado ao longo do segundo trimestre. A combinação desses fatores deve impulsionar significativamente a geração de caixa da companhia, com potencial para alcançar aproximadamente US$ 1 bilhão no período. Entre as produtoras independentes de petróleo, a companhia permanece entre as preferidas dos investidores. O desempenho esperado reflete tanto o ambiente favorável de preços quanto a melhora temporária da dinâmica financeira associada ao capital de giro.
Subvenção
Após a adesão da Petrobras ao novo programa de subvenção aos combustíveis, o mercado aguarda a publicação das diretrizes operacionais pelo Ministério da Fazenda, que deverão definir os valores finais e os mecanismos de funcionamento do programa. As indicações preliminares apontam para uma subvenção entre R$ 0,40 e R$ 0,45 por litro de gasolina e de aproximadamente R$ 0,32 por litro de diesel, complementando os valores já anunciados anteriormente. O modelo adotado é visto de forma positiva por preservar a política de preços da Petrobras por meio de subsídios governamentais, evitando interferências diretas na companhia. A definição das regras deve trazer maior clareza para as estimativas de resultados e para os impactos financeiros do programa. A manutenção desse mecanismo continua sendo um tema relevante para investidores que acompanham a empresa.
Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
- Nota Setorial - Educação
O INEP divulgou o ENADE 2025 para licenciaturas, o exame passou a avaliar os cursos com base na proporção de concluintes considerados proficientes, incorporando um componente prático de estágio e integrando a prova teórica a Prova Nacional Docente. Embora a distribuição dos cursos entre os diferentes conceitos 1-5 pareça equilibrada, a maior parte dos estudantes está concentrada em cursos com conceitos mais baixos. As instituições públicas apresentam maior participação de alunos em cursos com conceito igual ou superior a 3, enquanto a rede privada concentra o maior volume de matrículas avaliadas. Entre as companhias listadas, a diferença em relação ao mercado privado é pequena por quantidade de cursos, mas relevante quando ponderada pelo número de alunos. Essa concentração está ligada principalmente aos cursos online, que apresentam desempenho inferior aos presenciais. Ânima e YDUQS registram os melhores indicadores, enquanto Cogna apresenta a menor proporção de alunos em cursos de melhor avaliação. O resultado reforça o movimento regulatório de maior exigência de atividades presenciais e pode pressionar crescimento, margens e ajustes de portfólio no setor.
Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- WEG (WEGE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 65,00
O avanço da inteligência artificial tem impulsionado um ciclo relevante de investimentos em data centers, criando oportunidades para fornecedores de infraestrutura elétrica. Atualmente, essa exposição representa cerca de 3% a 5% da receita líquida da WEG, mas tende a crescer nos próximos anos. Os principais produtos relacionados a esse mercado são transformadores, sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) e alternadores. Os transformadores concentram a maior parcela dos investimentos elétricos dos data centers e já representam aproximadamente 20% da carteira de transmissão e distribuição da companhia nos Estados Unidos. O segmento de BESS ainda possui participação reduzida na receita, mas vem recebendo investimentos para expansão. Já os alternadores se beneficiam tanto de novos projetos quanto da necessidade recorrente de substituição dos equipamentos instalados. Esses três produtos formam a principal interface da companhia com um dos ciclos de capex mais relevantes da década.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)
- Nota Setorial - Varejo & Consumo
O ambiente de consumo permanece seletivo e mantém os resultados das divisões financeiras das varejistas fortemente ligados ao ciclo de crédito brasileiro, ainda marcado por juros elevados e flexibilização gradual. No 1T26, as carteiras de crédito apresentaram crescimento moderado, enquanto os indicadores de inadimplência permaneceram amplamente controlados. A Riachuelo registrou o maior crescimento de carteira, seguida por C&A, Casas Bahia e Magazine Luiza, enquanto a Renner manteve postura mais conservadora. Em qualidade dos ativos, Renner, C&A e Magazine Luiza apresentaram melhora nos indicadores de inadimplência, ao passo que a Riachuelo registrou deterioração na carteira acima de 90 dias. O Mercado Livre continuou se destacando pelo forte crescimento da carteira, embora com menor rentabilidade devido ao mix de produtos e maiores provisões no Brasil. O cenário segue saudável, mas ainda não indica uma retomada ampla de concessões mais agressivas de crédito, com recuperação gradual esperada para o 2T26.
