Radar Diário de Ações - 25/09/26
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Bruno Carrenho)
- Nota Setorial - Varejo & Consumo
O anúncio de um maior esforço do Mercado Livre para venda de medicamentos em suas plataformas aumenta a concorrência no setor farmacêutico. A experiência internacional mostra que o crescimento do comércio digital em farmácias tem provocado principalmente uma migração de canais, e não uma substituição das redes físicas. Nos Estados Unidos, grandes redes como CVS e Walgreens mantiveram participação relevante no mercado ao transformar suas lojas em plataformas omnicanais, combinando atendimento farmacêutico, retirada em loja e entregas rápidas. Na Alemanha, apesar do crescimento das farmácias online e da adoção das prescrições eletrônicas, as farmácias físicas continuam concentrando quase toda a dispensação de medicamentos prescritos. O México oferece um paralelo particularmente relevante para o Brasil, pois mesmo com a presença do Mercado Libre na venda de medicamentos, as grandes redes de farmácias seguem ampliando participação de mercado e expandindo suas operações físicas. Nesse contexto, o principal risco para as farmácias brasileiras não parece ser a substituição das lojas, mas sim a disputa pela relação digital com o consumidor. Ainda assim, a RD Saúde entra nessa competição com vantagens relevantes, incluindo forte presença digital, ampla rede física de aproximadamente 3,7 mil lojas e capacidade de realizar entregas e retiradas em prazos muito curtos. Dessa forma, o avanço dos marketplaces tende a aumentar a competição por tráfego, preços e canais digitais, mas não elimina as vantagens estruturais associadas à escala, conveniência, atendimento farmacêutico e capilaridade operacional das grandes redes.
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Bruno Carrenho)
- Nota Setorial - Construção Civil
As incorporadoras de baixa renda enfrentam um ambiente mais desafiador após mudanças recentes na atuação da Caixa Econômica Federal, que passou a adotar critérios mais restritivos para concessão de crédito imobiliário e aprovação de financiamentos. Entre os fatores que pressionaram o setor estão a redução do LTV, limites mais baixos para financiamento direto pelas construtoras, revisões nos critérios de crédito e a greve da Caixa, que afetou transferências de clientes e originação de financiamentos. Essas mudanças contribuíram para desaceleração das vendas, resultados mais fracos no segundo trimestre e perspectivas ainda moderadas para o terceiro trimestre. Como consequência, as projeções de lucro líquido para 2027 foram reduzidas, especialmente para MRV e Plano&Plano, que também sofreram com margens e alavancagem abaixo do esperado, enquanto Cury, Direcional e Tenda tiveram cortes mais moderados nas estimativas. Apesar da piora do cenário para o programa habitacional de baixa renda, a avaliação é que a forte correção recente das ações foi excessiva frente ao impacto efetivo esperado nos resultados. Assim, mesmo diante da ausência de catalisadores relevantes no curto prazo, o setor continua negociando a múltiplos considerados atrativos e com potencial de retorno sustentado por dividendos e valuation descontado.
