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Sacre Investimentos
28 de abr. de 20266 min

Radar Diário de Ações - 28/04/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

  • Nota Setorial - Agronegócio

O valor das terras agrícolas continua atrelado ao valor presente dos fluxos de caixa futuros gerados pela atividade agropecuária, sendo influenciado por fatores como localização, produtividade, taxa de juros e preços de commodities. Produtividade e infraestrutura impactam os preços no longo prazo, mas movimentos de curto prazo tendem a ser guiados principalmente pelos preços das commodities. No Brasil, a queda nos preços das commodities nem sempre se traduz em queda no preço das terras, devido à baixa liquidez e ausência de novas transações em níveis menores, tornando os preços mais rígidos na queda. Já os preços de arrendamento refletem com mais rapidez essas dinâmicas, por serem geralmente indexados em sacas ou toneladas por hectare. Em 2026, os preços médios das terras subiram 12% sobre 2025, impulsionados principalmente por áreas de vegetação nativa e silvicultura, enquanto grãos apresentaram valorização mais modesta.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Antonio Pascale / Luis Mollo, CFA)

  • Nota Setorial - Shoppings

A prévia do 1T26 para empresas de shopping centers e propriedades indica manutenção de tendências semelhantes.  No Brasil, os shopping centers devem continuar apresentando indicadores operacionais saudáveis, com crescimento real de vendas mesmas lojas, vacância controlada e inadimplência estável, embora em ritmo mais moderado. O crescimento do FFO deve seguir pressionado por expansão moderada do EBITDA e despesas financeiras mais elevadas. 

Mineração & Siderurgia (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Rodrigo Gotardo / Bruno Henriques)

  • Nota Setorial - Mineração & Siderurgia

O mercado doméstico de vergalhão de aço no Brasil permaneceu estável até 24 de abril, com preços ao redor de R$ 3.475 por tonelada, enquanto siderúrgicas tentam implementar até dois reajustes adicionais de cerca de 6% nos próximos meses. A demanda segue fraca, com distribuidoras e compradores prorrogando contratos sem renegociações relevantes, indicando baixa absorção do mercado. Desde janeiro, os preços subiram apenas entre 2% e 3%, refletindo execução parcial dos reajustes e cenário competitivo intenso. O aumento de custos de energia, frete e carvão metalúrgico, somado à alta do frete marítimo após o conflito no Irã, tende a sustentar elevações graduais nos preços domésticos do aço.

  • Gerdau (GGBR4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 25,00

A Gerdau reportou EBITDA de R$ 2,95 bilhões, acima das estimativas em 5%, impulsionado principalmente pela operação brasileira, cuja margem EBITDA atingiu 9,2%, superior ao esperado, apoiada por redução de custos e maior produtividade. A operação nos Estados Unidos manteve desempenho forte, com margem EBITDA de 24% e representando 75% do EBITDA consolidado, sustentada por crescimento de vendas, melhor mix e reajustes de preços. No Brasil, os embarques recuaram 9,5% t/t devido à sazonalidade, maior penetração de importados e demanda industrial mais fraca, enquanto os preços domésticos caíram 5% t/t. A geração de fluxo de caixa foi praticamente neutra em R$ 16 milhões, mesmo com consumo de capital de giro de R$ 980 milhões e capex de R$ 1,2 bilhão. A alavancagem permaneceu saudável em 0,74x Dívida Líquida/EBITDA, com dívida bruta de R$ 13,8 bilhões.

Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

  • Nota Setorial - Educação

Setor de Educação

O Ministério da Educação publicou o edital oficial do ENADE 2026, estabelecendo diretrizes, procedimentos e cronograma para a avaliação da qualidade dos cursos de graduação no Brasil. O exame será aplicado em quatro modalidades, incluindo bacharelados, tecnológicos, medicina via ENAMED e licenciaturas em avaliações teóricas e práticas. A participação continua obrigatória para alunos elegíveis, sendo requisito para graduação, com critérios mínimos de carga horária cumprida. Nos cursos de medicina, o ENAMED passa a incluir alunos do quarto ano, com finalidade formativa e diagnóstica, além da avaliação tradicional de concluintes. O desempenho no ENAMED ganhou relevância regulatória após novas sanções vinculadas à performance, podendo impactar expansão de vagas, contratos de FIES e novas captações.

Educação e Saúde

A análise de fluxo de caixa para o acionista com os números de 2025 reforça diferenças relevantes entre os setores de educação e saúde. Em educação, a geração de fluxo de caixa permaneceu forte e disseminada, com FCFE agregado de R$ 2,9 bilhões em 2025, alta de 47% a/a, e yield médio de 13,0%, acima de 8,9% em 2024 e 4,3% em 2023. Os maiores yields vieram de Vitru, Ser Educacional e Cruzeiro do Sul, refletindo baixa intensidade de capital, disciplina de custos e controle de capital de giro. Em saúde, o yield médio permaneceu em 0%, com maior dispersão entre companhias, destacando Qualicorp, Fleury e Odontoprev de forma positiva, enquanto Dasa e Oncoclínicas seguiram pressionadas. Para 2026 e 2027, a expectativa é de manutenção dessa diferença, com educação apresentando yields médios de 20,3% e saúde mostrando recuperação gradual, porém ainda mais volátil. 

Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Motiva (MOTV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 20,00

A Mover Participações concluiu a venda de sua participação de 14,86% na Motiva para o Bradesco BBI por aproximadamente R$ 5 bilhões, encerrando um processo de reestruturação financeira iniciado em 2024. Do total da participação, 10,33% estavam vinculados ao acordo de acionistas e 4,53% correspondiam a ações em circulação. A operação marca a segunda saída de um acionista fundador do setor de construção, após a saída da Andrade Gutierrez em 2022, alterando a estrutura de controle da companhia. Os atuais controladores têm 30 dias para exercer direito de preferência ou aceitar o Bradesco BBI como novo acionista relevante. A definição dessa estrutura tende a direcionar o foco para catalisadores operacionais, incluindo o leilão da Régis Bittencourt, revisões contratuais e monetização da divisão de mobilidade urbana.

  • Embraer (EMBJ3); COMPRA; Preço-alvo R$ 107,00

A Embraer divulgou carteira de pedidos recorde no 1T, atingindo US$ 32 bilhões, crescimento de 22% a/a, impulsionado principalmente pela forte demanda em aviação comercial e melhora no ritmo de entregas. A divisão de aviação comercial alcançou backlog de US$ 15 bilhões, apoiada pelo reconhecimento do pedido de 18 aeronaves E2 da Finnair e mais três pedidos adicionais, elevando o book-to-bill para 3,0x. A aviação executiva permaneceu estável em US$ 7,6 bilhões, enquanto defesa recuou para US$ 4,4 bilhões devido à ausência de novos contratos relevantes e entregas no período. Serviços cresceram 4% t/t, alcançando US$ 5,1 bilhões. O desempenho reforça a combinação de forte demanda, backlog robusto e melhora operacional, com impactos limitados do conflito no Oriente Médio.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)

  • Assaí (ASAI3); COMPRA; Preço-alvo R$ 11,00

O Assaí reportou receita líquida de R$ 18,6 bilhões no 1T26, alta de 0,5% a/a, em linha com as estimativas, mas com vendas mesmas lojas recuando 0,9% a/a, abaixo do esperado, impactadas por deflação de 12% em commodities essenciais como arroz, leite, açúcar e feijão. A companhia ganhou 0,3 ponto percentual de participação de mercado em mesmas lojas, mas a demanda permaneceu fraca, especialmente entre consumidores de menor renda. A margem bruta mostrou evolução positiva, com expansão de 25 pontos-base, apoiada pela maturação de novas lojas e estratégia de precificação mais eficiente. O EBITDA ajustado permaneceu estável em R$ 1,02 bilhão, com margem de 5,5%, enquanto o lucro líquido recuou para R$ 86 milhões. A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 12,2 bilhões, equivalente a 2,52x Dívida Líquida/EBITDA, refletindo continuidade do processo de desalavancagem.