Radar Diário de Ações - 28/05/26
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Antonio Pascale / Luis Mollo, CFA)
- Plano&Plano (PLPL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00
A administração da Plano&Plano destacou que a principal prioridade da companhia continua sendo acelerar as vendas e manter os níveis de estoque sob controle, apoiada pelo forte momento do programa Minha Casa Minha Vida e por ajustes internos na equipe e nos processos comerciais. Nesse contexto, a companhia acredita ser possível elevar os lançamentos entre R$500 milhões e R$1,0 bilhão em 2026, dependendo da evolução da velocidade de vendas e dos estoques. A empresa também comentou que os custos de construção aumentaram devido à guerra no Oriente Médio, mas os impactos seguem administráveis, representando inflação adicional de aproximadamente 1% a 2%. Parte dessas pressões vem sendo compensada por renegociação de contratos, substituição de fornecedores e reajustes seletivos de preços em estoques e novos lançamentos. As margens no mercado privado tendem a melhorar gradualmente ao longo do ano, sustentadas por margens saudáveis do backlog e de projetos mais recentes. O ambiente macro para o programa Minha Casa Minha Vida permanece bastante favorável, com mudanças recentes consideradas positivas pela administração. Apesar da competição intensa em São Paulo, especialmente por empresas maiores e mais capitalizadas, a companhia pretende concentrar grande parte dos lançamentos de 2026 na Faixa 2 do programa e ampliar gradualmente sua exposição à Faixa 1.
Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)
- Nota Setorial - Petroleo & Gás
Pesquisa realizada com investidores brasileiros do setor de Óleo & Gás apontou um cenário macro mais construtivo em relação ao período anterior à guerra, com a maioria dos investidores apresentando exposição maior ao setor e expectativa de Brent acima de US$80/barril em 2026. A maior parte dos participantes também passou a utilizar premissas de Brent de longo prazo entre US$65 e US$70/barril em seus modelos, acima dos níveis próximos de US$60/barril observados antes do conflito entre Estados Unidos e Irã. Petrobras foi a ação mais mencionada entre as preferidas pelos investidores, seguida por PRIO e Vibra, enquanto PetroReconcavo, Brava Energia e Braskem apareceram entre as menos preferidas. Em Petrobras, o posicionamento segue disperso, mas com predominância de investidores levemente sobrealocados, refletindo atenção elevada ao cenário político para as eleições de 2026, aos movimentos do Brent e às potenciais mudanças na política de subsídios aos combustíveis. A tese para a companhia continua apoiada em crescimento de produção, forte geração de caixa e potencial compressão do custo de capital em um cenário político mais favorável ao mercado. No segmento de distribuição de combustíveis, o sentimento permanece sustentado pelas margens elevadas decorrentes do desconto relevante da Petrobras frente à paridade de importação, com expectativa predominante de continuidade dos subsídios até agosto ou novembro. Os investidores seguem majoritariamente posicionados em Vibra, enquanto as expectativas de EBITDA/m³ para o 2T26 concentram-se entre R$300 e R$320/m³ para Vibra e Ipiranga, com projeções de normalização gradual das margens ao longo do ano.
Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
- Rede D´Or (RDOR3); COMPRA; Preço-alvo R$ 54,00
A administração da Rede D’Or reforçou, durante reunião com investidores em São Paulo, que a companhia segue bem-posicionada para manter crescimento saudável em ambos os segmentos, apoiada por uma estrutura de capital sólida e oportunidades adicionais de alocação de capital. O projeto em São Conrado, no Rio de Janeiro, será desenvolvido por meio da joint venture Atlântica D’Or com o Bradesco e deve contemplar um hospital geral de alta complexidade com aproximadamente 180 leitos, com conclusão prevista para 2028. A companhia também informou que já implementa medidas administrativas para mitigar impactos potenciais das mudanças trabalhistas relacionadas ao fim da escala 6x1. As margens hospitalares devem continuar apresentando expansão gradual ao longo dos próximos anos, sustentadas por ganhos de escala, alavancagem operacional e iniciativas de eficiência. Em relação à alíquota efetiva de impostos, a administração afirmou que os níveis observados no 1T não devem persistir, com expectativa de normalização gradual diante de iniciativas de eficiência tributária. As estimativas foram atualizadas apenas com ajustes marginais, mantendo a visão de crescimento consistente do EBITDA em ambos os segmentos. A companhia segue sendo vista como uma das preferidas no setor de saúde, negociando com desconto relevante em relação à média histórica de múltiplos.
Financeiro (Eduardo Rosman / Ricardo Buchpiguel / Antonio Pascale / Bruno Henriques)
- Banco Pine (PINE4); COMPRA; Preço-alvo R$ 20,00
Durante reunião com investidores realizada no Rio de Janeiro, a administração do Banco Pine reforçou a visão positiva sobre o crédito consignado privado, destacando que a operação exige processos altamente operacionais e complexos após a originação, área na qual o banco acredita possuir vantagem competitiva relevante. Os diferenciais operacionais incluem monitoramento diário de vínculos empregatícios, rotinas ativas de cobrança e seguro contra perda de emprego cobrindo seis parcelas, elevando a proteção efetiva contra perdas para aproximadamente 11% a 12%. A originação do consignado privado segue forte, mesmo após o teto regulatório de juros, com impacto limitado sobre as taxas líquidas devido a ajustes de comissões e segmentação de risco. Já no consignado INSS, novas exigências regulatórias reduziram a fluidez operacional e provocaram queda relevante na originação em maio após um abril forte. O banco continua utilizando estruturas de securitização via FIDC para otimizar capital e melhorar o ROE, preservando parte relevante da rentabilidade das operações. Para o 2T, a expectativa é de forte originação, melhora da margem financeira e benefícios adicionais da tesouraria de clientes em função da maior volatilidade de mercado. A administração segue confortável com a perspectiva de ROE acima de 35% em 2026, apoiada pela forte geração interna de capital e crescimento do consignado privado.
