Radar Diário de Ações - 28/08/26
Financeiro (Eduardo Rosman / Ricardo Buchpiguel / Antonio Pascale / Bruno Henriques)
- Nota Setorial - Financeiro
O debate sobre o ciclo de crédito de 2027 ganhou relevância diante do aumento do endividamento das famílias, do crescimento acelerado das modalidades de crédito sem garantia e da deterioração observada em alguns segmentos específicos. O Banco Central tem demonstrado preocupação crescente com a expansão do crédito ao consumo, especialmente em cartões de crédito e consignado privado, avaliando possíveis medidas macroprudenciais para limitar riscos e reforçar a resiliência do sistema financeiro. Paralelamente, o Ministério da Fazenda discute aperfeiçoamentos regulatórios para ampliar a supervisão de instrumentos de securitização e fundos de crédito. No ambiente corporativo, especialistas apontam que uma parcela relevante das empresas listadas enfrenta dificuldades para cobrir despesas financeiras, refletindo a combinação de juros elevados, alavancagem e desafios setoriais. O setor agropecuário permanece como uma das principais áreas de atenção, com destaque para o aumento expressivo da inadimplência em algumas instituições financeiras. Apesar disso, o sistema financeiro continua apresentando níveis adequados de capitalização, liquidez e provisões, embora o ambiente de crédito exija disciplina crescente na originação e gestão de riscos.
Transportes (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Simpar (SIMH3); COMPRA; Preço-alvo R$ 11,00
A CS Infra consolidou 14 operações distribuídas em cinco verticais de infraestrutura e vem apresentando forte crescimento, com receita anualizada de R$ 347 milhões, EBITDA de R$ 191 milhões, lucro líquido de R$ 90 milhões e ROIC de 21%. A companhia espera uma expansão relevante dos resultados à medida que suas concessões amadurecem, projetando EBITDA de R$ 524 milhões nos próximos três anos. A estratégia permanece focada na maturação dos ativos atuais, preservação do portfólio e crescimento disciplinado por meio de novos projetos que atendam aos critérios de retorno e risco da empresa. A administração destacou preferência por ativos brownfield, que permitem geração de caixa mais rápida, além de manter rigor na seleção de oportunidades, participando apenas de uma pequena parcela dos projetos analisados. Os principais vetores de crescimento devem vir das concessões de escolas e rodovias no Piauí, que representam mais da metade da expansão projetada do EBITDA. A companhia também avalia oportunidades em novas verticais, mantendo foco em crescimento sustentável, reciclagem de capital, desalavancagem da holding e continuidade da expansão da plataforma de infraestrutura.
