Radar Diário de Ações - 29/07/26
Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
- 3tentos (TTEN3); COMPRA; Preço-alvo R$ 26,00
As estimativas para a 3tentos apontam um segundo trimestre fraco, refletindo principalmente a deterioração das margens no segmento Industrial, pressionadas pela queda dos spreads de esmagamento de soja e pelos menores preços do biodiesel. Embora os dados da indústria indiquem uma piora moderada da rentabilidade, a expectativa é de uma contração mais relevante das margens da companhia, levando a uma redução significativa do lucro bruto do segmento em relação ao trimestre anterior. Nos demais negócios, o segmento de Varejo deve apresentar crescimento da receita de 23% a/a, mas com margens menores devido à maior participação de fertilizantes no mix de vendas. Já o segmento de Grãos deve registrar volumes recordes de comercialização de soja e crescimento da receita líquida, embora as margens devam normalizar após o resultado excepcionalmente forte observado no primeiro trimestre. Os custos de frete devem permanecer próximos aos níveis recentes, sem alívio relevante, contribuindo para pressão adicional sobre as margens consolidadas. Como consequência, a companhia deve reportar EBITDA significativamente menor e a menor margem EBITDA desde o segundo trimestre de 2024. Apesar do resultado fraco esperado para o período, a deterioração é atribuída a fatores cíclicos ligados aos spreads da indústria e não a uma mudança estrutural da capacidade de geração de resultados da empresa.
Financeiro (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)
- Santander Brasil (SANB11); NEUTRO; Preço-alvo R$ 32,00
O Santander Brasil reportou um segundo trimestre pressionado por desaceleração da receita, aumento das provisões e rentabilidade abaixo do esperado, registrando lucro líquido ajustado de R$3,0 bilhões e ROE de 12%. A carteira de crédito apresentou crescimento moderado, impulsionada principalmente por financiamento de veículos e pequenas e médias empresas, enquanto a margem financeira com clientes permaneceu pressionada por mix de crédito menos favorável, menor contribuição da Selic e maiores despesas diferidas. As provisões para perdas de crédito aumentaram significativamente, refletindo mudanças na política de baixa de créditos e casos específicos no atacado, enquanto os indicadores de inadimplência continuaram apresentando desafios subjacentes, especialmente entre clientes de menor renda, agronegócio e pequenas empresas. As receitas de tarifas também ficaram mais fracas, afetadas pela menor atividade em mercado de capitais e seguros, embora cartões e consórcios tenham apresentado desempenho positivo. O principal destaque positivo continuou sendo o controle de despesas, com redução dos custos operacionais apoiada por iniciativas de otimização da estrutura do banco. Ainda assim, a menor geração de receita mais do que compensou o benefício da eficiência operacional, mantendo a rentabilidade pressionada. O ambiente continua desafiador para o banco, marcado por crescimento limitado da receita, maior peso dos ativos fiscais diferidos e distância relevante em relação ao objetivo de alcançar ROE próximo de 20% nos próximos anos.
Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Motiva (MOTV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 20,00
O Grupo Mover assinou os documentos vinculantes para vender sua participação de 14,86% na Motiva para o Bradesco BBI, após os demais acionistas do bloco de controle não exercerem o direito de preferência previsto no acordo de acionistas. A participação já havia sido utilizada como garantia de dívidas da Mover junto ao Bradesco BBI, que era um dos principais credores da companhia. Com a conclusão da operação e das aprovações necessárias, o Bradesco BBI passará a ser um acionista relevante da Motiva, embora ainda não esteja claro se permanecerá como investidor de longo prazo ou atuará apenas como intermediário para uma futura venda da participação. A transação encerra a participação da Mover na companhia e representa o fim da presença das antigas construtoras como acionistas relevantes do bloco de controle. A eventual adesão do Bradesco BBI ao acordo de acionistas permanece como um ponto importante de monitoramento para o mercado. A conclusão da operação também elimina uma preocupação histórica de governança que acompanhava a empresa desde a época da CCR. Mesmo sem definição sobre possíveis movimentos futuros dos atuais controladores, a mudança é vista como um passo relevante na evolução da estrutura societária da companhia.
