Radar Diário de Ações - 30/03/26
Papel & Celulose (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)
- Suzano Papel e Celulose (SUZB3); COMPRA; Preço-alvo R$ 72,00
A percepção de curto prazo para o mercado de celulose foi construtiva após a Shanghai Pulp Week, com manutenção programada, interrupções de oferta, ausência de novos projetos relevantes, estoques baixos e carteira de pedidos saudável sustentando uma assimetria positiva para os preços. A Suzano destacou melhora de momento, atraso adicional do projeto OKI II para o início de 2027, melhores perspectivas para a Indonésia e estoques mais equilibrados de fibra curta, em contraste com volumes mais elevados de fibra longa nos portos. A companhia anunciou um novo aumento de preços no fim da semana anterior, sinalizando confiança na aceitação pelo mercado, sem evidências de pressão vinda de custos relacionados à guerra até o momento. Em relação ao conflito com o Irã, a empresa segue atendendo clientes da região por rotas alternativas, com custos logísticos adicionais sendo absorvidos pelos clientes, enquanto os principais impactos de custo recaem sobre bunker fuel, gás natural, diesel local e algumas matérias-primas. A discussão também abordou a desverticalização, pela qual produtores integrados podem deixar a produção de celulose e passar a importar por contratos de longo prazo, com a Suzano identificando cerca de 120 Mt de capacidade integrada potencialmente endereçável, principalmente fora da China. Na dinâmica de substituição entre fibras, o spread entre fibra curta e fibra longa caiu para cerca de US$85/t, mas a substituição segue avançando, com ganhos médios anuais de 1,3 p.p. para a BHKP nos últimos anos e dados da PPPC mostrando crescimento de 6,4% das vendas de fibra curta em 2025, contra retração de 1,2% para a fibra longa. Embora a capacidade integrada chinesa continue sendo um risco incremental para o longo prazo, a inflação da madeira elevou os custos esperados dessas plantas, e, mesmo com o ceticismo do mercado sobre fundamentos de longo prazo e retorno de caixa, a ação segue barata, negociando a 5,2x EBITDA 2026 e permanecendo como Top Pick em Papel & Celulose.
Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)
- Nota Setorial - Petroleo & Gás
As discussões com investidores se concentraram na Petrobras e no setor de distribuição de combustíveis, com atenção para a possível subvenção adicional de R$1,20 por litro ao diesel importado, cuja definição pelos estados não ocorreu na sexta-feira, embora haja expectativa de publicação de medida provisória pelo governo federal nesta semana. Esse subsídio, a ser dividido entre governos federal e estaduais, pode elevar o apetite de importadores e distribuidores independentes por diesel importado, mesmo com a resistência de alguns estados por questões financeiras. O mercado também deve acompanhar os ajustes mensais de preços de GLP e querosene de aviação pela Petrobras, além da capacidade e disposição da companhia para elevar os preços de diesel e gasolina apesar da subvenção já existente de R$0,32 por litro para o diesel. No setor de distribuição, a expectativa é de que Vibra e Ipiranga entreguem margens EBITDA próximas ou até acima de R$200/m³ no primeiro trimestre de 2026, beneficiadas por janelas de importação fechadas e por uma estrutura de custo melhor via cotas da Petrobras. A percepção é de que essas margens possam ter superado R$300/m³ nas últimas semanas e devem permanecer elevadas em abril, ainda que o mercado as trate como pontuais. Entre as petroleiras privadas, a PRIO vem elevando sua produção com o primeiro óleo de Wahoo, enquanto a Brava sofreu enfraquecimento operacional após falha em uma bomba em Atlanta, o que deve manter investidores atentos aos dados diários da ANP. No mercado internacional de petróleo, a expectativa é de preços sustentados por disrupções persistentes no Oriente Médio, riscos adicionais de oferta russa após ataques da Ucrânia e reprecificação de barris fora do Oriente Médio, enquanto, no lado de mercado, posições vendidas em Petrobras e PRIO diminuíram junto com revisões positivas de EBITDA, ao passo que revisões para as distribuidoras ainda não aceleraram.
Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
- Nota Setorial - Educação
Com a conclusão da divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025 pelas companhias de educação, o foco das discussões passou a ser as tendências iniciais da captação de 2026, já que o desempenho do ciclo de verão costuma definir o tom do ano em termos de receita líquida e margens. Apesar de haver diferenças entre as empresas por mix de cursos, exposição entre cursos presenciais, híbridos e online, e presença geográfica, a leitura consolidada indica um ambiente de volume mais fraco no primeiro ciclo sob o novo marco regulatório. A principal mudança foi a retirada gradual de determinados cursos da modalidade online, como enfermagem, que agora exigem oferta integralmente presencial. Como resultado, os cursos presenciais estão crescendo em ritmo de 4-6% a/a, ou ficando estáveis em alguns casos, apoiados por demanda mais forte e migração do online. O ensino híbrido apresenta crescimento forte, beneficiado pelos efeitos regulatórios e por uma percepção de valor mais favorável, enquanto o online recua em ritmo de cerca de 20% a/a ou mais, devido às restrições regulatórias e à menor elasticidade da demanda. No consolidado, o impacto depende da exposição de cada companhia a esses segmentos, com a fraqueza do online sendo parcialmente compensada pelo melhor desempenho de áreas mais resilientes, como medicina e ofertas premium. Nesse cenário, a preferência continua sendo por educação ligada à saúde, diante de maior geração de fluxo de caixa, desalavancagem do balanço patrimonial e momento de resultados favorável nos próximos trimestres.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)
- Nota Setorial - Varejo & Consumo
O governo brasileiro aprovou uma isenção temporária de 365 dias para tarifas de importação de componentes usados em canetas injetáveis para perda de peso, reduzindo alíquotas anteriores de cerca de 14,4% para zero em itens como vidro, tampas e corpos das canetas, sem incluir o ingrediente farmacêutico ativo. A medida faz parte de uma política industrial voltada ao fortalecimento da produção farmacêutica local e à redução da dependência de importações em meio ao aumento da demanda por GLP-1. A EMS é a empresa doméstica mais avançada, apoiada por mais de R$1 bilhão em investimentos em capacidade de produção de peptídeos, pedidos de isenção para milhões de componentes e experiência prévia com produtos à base de liraglutida. O vencimento das patentes de semaglutida em março de 2026 remove uma barreira jurídica importante, embora a entrada efetiva dependa de aprovação regulatória. Ainda assim, o principal gargalo continua sendo a complexidade da análise da ANVISA, que avalia entre 15 e 17 candidatos e exige validações rigorosas de imunogenicidade, impurezas e consistência fabril. Por isso, a concorrência deve surgir gradualmente, com possíveis lançamentos iniciais a partir de meados de 2026 e descontos de preço em torno de 20%, abaixo dos genéricos tradicionais. A evolução do mercado tende a ocorrer de forma faseada a partir do segundo semestre de 2026, com aumento de oferta, redução gradual de preços e expansão de acesso, enquanto os GLP-1 já representam um vetor relevante para as vendas de farmácias no Brasil.
