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Sacre Investimentos
30 de jul. de 20266 min

Radar Diário de Ações - 30/07/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Alimentos & Bebidas (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

  • Ambev (ABEV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 20,00

A Ambev reportou resultados operacionais razoáveis no segundo trimestre, com EBITDA consolidado de R$6,4 bilhões, crescimento de 9% a/a, ligeiramente acima das estimativas, impulsionado em parte por maiores receitas operacionais classificadas em outras linhas. O lucro líquido por ação avançou 21% a/a, beneficiado principalmente por menores despesas financeiras decorrentes de resultados mais favoráveis em operações de hedge de commodities. No segmento de Cerveja Brasil, a companhia voltou a ganhar participação de mercado, com destaque para o crescimento de dois dígitos das marcas premium, enquanto volumes e preços continuaram avançando, embora abaixo das expectativas. A margem EBITDA da unidade atingiu o maior nível para um segundo trimestre desde 2019, mas parte relevante da expansão decorreu de receitas operacionais não recorrentes, enquanto maiores gastos comerciais ligados à Copa do Mundo pressionaram as despesas. Nas demais operações, os volumes permaneceram mais fracos, com exceção da CAC, mas a redução dos custos unitários sustentou expansão de margens em praticamente todas as geografias. A posição líquida de caixa alcançou R$15,4 bilhões, acompanhada de forte ritmo de recompra de ações e novas distribuições aos acionistas, reforçando a estratégia de retorno de capital. Apesar de os resultados não apontarem para revisões relevantes de lucro líquido, a companhia continua apresentando ganhos de participação de mercado, fortalecimento do portfólio premium e elevada rentabilidade sobre o capital investido.

Financeiro (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)

  • Bradesco (BBDC4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 22,00

O Bradesco anunciou um aumento de capital de até R$10 bilhões por meio de subscrição privada de novas ações, em uma operação proposta pelos acionistas controladores, que assumiram o compromisso de aportar até R$8 bilhões e garantir a viabilidade da transação. O objetivo é fortalecer a posição de capital do banco, acelerar o plano de transformação em andamento e ampliar a capacidade de investimento e crescimento. A operação apresenta maior segurança de execução do que a tentativa realizada em 2015, uma vez que os controladores já asseguraram o montante mínimo necessário para sua conclusão. Com a integralização total dos recursos, o índice de capital principal deverá apresentar melhora relevante, reduzindo as restrições de capital e fortalecendo a geração de capital tangível, que se tornou uma prioridade estratégica da administração. A operação também melhora a composição do patrimônio ao aumentar a participação do capital efetivamente disponível em relação aos ativos fiscais diferidos e outros componentes menos tangíveis. Além disso, o banco aprovou a antecipação do pagamento de juros sobre o capital próprio para facilitar a participação dos acionistas na subscrição. Apesar de a medida poder gerar reações mistas no curto prazo, ela sinaliza uma postura mais pragmática da administração na busca por soluções para desafios estruturais que vêm pressionando a rentabilidade e a tese de investimento da instituição.

Telecom & Tecnologia (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / / Bruno Henriques)

  • Intelbras (INTB3); COMPRA; Preço-alvo R$ 17,00

A Intelbras reportou um segundo trimestre melhor do que o esperado, com receita líquida consolidada em linha com as estimativas, mas com desempenho bastante distinto entre os segmentos, enquanto a rentabilidade ficou significativamente acima do previsto devido à expansão das margens brutas. O ganho de margem refletiu principalmente reajustes de preços realizados para compensar maiores custos de reposição, enquanto os estoques ainda estavam contabilizados a custos históricos mais baixos. No segmento de Segurança, a receita permaneceu estável em relação ao trimestre anterior, indicando um ambiente de volumes mais fraco, embora as margens tenham avançado de forma relevante. Em Comunicações, a companhia apresentou crescimento acima do esperado, impulsionado pela força do negócio de cabeamento estruturado e por um mix de produtos mais favorável. Já em Energia, a receita ficou abaixo das expectativas, mas as margens também avançaram devido à maior participação de produtos de maior rentabilidade e aos mesmos efeitos observados nos demais segmentos. A geração de fluxo de caixa permaneceu robusta, beneficiada pela contínua otimização do capital de giro mesmo com maiores investimentos para expansão. Apesar do crescimento mais moderado da receita líquida, a companhia continua avançando em rentabilidade, retorno sobre o capital investido e geração de caixa, mantendo uma dinâmica operacional consistente em todas as unidades de negócios.

Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Motiva (MOTV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 20,00

A Motiva reportou resultados sólidos no segundo trimestre, com receita líquida e EBITDA praticamente em linha com as estimativas, enquanto o lucro líquido ficou acima do esperado, refletindo a evolução consistente da eficiência operacional. A receita líquida foi impulsionada principalmente pela incorporação da concessão Minas_SP, antiga Fernão Dias, além do crescimento do tráfego comparável, reajustes tarifários e maior contribuição das novas concessões rodoviárias. No segmento de mobilidade urbana, o crescimento da demanda de passageiros e das receitas tarifárias sustentou a expansão da receita, com destaque para os efeitos dos aditivos contratuais em algumas concessões. A companhia também continuou apresentando ganhos de eficiência, com redução da relação entre custos operacionais e receita líquida ajustada. A alavancagem aumentou ligeiramente devido ao maior volume de investimentos realizados no trimestre e à inclusão de aproximadamente R$8,8 bilhões de compromissos de capex ligados à concessão Minas_SP. O backlog de investimentos atingiu cerca de R$63 bilhões, refletindo a expansão recente do portfólio. Além do desempenho operacional, a estrutura de governança foi fortalecida após a saída de uma construtora fundadora do bloco de controle, eliminando uma preocupação histórica associada à companhia e reforçando sua estratégia de criação de valor por meio de disciplina na alocação de capital.

  • Embraer (EMBJ3); COMPRA; Preço-alvo R$ 126,00

A ANA Holdings aprovou a aquisição de oito aeronaves adicionais E190-E2 da Embraer, que deverão ser entregues entre 2029 e 2032 e serão operadas pela IBEX Airlines, parceira regional da ANA no Japão. As novas aeronaves serão utilizadas na substituição da atual frota de CRJ-700 dentro de uma estratégia mais ampla de terceirização das operações domésticas por meio da parceria entre as duas companhias. O pedido é adicional ao compromisso anterior da ANA e ainda não está refletido na carteira de pedidos divulgada pela Embraer no segundo trimestre de 2026. A relação entre a ANA e o E190-E2 teve início em 2025, quando a companhia escolheu a aeronave para a renovação de sua frota doméstica, marcando a primeira encomenda da família E2 por uma companhia aérea japonesa. Diferentemente da encomenda anterior, que foi dividida entre diferentes fabricantes, o novo pedido foi direcionado exclusivamente à Embraer. A operação reforça o momento positivo do programa E2, ampliando a base de clientes recorrentes e fortalecendo a visibilidade da carteira de pedidos. O contrato também deverá contribuir para um aumento relevante do backlog da companhia no terceiro trimestre, somando-se às encomendas anunciadas recentemente no Farnborough Airshow.