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Sacre Investimentos
31 de mar. de 20269 min

Radar Diário de Ações - 31/03/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Estratégia (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Bruno Henriques)

  • Temporada de Resultados do 4T25

Com o fim da temporada de resultados do 4T25, a receita e o EBITDA consolidados, excluindo Petrobras e Vale, ficaram 4,4% e 2,0% acima das estimativas, respectivamente, enquanto o lucro líquido ficou 14,8% abaixo, ou 3,2% abaixo ao ajustar pelo prejuízo de cerca de R$ 10 bilhões da Braskem. Entre as companhias com exposição majoritariamente doméstica, receita, EBITDA e lucro líquido vieram 3,8%, 1,5% e 1,5% acima das estimativas, indicando que as commodities foram o principal fator negativo no lucro líquido. Na comparação anual, receita e EBITDA ex-Petrobras e Vale cresceram 5,4%, enquanto o lucro líquido caiu 6,4%; entre empresas domésticas, a receita subiu 6%, o EBITDA avançou 7% e o lucro líquido cresceu 5%. Apesar do desempenho um pouco melhor do que o esperado, houve desaceleração relevante da receita líquida no 4T25 frente aos trimestres anteriores, tanto no agregado quanto entre os nomes domésticos. Qualitativamente, os resultados pioraram na margem, com a diferença entre resultados fortes e fracos caindo para 6 p.p., ante 11 p.p. no 3T25. Entre os setores, 14 de 17 registraram crescimento de receita, com destaque nominal para Alimentos e Bebidas e Varejo, enquanto Imobiliário, Infraestrutura e Financeiro ex-Bancos lideraram em termos percentuais. Considerando o EBITDA, Infraestrutura teve trimestre sólido, enquanto Papel & Celulose ficou entre os destaques negativos, e em lucro líquido Varejo e Saúde se destacaram positivamente, ao passo que Bens de Capital apresentou pior desempenho, refletindo desalavancagem operacional, demanda mais fraca e condições financeiras mais desafiadoras.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Antonio Pascale / Luis Mollo, CFA)

  • Cyrela (CYRE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 40,00

A Cyrela segue otimista com o segmento de média e alta renda, apesar do aumento dos estoques e da piora na acessibilidade, e também pretende crescer de forma relevante na baixa renda. A companhia não vê motivo para reduzir lançamentos neste ano, espera normalização das paralisações em alvarás de construção e afirma que os custos de construção estão sob controle. No segmento de baixa renda, a Vivaz tem apresentado desempenho muito forte, apoiada pelas condições favoráveis do programa MCMV, custos de construção muito semelhantes aos dos concorrentes, compra de terrenos em condições atrativas e retorno sobre o patrimônio superior ao do nicho de média e alta renda. No segmento de média e alta renda, a companhia considera os estoques em São Paulo sob controle, destacando vendas fortes da maioria dos projetos lançados, envelhecimento do estoque em linha com o esperado e desempenho razoável no primeiro trimestre. Assim, a expectativa segue sendo de retomada dos lançamentos, caso o cenário permaneça como está, com perspectiva de normalização próxima dos alvarás. A mensagem reforça a confiança da administração na operação, com destaque para o desempenho acima do mercado no segmento de média e alta renda e para a boa performance da baixa renda. 

  • MRV (MRVE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 12,00

A MRV anunciou que sua subsidiária nos Estados Unidos, Resia, vendeu o projeto Tributary por US$ 73 milhões, ou cerca de R$ 387 milhões. O ativo, localizado na Geórgia, estava quase totalmente locado e já gerava NOI no 3T25, e a companhia vinha sinalizando há algum tempo a intenção de se desfazer desse projeto. Embora a venda seja positiva por mostrar avanço no cronograma de desinvestimentos da Resia, a avaliação exata do significado da operação em termos de valuation é limitada pela pouca disponibilidade de dados operacionais sobre os ativos da subsidiária. A companhia também já havia admitido a possibilidade de vender alguns ativos abaixo do cap rate implícito no último impairment, como forma de otimizar o timing. Com a venda do Tributary e de dois terrenos vendidos no início de janeiro, a Resia alcançou US$ 92 milhões em vendas de ativos em 2026. Para cumprir o plano de desinvestimento de US$ 800 milhões, ainda será necessário vender mais US$ 560 milhões até o fim do ano, embora a continuidade dessa agenda seja vista como positiva. 

Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Luis Mollo, CFA)

  • Eneva (ENEV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 31,00

O preço-alvo foi elevado para R$ 31 por ação, de R$ 20, para incorporar os resultados recentes, nossas projeções macro foram revisadas e, principalmente, os resultados do Leilão de Capacidade. A expectativa anterior já considerava, no mínimo, a adição de 1,3 GW de nova capacidade no leilão via Celse 2, além da renovação de contratos existentes de usinas como Parnaíba I, III, Itaqui, Pecém e plantas menores no Espírito Santo. O desempenho no leilão superou o esperado, com a contratação de 3,5 GW em novos projetos, ou 2,6 GW em base proporcional. Esse resultado elevou o preço-alvo e também impactou positivamente a estabilidade futura do fluxo de caixa, com receitas anuais totais de R$ 11,7 bilhões, ou R$ 9,6 bilhões em base proporcional, e duration média ponderada contratada de 13,44x. Em um cenário hipotético com margem EBITDA de 80%, isso implicaria em um EBITDA proporcional de R$ 7,7 bilhões no período. Desde a aquisição da Celse e a vitória no leilão da Eletrobras com a térmica Azulão, a companhia vem reduzindo sua dependência do despacho e passando de uma tese ligada a momentos de preços spot elevados para uma geradora de fluxo de caixa estável. Entre as oportunidades futuras estão o desenvolvimento da bacia de gás do Paraná, M&As em térmicas e em bacias onshore, expansão em terminais de GNL e eventual crescimento para países vizinhos, como a Argentina, com potencial de distribuir até R$ 41,5 bilhões em dividendos até 2032, caso não surjam novos projetos.

Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Simpar (SIMH3); COMPRA; Preço-alvo R$ 11,00

Os resultados do 4T da Simpar ficaram em grande parte em linha com as estimativas, com lucro líquido melhor do que o esperado. A receita líquida, divulgada anteriormente, somou R$ 11,3 bilhões, alta de 5% a/a, enquanto o EBITDA totalizou R$ 4,1 bilhões, avanço de 55% a/a, impactado por itens não recorrentes ligados a aquisições da JSL, despesas extraordinárias da Automob e resultado positivo da venda da Ciclus Rio. Excluindo esses efeitos, o EBITDA ajustado foi de R$ 3,2 bilhões, alta de 17% a/a e em linha com as projeções. O lucro líquido reportado foi de R$ 543 milhões, mas o resultado ajustado do trimestre foi de -R$ 55 milhões, ou -R$ 170 milhões ex-minoritários. Entre as subsidiárias, Vamos teve trimestre ligeiramente melhor, Movida entregou resultados fortes, JSL mostrou desempenho misto, Automob seguiu refletindo tendências fracas, e os ativos não listados apresentaram evolução operacional distinta. A alavancagem caiu na comparação trimestral após os recursos da venda da Ciclus Rio, com a relação dívida líquida/EBITDA em 3,0x, enquanto o mercado deve acompanhar a execução da agenda de crescimento sustentável e a conclusão do aumento de capital anunciado.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)

  • Natura (NATU3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 12,00

A Natura anunciou que fundos geridos pela Advent International se comprometeram a adquirir uma participação minoritária de 8% a 10% por meio de compras no mercado secundário, a um preço-alvo médio implícito de R$ 9,75 por ação, equivalente a prêmio de 5,4% sobre o fechamento do dia. A operação, a ser executada em até seis meses, implica a aquisição de pelo menos cerca de 110 milhões de ações, podendo chegar a aproximadamente 137 milhões, sem injeção de capital primário. A entrada de um patrocinador financeiro adiciona credibilidade à tese de investimento e pode servir de catalisador para reprecificação, em meio a um processo de reestruturação ainda em andamento. Um ponto central do acordo é a reestruturação de governança, que dará à Advent o direito de indicar dois membros para o Conselho de Administração ao atingir a participação-alvo, além de participar de comitês consultivos. O novo acordo de acionistas prevê um conselho com 9 a 10 membros, combinando diretores independentes e não independentes, e a criação de um conselho consultivo com os fundadores e lideranças históricas. Luiz Seabra, Guilherme Leal, Pedro Passos e Fabio Barbosa deixarão o Conselho de Administração e passarão ao novo conselho consultivo, enquanto Alessandro Carlucci assumirá a presidência do conselho. A operação reforça a tese da Natura após um ciclo de transformação com venda de ativos, simplificação operacional e recuperação de margens, mas os desafios de retomada da receita líquida, estabilização da base de consultoras e entrega consistente de rentabilidade permanecem relevantes.

  • Nota Setorial - Varejo & Consumo

O debate sobre uma possível mudança ou revogação da chamada taxa das blusinhas voltou ao centro das atenções, com notícias indicando que integrantes da base do governo começaram a medir apoio político para rever o imposto de importação sobre compras internacionais abaixo de US$ 50. A eventual redução da tarifa buscaria melhorar a percepção de renda da população por meio da queda de preços de itens importados de baixo valor, mas aumentaria a pressão competitiva sobre varejistas locais. Após a mudança regulatória de 2024, que introduziu tarifa de 20% mais ICMS para remessas de até US$ 50, os volumes de encomendas caíram de cerca de 18 milhões por mês antes do imposto para aproximadamente 11 milhões em dezembro de 2024, embora recentemente já tenham voltado para a faixa de 15 milhões a 17 milhões por mês. Mesmo com essa recuperação, varejistas locais de vestuário seguem ganhando participação de mercado, apoiados por melhor execução e investimentos em sortimento e preço. Em pesquisa proprietária comparando uma cesta de oito produtos entre Renner, C&A, Riachuelo e Shein, a plataforma chinesa aparece 6% mais barata que a Riachuelo, 10% mais barata que a Renner e 13% mais barata que a C&A, embora essa diferença tenha diminuído em relação aos levantamentos de 2024 e 2025. O impacto de eventual revogação depende do grau da mudança tributária, da competitividade atual dos varejistas locais e da evolução das próprias plataformas, que aumentaram a presença de vendedores domésticos e os investimentos em logística local. Em um ambiente de juros elevados, renda pressionada, alavancagem das famílias ainda alta e inflação acumulada, empresas mais expostas à alta renda parecem mais protegidas, mas o setor como um todo negocia, em média, a 8x P/L 2026, já refletindo uma visão mais pessimista para o consumo de curto prazo no Brasil, especialmente no primeiro semestre de 2026.