Radar Diário Diário de Ações - 02/02/26
Estratégia (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Bruno Henriques)
- Carteira recomendada de ações – 10SIM
Fluxos, fluxos e mais fluxos; em busca de bons múltiplos e catalisadores de valorização
Com fortes fluxos de investidores estrangeiros levando os múltiplos do Ibovespa a níveis mais próximos das médias históricas (P/L de 11,2x 12 meses à frente contra 11,9x média histórica), decidimos ajustar a carteira em busca de ações que ainda estão sendo negociadas a múltiplos atraentes, que tenham catalisadores específicos ou ambos. No geral, não estamos mudando a forma como a carteira está posicionada de maneira significativa.
A Axia substitui a EQTL; a Rede D'Or sai; aumentando a posição de Localiza
Estamos mantendo nossa exposição a serviços básicos inalterada em 20%, mas aumentando o peso das geradoras, substituindo a Equatorial pela Axia, enquanto mantemos a Eneva. A Axia é a principal beneficiária do cenário atual de preços mais altos da energia. Após um longo período na carteira e um desempenho muito forte, decidimos remover taticamente a Rede D'Or. Para manter uma alta parcela da carteira em ações de qualidade com fluxo de caixa concentrado no longo prazo, estamos aumentando o peso da Localiza de 10% para 15%.
Maior exposição ao setor financeiro: Stone é a novata; PRIO substitui EMBJ
A Stone entra com 5%. A ação está sendo negociada a um valuation atraente (P/L de 6,5x) e deve pagar dividendos consideráveis, ajudada pelos recursos da venda da Linx (o yield dos dividendos pode chegar a 25%). Os bancos estão com uma participação de 25%, mas decidimos aumentar o Nubank para 15% (de 10%) e reduzir o Itaú para 10% (de 15%). A Embraer está saindo, após o desempenho estelar da ação, e sendo substituída pela Prio, uma empresa de petróleo e gás, negociada com uma yield de geração de caixa de 19% para 2026. A produtora de ouro Aura permanece por mais um mês.
A Allos substitui a Cyrela; a Raia completa a 10SIM
A Cyrela está saindo após a recuperação (continua barata, com P/L de 6,5x). Estamos substituindo-a pela operadora de shopping centers Allos, negociada a 10x P/FFO para 2026 e um yield de dividendos de 11%. A rede de farmácias Raia completa a 10SIM.
Estratégia (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Bruno Henriques)
- Carteira recomendada de ações – Small Caps
As novidades
Vitru e C&A são as novidades deste mês.
Quem permanece e quem sai
Aura, Inter, Copasa, Sanepar, GPS, 3tentos, Pague Menos e Tenda mantêm suas posições, enquanto Unifique e Vivara deixam a carteira.
Estratégia (Bruno Henriques / Luis Mollo, CFA / Marcel Zambello)
- Carteira recomendada de ações – Dividendos
Mudanças para fevereiro
Para nossa carteira de fevereiro, retiramos Vale (VALE3) e a substituímos por Axia Energia (AIXA3). Ajustamos também as posições de Caixa Seguridade (+5%), B3 (-5%).
Estratégia (Bruno Henriques / Arthur Mota / Luis Mollo, CFA / Marcel Zambello)
- Carteira recomendada de BDRs
EUA: equilibrando exuberância macro com agenda externa volátil
A economia dos EUA segue crescendo acima do potencial, sustentada pela demanda doméstica privada, com consumo das famílias acima de 3% e contribuição relevante do capex em IA, que adicionou cerca de 0,75 ponto percentual ao crescimento recente. Esse pano de fundo, combinado ao impulso fiscal pós-OBBBA, aos efeitos defasados da política monetária e à menor pressão tarifária, sustenta a aceleração do PIB de 2,2% em 2025 para algo próximo de 2,75% em 2026.
O mercado de trabalho mostra estabilização, com redução do desemprego e normalização na geração de vagas, reforçando a resiliência do ciclo. No curto prazo, a inflação deve enfrentar pressões sazonais. Nesse contexto, o Fed pausou os cortes de juros em janeiro e deve permanecer em compasso de espera ao longo do primeiro semestre. Se houver flexibilização, ela tende a ocorrer apenas a partir de junho, com dois cortes de 25 bps. Por fim, a escolha de Kevin Warsh para o Fed por Trump surpreendeu positivamente os mercados por sinalizar continuidade institucional.
Carteira para Fevereiro/26 | Entra Royal Caribbean Cruises e Tesla; saem Berkshire Hathaway e Morgan Stanley
As alterações na carteira refletem uma visão mais construtiva para o ciclo global, com aumento seletivo de risco e maior exposição a teses cíclicas e temáticas. A performance recente reforça esse movimento, com o S&P 500 em alta de 9,0% e o Russell 2000 avançando 17,0% nos últimos seis meses, indicando rotação para ativos mais sensíveis ao crescimento econômico.
A inclusão de Royal Caribbean aumenta a exposição ao consumo discricionário, apoiada por atividade econômica resiliente, resultados sólidos no 4T25 e pelo catalisador dos tax refunds nos EUA, que devem crescer 20-30% em 2026 e impulsionar o consumo. A entrada de Tesla está baseada na melhora da narrativa estrutural relacionada a veículos autônomos e robôs humanoides, somadas à recuperação dos fundamentos do negócio de veículos elétricos após o 4T25.
A saída de Berkshire reflete a rotação da carteira para ativos com maior beta ao ciclo econômico. No setor financeiro, apesar da visão construtiva para o segmento, os múltiplos de negociação dos grandes bancos norte-americanos estão em patamares exigentes e, diante da ausência de catalisadores de curto prazo, optamos por retirar Morgan Stanley da carteira.
Transportes (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Nota Setorial - Transportes
As estimativas para o quarto trimestre indicam melhora sequencial na maior parte da cobertura, embora o lucro líquido permaneça pressionado por juros elevados no pico do ciclo monetário brasileiro. Locadoras de veículos leves devem apresentar resultados sazonalmente fortes, com tendências t/t positivas e continuidade do repasse de preços para recompor spreads de ROIC. A depreciação de ativos deve mostrar trajetória mais controlada, conforme indicadores mensais de mercado. No segmento de aluguel de equipamentos pesados, os resultados devem ser mais fracos, com maior desmobilização de ativos e efeitos de sazonalidade negativa, apesar do esforço para recuperar margem. Parte das empresas do segmento deve reportar lucro líquido pressionado pelo custo financeiro elevado e pela alavancagem. No setor de bens de capital, o trimestre tende a ser mais fraco, com impactos de câmbio, tarifas e bases de comparação desafiadoras. Algumas companhias devem enfrentar produção e exportações mais fracas, além de pressão de volumes. No segmento de autopeças, a tendência é de desaceleração sequencial e margens comprimidas por alavancagem. Operadoras de concessões rodoviárias devem apresentar desempenho resiliente, apoiado por tráfego positivo e execução de margens. Empresas de logística devem reportar números mistos, com crescimento orgânico em alguns casos e pressão financeira em outros. As companhias aéreas registraram tráfego e taxas de ocupação sólidos, com yields resilientes, resultando em trimestre sazonalmente mais forte.
Reuniões com investidores no Rio de Janeiro indicaram ambiente mais construtivo, apoiado por entrada positivas em renda variável brasileira. Ainda que muitos fundos locais permaneçam “subalocados” a commodities, a disposição para discutir empresas específicas e valuation aumentou. Localiza apresentou percepção mais favorável, com volumes de seminovos melhores, operação de aluguel resiliente e poder de precificação acima da inflação. Tendências de depreciação permanecem estáveis e as estimativas de resultados parecem mais realistas. Para WEG, o câmbio mais forte surgiu como novo ponto de preocupação, embora margens sigam vistas como estruturalmente sólidas. Discussões também abordaram sistemas de armazenamento de energia e a capacidade de construir vantagem competitiva frente a fornecedores chineses. A Embraer recebeu um tom mais cauteloso após forte valorização recente, com expectativa de normalização do momento de resultados. Motiva concentrou debates em valuation e leilões futuros, com foco na TIR real e oportunidades de novas concessões. Rumo foi avaliada principalmente sob política comercial, tarifas, perspectivas de safra e disciplina de capex. GPS apresentou sentimento levemente melhor, com crescimento orgânico mais forte, mas expectativa de normalização e possível retomada de aquisições. Marcopolo e LATAM Airlines tiveram interesse tático, sustentado por valuation atrativo, potenciais licitações públicas e exposição a tendências macro globais, embora ainda sem posicionamento estrutural relevante dos investidores.
Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
- Nota Setorial - Educação
Atualizamos os dados estatísticos sobre o mercado de graduação no Brasil, o segmento K-12 e indicadores selecionados da América Latina, com foco em Peru e México. A base de dados utiliza majoritariamente informações oficiais de 2024, dado que diversos números de 2025 ainda não estão disponíveis. Os dados reforçam a visão de que os principais desafios estruturais enfrentados pelo setor ao longo da última década ficaram para trás. A expansão acelerada do ensino a distância e seu efeito de canibalização sobre cursos presenciais se estabilizaram de forma relevante. O crescimento do ensino remoto desacelerou materialmente e não há mais espaço significativo para novas quedas nas matrículas presenciais. Atualmente, alunos presenciais privados representam cerca de 40% da base total de graduação privada e essa participação deve permanecer estável. A expectativa é de crescimento robusto dos cursos híbridos, ainda que o Ministério da Educação não forneça detalhamento adequado desse segmento. Parte relevante do aumento recente da base total de alunos é atribuída à maior adoção do modelo híbrido. As matrículas privadas de graduação atingiram 8,2 milhões em 2024, ante 6,5 milhões em 2019. Programas híbridos tendem a apresentar tíquetes médios estruturalmente mais altos que cursos totalmente remotos, beneficiando economicamente o setor. As companhias listadas entram em uma nova fase de forte geração de fluxo de caixa, com yields próximos a 14% em 2026, sustentadas por desalavancagem, expansão de EBITDA, momento operacional sólido, maior poder de lucro líquido e valuation descontado.
Mineração & Siderurgia (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)
- CBA (CBAV3)
A companhia confirmou que Chinalco e Rio Tinto assumirão o controle e deverão estender uma oferta pública aos minoritários. O movimento já vinha sendo especulado pelo mercado há meses. O preço ofertado de R$10,50 por ação ficou muito próximo da cotação de tela de R$10,30 no momento do anúncio. Parte dos investidores esperava um prêmio maior, embora as ações já acumulassem alta de cerca de 45% em um mês. A transação implica venda a aproximadamente 4x EBITDA projetado para 2026 com parâmetros correntes. Esse múltiplo é considerado baixo frente ao valor estratégico do ativo, que inclui posição relevante em energia limpa, reservas de bauxita e escalabilidade. O valuation fica descontado frente a pares internacionais negociando entre 5,8x e 7,8x EBITDA. Em um cenário com múltiplo de 5x EBITDA, o valor implícito poderia atingir R$14 a R$15 por ação. O acionista controlador venderá 68,6% do capital por valor base de R$4,69 bilhões, ajustado pelo CDI até o fechamento. A conclusão depende de aprovações regulatórias e antitruste em diversas jurisdições. Minoritários terão direito a oferta obrigatória nas mesmas condições econômicas e o fechamento costuma levar de quatro a seis meses. O movimento reforça a valorização estratégica de ativos de commodities em meio à busca por segurança de suprimentos, integração energética e alocação de capital em ativos reais de longa duração.
