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Sacre Investimentos
02 de mar. de 202610 min

Radar Diário Diário de Ações - 02/03/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Estratégia (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Bruno Henriques)

  • Carteira recomendada de ações – 10SIM

O dinheiro continua vindo; o conflito no Irã nos levou a manter inalterada a exposição ao petróleo e ao ouro

Após mais um mês de fortes fluxos estrangeiros e bom desempenho do Ibovespa, as ações brasileiras estão sendo negociadas muito próximas de sua média histórica. Continuamos nossa busca por nomes relativamente baratos, líquidos e com gatilhos específicos. O conflito no Irã nos levou a manter nossa exposição ao petróleo e ao ouro inalterada, por meio da Aura e da PetroRio, embora ambas as ações tenham apresentado forte desempenho este ano.

Motiva entra: TIR real de 11%; Raia sai

Estamos trazendo a operadora Motiva. Em 2025, a empresa simplificou seu portfólio e está mais bem preparada para aproveitar um robusto pipeline de novos projetos e outra rodada de reciclagem de capital. Vemos a ação sendo negociada a uma atraente TIR real de 11%. Com essa mudança, estamos aumentando nossa exposição a ações de fluxo de caixa de alta qualidade e long duration para 25%, já que a Localiza faz parte da 10SIM com 15%. Para abrir espaço para a Motiva, estamos removendo o varejista farmacêutico Raia. Embora ainda vejamos a Raia como uma ótima ação/empresa com alguns gatilhos específicos, ela teve um desempenho forte e suas múltiplos estão altos (28x P/L para 2026).

Reduzindo nossa exposição ao setor financeiro; NU é reduzido para 10% (de 15%)

Temos uma grande parte de nossa carteira alocada em bancos, por meio do Itaú e do Nubank, mas decidimos reduzir nossa exposição ao último para 10% (de 15%), após resultados abaixo do esperado. Nossa exposição ao setor financeiro é complementada pela Stone (5%).

Aumentamos ligeiramente a exposição a serviços básicos; a Axia agora tem 15%; a Allos permanece mais um mês

Estamos mantendo nossa carteira investida nas geradoras de energia Axia e Eneva, mas aumentando a Axia para 15% (de 10%) e a exposição geral aos serviços básicos para 25%, de 20%. No consumo, continuamos com a operadora de shopping centers Allos.

Estratégia (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Bruno Henriques)

  • Carteira recomendada de ações – Small Caps

As novidades:

Smart Fit é a novidade deste mês.

Quem permanece e quem sai:

Aura, Copasa, Sanepar, GPS, 3tentos, Pague Menos, C&A, Tenda e Vitru mantêm suas posições, enquanto Inter deixa a carteira.

Estratégia (Bruno Henriques / Luis Mollo, CFA / Marcel Zambello)

  • Carteira recomendada de ações – Dividendos

Mudanças para março

Para nossa carteira de março, retiramos a B3 (B3SA3) e Sanepar (SAPR11) para dar espaço para Aura (AURA33), Prio (PRIO3) e Odontoprev (ODPV3).

Estratégia (Bruno Henriques / Arthur Mota / Luis Mollo, CFA / Marcel Zambello)

  • Carteira recomendada de BDRs

EUA: a volta da discussão tarifaria

A economia americana segue resiliente e deve continuar crescendo em 2026, após avançar 2,2% em 2025, com demanda doméstica privada avançando 2,5%. Para o 1T26, a atividade deve ser beneficiada pela normalização após o shutdown do governo, apesar de alguma volatilidade provocada pelo clima mais frio e por efeitos temporários no setor de serviços. Mantemos projeção de crescimento de 2,75% para o PIB em 2026, sustentada por um ambiente macroeconômico favorável.

Na política econômica, a decisão da Suprema Corte reduziu parte das tarifas ligadas à IEEPA, melhorando o balanço de riscos para a inflação, embora a reação da Administração ainda mantenha a tarifa média elevada no curto prazo. Nossa visão é que o núcleo do CPI deve acelerar no primeiro semestre de 2026, mas desacelerar para 2,5% no segundo semestre, com menor pressão tarifária e menor impacto de serviços. Nesse contexto, o Fed segue cauteloso, mas já reconhece um balanço de riscos mais equilibrado entre inflação e emprego. Seguimos projetando dois cortes de juros em 2026, com a taxa encerrando o ano entre 3,00% e 3,25%.

Carteira para Março/26 | Entram Apple, Bank of America e Micron; saem Eli Lilly e Tesla; Redução em Microsoft e Amazon

As entradas em março reforçam uma combinação de defensividade, exposição a ciclos mais favoráveis e melhor assimetria de valuation. A Apple entra como uma tese mais defensiva, apoiada na estratégia asset light em inteligência artificial e na expectativa de melhora do ciclo do iPhone. A Micron apresenta atributos mais cíclicos, mas com características estruturais, em um mercado de memória ainda desbalanceado, o que sustenta a visão de um ciclo mais longo. Já o Bank of America aumentar a participação do setor financeiro na carteira por ser o nome mais próximo de um pure play de receitas de juros entre os grandes bancos dos EUA, com potencial de se beneficiar da expansão do crédito e ambiente regulatório mais favorável.

A saída de Eli Lilly está relacionada à ausência de catalisadores relevantes no curto prazo, enquanto a retirada de Tesla aumenta o espaço para nomes mais defensivos em um mercado mais favorável a teses cíclicas e de valor. Além disso, reduzimos Microsoft e Amazon diante de uma narrativa menos favorável para os hyperscalers no curto prazo, devido a revisões positivas de guidance e múltiplos de Preço/Fluxo de caixa elevados.

Performance 

No último mês, a carteira de ações internacionais apresentou queda de 6,4%, (vs. BDRX com -5,1%). Desde o início (14/07/2021), a carteira recomendada apresentou um retorno de 7.6 p.p acima do BDRX.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Luis Mollo, CFA)

  • Nota Setorial - Varejo & Consumo

Diversas ações de varejo negociam abaixo da média histórica de seus múltiplos, enquanto as estimativas consensuais de lucro líquido para 2026 no varejo discricionário foram revisadas para baixo ao longo dos últimos seis meses, refletindo incerteza macro e consumo mais fraco. O varejo brasileiro permanece impactado pelo cenário macro, com decisões de alocação ancoradas na visibilidade das condições domésticas e internacionais, e a pesquisa de sentimento, com 19% de investidores estrangeiros, avaliou posicionamento e estimativas para LREN, CEAB, SMFT, VIVA, RADL e ASAI. Os investidores reduziram exposição ao setor versus outubro, mas uma parcela maior pretende aumentar posição no curto prazo, com Mercado Livre, Raia Drogasil e C&A registrando maior aumento nas posições compradas, enquanto Vivara perdeu participação entre as preferidas e Magalu e Assaí apresentaram forte redução nas posições vendidas, com AZZA liderando entre as vendidas. As estimativas de curto prazo para vestuário e alimentos foram revisadas para baixo, com o consenso apontando crescimento de vendas nas mesmas lojas entre 0% e 1% no 1T de 2026 e negativo no 2T para LREN e CEAB, além de revisões positivas para RADL e consenso de lucro líquido de 2026 para VIVA entre R$650–700 milhões. 

Publicamos pesquisa com varejistas, com métricas relevantes para a avaliação de desempenho do setor. A confiança do consumidor caiu sequencialmente em fevereiro, mas permaneceu 3% acima do nível do ano anterior. No comércio eletrônico, a participação relativa baseada em tráfego web mostrou Amazon em 26,5% em janeiro, Shopee em 22,3% e MELI em 33,7%, todas com variação positiva a/a. A inflação de alimentos nos últimos 12 meses desacelerou para 2,2% em janeiro ante 3,0% em dezembro, enquanto vestuário desacelerou para 4,9% ante 5,0%, e houve queda nas posições vendidas em SMFT, ASAI e CEAB, com aumento em PCAR, AZZA e AUAU. O setor negocia próximo a 11x P/L para 2026, com fundamentos pressionados e preferência por varejistas farmacêuticos, SmartFit, Vivara e C&A, além de cautela em segmentos discricionários dependentes de crédito.

Alimentos & Bebidas (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

  • M. Dias Branco (MDIA3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 25,00

O modelo de negócios de M. Dias Brando, baseado em integração vertical e distribuição direta a varejistas fragmentados, foi afetado pelo surgimento de novos intermediários, como atacarejos, reduzindo a rentabilidade junto a pequenos clientes. Após a aquisição da Piraquê em 2017, a companhia priorizou valor unitário por meio de construção de marca e marketing, renunciando participação de mercado, com volumes médios dos últimos três anos similares aos de uma década atrás. A retomada do foco em volume mostrou eficácia nos últimos dois trimestres, porém com custos maiores que o esperado e maior volatilidade de receitas, com menor necessidade de preço diante de ambiente de custos mais benigno. As margens foram pressionadas por custos fixos mais elevados e aumento de custos de vendas e administrativos por tonelada, atingindo máxima histórica no 4T de 2025, levando à redução das estimativas de curto e longo prazo. Para 2026, são projetadas receita de R$10,7 bilhões, EBITDA de R$1,3 bilhão e lucro líquido de R$709 milhões, com recomendação Neutra mantida e preço-alvo de R$25 por ação.

Bens de Capital (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Marcopolo (POMO4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 10,00

Após o 3T alteramos a recomendação para Neutra, existiam preocupações de curto prazo relacionadas a desaceleração no fim do ano e percepção de menor crescimento no médio prazo, mas o 4T superou as estimativas, com receita ligeiramente acima do projetado e margem EBITDA de 17%, ou 19% ajustada por efeito não recorrente de R$62 milhões. Apesar do resultado acima das nossas estimativas, a companhia indicou desaceleração em janeiro e fevereiro, além de sinalizar que 2026 deve apresentar mix menos favorável e demanda doméstica ainda pressionada por juros elevados. Revisamos as estimativas para incorporar os resultados e novas premissas macro, com projeção de receita de R$9,6 bilhões em 2026 e R$10,7 bilhões em 2027, margens EBITDA de 18,0% e 18,1% e lucro líquido de R$1,3 bilhão em ambos os anos. Reiteremos preço-alvo em R$10 por ação, com custo médio ponderado de capital de 13,4% e custo de capital próprio de 15,7%, mantendo a recomendação Neutra. Embora haja potenciais vetores positivos como micro-ônibus, ônibus urbanos, Argentina, dividendos e eletrificação, permanecem riscos relacionados a mix, câmbio, sustentabilidade de margens e crescimento estrutural.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)

  • Nota Setorial - Construção Civil

Lançamentos e vendas em São Paulo cresceram 34% e 9% a/a, respectivamente, mesmo diante de cenário macro desafiador, com forte contribuição do segmento de baixa renda e avanço do programa MCMV, que respondeu por 61% dos lançamentos e 64% das vendas em 2025. O segmento de média renda apresentou paralisação nos lançamentos, refletindo menor acessibilidade e ambiente regulatório menos favorável. No segmento de média e alta renda, os lançamentos cresceram 41% a/a, mas as vendas caíram cerca de 11% a/a, elevando estoques para 38,8 mil unidades, equivalentes a aproximadamente 11 meses de vendas. Apesar da desaceleração na velocidade de vendas, os níveis atuais de estoque foram considerados administráveis, embora preocupação aumente caso atinjam 15 a 16 meses de vendas. As incorporadoras demonstram postura mais cautelosa para 2026, citando cenário político polarizado, pressão de margens, custos trabalhistas e juros elevados, com destaque para proposta de redução da jornada de trabalho como potencial fonte relevante de pressão de custos.

Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)

  • Nota Setorial - Petroleo & Gás

A escalada geopolítica no Oriente Médio após ataques coordenados dos EUA e de Israel ao Irã elevou o prêmio geopolítico no Brent, principalmente devido a possíveis restrições logísticas no Estreito de Hormuz, por onde transita cerca de 20% do comércio global de petróleo e GNL. Embora não haja perda estrutural confirmada de produção, atrasos no transporte, aumento de custos de seguro e riscos de navegação têm reduzido a disponibilidade efetiva de oferta no curto prazo. O impacto é ampliado pela relevância estrutural do Golfo, responsável por aproximadamente 25% da demanda global de petróleo, e pela maior exposição de economias asiáticas às exportações da região. Nesse contexto, projeta-se Brent entre US$75–80 por barril, com possibilidade de superar US$80 em caso de nova escalada, beneficiando empresas brasileiras de Óleo & Gás. PRIO é apontada como principal exposição a preços mais altos de petróleo, por ter 100% da produção em óleo e menor nível de hedge, enquanto Petrobras, Brava e PetroReconcavo apresentam menor sensibilidade devido a refino, hedge e maior participação de gás natural.