Radar Diário Diário de Ações - 03/02/26
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Pedro Lima / Luis Mollo, CFA)
- Vivara (VIVA3); COMPRA; Preço-alvo R$ 36,00
Vivara consolidou sua tese de investimento como consenso no segundo semestre de 2025 após uma sequência de resultados consistentes, sustentados por crescimento resiliente da receita e margens estruturalmente mais elevadas. A companhia se beneficiou de ajustes na estrutura de custos, evolução favorável do mix e aumento deliberado dos estoques de ouro adquiridos em 2024, o que sustentou as margens ao longo de 2025. Esse posicionamento reforçou sua reputação como operadora de referência no setor. Com os preços de ouro e prata permanecendo elevados em 2026, a discussão migra da qualidade de execução para a sustentabilidade das margens sem comprometer volumes. O ouro representa cerca de 80% do valor dos produtos da marca Vivara, enquanto a prata responde por aproximadamente 50% do conteúdo da bandeira Life. A inflação do ouro afeta diretamente preços e acessibilidade, enquanto a prata impacta categorias de maior giro e volume. O CPV representou cerca de 28,6% da receita líquida no terceiro trimestre de 2025, implicando margem bruta de 71,4%, e historicamente os repasses de preços superaram a inflação de custos. Markups elevados em prata e ajustes de design e peso em ouro ajudam a preservar a rentabilidade. A companhia iniciou 2026 com estoques relevantes de ouro e maior flexibilidade fabril, reduzindo a exposição a preços spot. A estratégia mantém foco em geração de caixa, crescimento de vendas mesmas lojas na Life e expansão do ROIC, priorizando otimização de margens sobre volume. Com valuation atrativo de aproximadamente 9,5x P/L e recomendação de compra, a empresa segue bem-posicionada mesmo com um cenário macro mais desafiador.
Transportes (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Localiza&Co (RENT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 55,00
O acompanhamento mensal do banco de dados da FIPE indicou desempenho de preços de veículos usados dentro das expectativas, reforçando a normalização do setor. Havia receio de quedas abruptas de preços no início do ano que poderiam prejudicar o controle de depreciação, especialmente após notícias sobre reduções no Volkswagen Taos. Um mês depois, não foram observadas quedas relevantes, sugerindo que o movimento esteve ligado a ações pontuais de marketing das montadoras. Em janeiro, os preços de veículos novos subiram 0,4% t/t, enquanto os usados recuaram 0,5% t/t, dentro do intervalo considerado normal de 0,3% a 0,5%. O spread entre preços de usados e novos atingiu 0,9%. A análise contemplou os 15 modelos mais vendidos nos últimos 18 meses e anos-modelo de 2023 a 2026. Por ano, as quedas variaram entre 0,3% e 0,8%, com destaque negativo para Tracker, Logan e Fastback. Alguns modelos apresentaram valorização, como Basalt, Mobi e HB20S. O crédito automotivo permaneceu resiliente, com carteira de pessoas físicas em R$398 bilhões e concessões totais de R$28,4 bilhões no mês. As tendências indicam depreciação mais controlada e maior previsibilidade para locadoras. O foco do setor é o desvio da depreciação frente às expectativas, e os dados recentes reforçam um ambiente mais normalizado. Localiza segue como Top Pick, negociando a cerca de 13x P/L para 2026, embora riscos incluam estratégias de montadoras chinesas, portfólio das incumbentes e impactos de programas tributários.
Telecom & Tech (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Tcha Chan / Bruno Henriques)
- Totvs (TOTS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 55,00
A TOTVS anunciou a aquisição dos 37,5% detidos pela B3 da Dimensa por R$665 milhões e, simultaneamente, a venda de 100% da Dimensa para a Evertec por R$1,4 bilhão. A transação implica valor da firma de R$950 milhões para o ativo. O valor do capital próprio é inferior aos R$1,6 bilhão implícitos na entrada da B3 em 2021, enquanto o valor da firma permanece inalterado. Como a TOTVS já consolidava integralmente o caixa da Dimensa, o pagamento à B3 resulta em entrada líquida adicional de aproximadamente R$285 milhões antes de impostos. A operação também libera cerca de R$450 milhões de caixa anteriormente restritos ao perímetro da subsidiária. O impacto financeiro direto é considerado pouco material frente ao porte da companhia. O lucro líquido anualizado da Dimensa era de cerca de R$80 milhões, equivalente a múltiplo implícito de 17–18x P/L na venda. O principal benefício é estratégico, ao remover um ativo não essencial e com poucas sinergias. A alienação reduz distrações gerenciais e simplifica a estrutura operacional. A companhia passa a concentrar esforços e capital nas operações principais. Esse redirecionamento tende a aumentar foco e eficiência na execução do core business.
Shoppings (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)
- Allos (ALOS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 39,00
Allos passou a adotar uma estratégia mais orientada em geração de valor, com ênfase em dividendos elevados, tornando sua tese de investimento mais atrativa. As estimativas foram revisadas para incorporar novo guidance de dividendos e projeções atualizadas. A ação negocia a uma TIR real ao acionista de aproximadamente 11%, equivalente a cerca de 10x P/FFO e yield de 11% para 2026. A companhia tem histórico relevante de fusões e aquisições, incluindo a união com a Sonae Sierra e posteriormente com a BRMalls. O portfólio atingiu 2,2 milhões de m² de ABL distribuídos em 53 shoppings. Desde então, nove ativos foram vendidos, reduzindo a área para 1,9 milhão de m². A alavancagem caiu para 1,7x Dívida Líquida/EBITDA, ante 2,1x no quarto trimestre de 2023. Apesar de dividendos estimados acima da geração de caixa em 2026, a distribuição é considerada sustentável por ao menos três anos. A geração de fluxo de caixa tende a crescer com menor capex, maturação dos ativos e redução de despesas administrativas. O guidance indica pagamentos médios de R$0,29 por ação ao mês, resultando em yield próximo de 11% ao ano. Com múltiplo atrativo, menor capex e foco em remuneração ao acionista, a recomendação é de compra com preço-alvo de R$39 por ação.
Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)
- Petrobras (PETR4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 40,00
Nossas estimativas indicam que os dividendos do quarto trimestre de 2025 podem ficar abaixo do consenso de mercado, que projeta US$1,7 bilhão. A divulgação dos próximos dados operacionais deverá fornecer melhores insumos para revisar as projeções trimestrais. Ainda assim, a expectativa de dividendos é considerada otimista diante de possível aceleração do capex no fim do ano e saídas de caixa não recorrentes relacionadas ao leilão da PPSA e ao acordo Jubarte AIP. Considerando EBITDA entre US$10,5–11,5 bilhões e capex caixa entre US$5,2–5,8 bilhões, os dividendos mais prováveis seriam de cerca de US$1,3 bilhão, equivalentes a yield trimestral de aproximadamente 1,4%. A recomendação permanece neutra, refletindo perspectiva financeira apertada e baixa visibilidade macroeconômica e política. Além disso, projeções pouco atrativas de fluxo de caixa para o acionista e yield em 2026 limitam o potencial de valorização no curto prazo. No segmento de exploração e produção, a produção ficou estável em cerca de 2,5 milhões de barris por dia, enquanto o Brent recuou aproximadamente 8% t/t, resultando em EBITDA estimado de US$10,2 bilhões. No refino, o EBITDA deve permanecer resiliente, apoiado por “crack spreads” sólidos e volumes robustos, com margem de cerca de US$8,5 por barril equivalente. O capex total de 2025 pode se posicionar no topo do guidance, em torno de US$20,4 bilhões, caso haja aceleração de investimentos em exploração em Búzios. O capital de giro segue incerto, com premissa de redução de US$500 milhões, embora o crescimento das operações dificulte estimativas trimestrais. Consolidando essas variáveis, o fluxo de caixa livre estimado é de aproximadamente US$2,8 bilhões, incluindo entradas de M&As, o que implica dividendos entre US$1,2–1,5 bilhão e risco de frustração frente ao consenso.
