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Sacre Investimentos
04 de mar. de 202610 min

Radar Diário Diário de Ações - 04/03/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Bens de Capital (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • WEG (WEGE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 65,00

A principal oportunidade de crescimento de longo prazo da WEG está em sua linha de motores de baixa tensão. Investidores frequentemente buscam extrapolações complexas para explicar a trajetória de crescimento da companhia, mas há uma oportunidade mais direta em seu negócio principal. Três verticais específicas sustentam essa oportunidade: a saída da Siemens do segmento após a cisão que originou a Innomotics, a menor capacidade de crescimento da Nidec e a conversão da marca de motores da GE para Wolong a partir de 2028. O mercado de motores de baixa tensão depende principalmente de vendas por OEMs (Fabricante Original de Equipamento) e distribuidores, com compras baseadas em fornecedores aprovados, disponibilidade local e confiabilidade de serviço. Mudanças de propriedade intelectual, marca ou governança podem desencadear ciclos de requalificação de fornecedores e atualização de registros comerciais. Em um mercado estável e padronizado com baixos custos de troca, essas mudanças podem deslocar gradualmente participação de mercado para empresas com marca estável, governança sólida e fortes relações de distribuição, como a WEG.

Transportes (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Localiza&Co (RENT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 65,00

Os resultados do 4T da Localiza apresentaram receita líquida em linha com as estimativas, enquanto as margens surpreenderam positivamente nas divisões RAC e GTF. Na divisão Seminovos, os volumes ficaram em linha com as projeções, embora as margens tenham sido ligeiramente inferiores devido a efeitos do IPVA e custos de abertura de 16 novas lojas. Ajustados esses itens não recorrentes, as margens teriam sido 0,7 p.p. maiores e acima das estimativas. A companhia vendeu 59 mil veículos nos dois primeiros meses de 2026, um crescimento de 15% a/a, indicando renovação de frota mais rápida do que o esperado. Dados da FIPE mostraram leve queda nos preços de carros usados em fevereiro, mas a média de dois meses permanece dentro de um intervalo considerado normal. A companhia destacou que a estratégia para 2026 envolve restaurar o spread de ROIC, reduzir exposição a frotas de uso severo e ampliar a capacidade de Seminovos para sustentar um novo ciclo de crescimento.

Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Luis Mollo, CFA)

  • Auren Energia (AURE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 16,30

A Auren reportou EBITDA reportado de R$1,47 bilhão no 4T, que corresponde a R$736 milhões quando ajustado por itens não recorrentes e efeitos contábeis. O EBITDA ajustado caiu 8% a/a devido a maiores níveis de curtailment e menor GSF, mas ficou em linha com o consenso e 9% acima das estimativas. Despesas financeiras líquidas menores do que o esperado e resultado de equivalência patrimonial de R$60 milhões levaram o lucro líquido a R$354 milhões no período. Ajustado por itens não recorrentes e não caixa, o resultado líquido ficou negativo em R$133 milhões. A alavancagem recuou levemente para 4,8x Dívida Líquida/EBITDA. Na divisão de geração e comercialização, o EBITDA ajustado atingiu R$779 milhões, superando estimativas devido a ganhos de modulação de R$70 milhões e elevada disponibilidade dos ativos eólicos.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)

  • Moura Dubeux (MDNE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 44,00

Retomamos a cobertura de Moura Dubeux após a conclusão de sua oferta subsequente de ações, incorporando novo cenário macroeconômico, aumento de capital de R$483 milhões, resultados operacionais do 4T25 e guidance de lançamentos entre R$4,5 bilhões e R$5,5 bilhões. O novo preço-alvo para 12 meses foi definido em R$44 por ação, implicando potencial de valorização de 43% e recomendação de compra. A companhia pretende acelerar o crescimento no programa MCMV, especialmente na faixa 3, por meio da marca Ún1ca. A estratégia se baseia na elevada demanda por moradias de baixa renda no Nordeste, oferta limitada e competição reduzida de empresas menores. No segmento de alta renda, a companhia atua principalmente por meio do modelo de condomínio, sendo remunerada por taxas de construção. As estimativas foram elevadas em 18%, refletindo expectativa de crescimento apoiado pelo capital captado, mantendo alavancagem inferior a 15% Dívida Líquida/Patrimônio.

Alimentos & Bebidas (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

  • Ambev (ABEV3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 17,00

Após uma década marcada por perda de participação de mercado (de cerca de 62% em 2015 para cerca de 54% em 2019), compressão de margens e queda do ROIC (de 38% para 22%), a Ambev restabeleceu em grande parte a estabilidade operacional desde 2020. A participação de mercado foi reconstruída, as margens se estabilizaram e o ROIC recuperou para cerca de 30%–31%. A companhia, que antes operava com até 40% de margem EBITDA e ROIC na faixa de meados a altos 30%, hoje se aproxima da economia global de cervejarias, com margens no alto de 20% a 30% baixos e ROIC perto de 30%. As vantagens competitivas históricas baseadas em escala, liderança de custos e dominância de marcas mainstream enfraqueceram em um mercado marcado por marcas premium, fragmentação de portfólio e maior elasticidade da demanda. O potencial de alta depende de três alavancas avançarem em conjunto: precificação real sustentável sem nova perda de participação, revitalização de marcas que se converta em disposição a pagar e uma narrativa de payout mais forte apoiada por posição líquida de caixa para elevar o yield além de cerca de 7%. Apesar de melhorias operacionais como escala digital, disciplina de custos de vendas, gerais e administrativos e resiliência do EBITDA, a recomendação permanece Neutra, com a valorização condicionada a uma narrativa estrutural de longo prazo e a um caminho crível para retornar a um ROIC acima de 33-35%.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Luis Mollo, CFA)

  • Vulcabras (VULC3); COMPRA; Preço-alvo R$ 21,00

A Vulcabras reportou um 4T encorajador, ligeiramente acima das estimativas, com forte crescimento de receita líquida e leve aumento de margem EBITDA, apesar de investimentos relacionados à força de trabalho pressionarem a margem bruta. A receita líquida cresceu 11% a/a para R$1,0 bilhão, 1% acima das estimativas, impulsionada por crescimento do ticket médio, enquanto volumes ficaram praticamente estáveis. Por categoria, vendas de calçados esportivos avançaram 11% a/a para R$865 milhões, outros calçados cresceram 12% a/a para R$70 milhões e vestuário aumentou 13% a/a para R$74 milhões, com vendas domésticas subindo 11,5% a/a e operações internacionais crescendo cerca de 8% a/a. A margem bruta caiu 20 bps a/a para 41,4% por maiores custos de mão de obra e menor produtividade, mas a alavancagem operacional e a melhora nas despesas de vendas mais do que compensaram essa pressão. O EBITDA alcançou R$221 milhões (+15% a/a), 7% acima das estimativas, com margem de 22% (+70 bps a/a), enquanto o lucro líquido foi de R$159 milhões (-6% a/a) em função de uma base de comparação difícil. Com capex de R$64 milhões, ciclo de caixa praticamente estável e pagamento de cerca de R$978 milhões em dividendos, a companhia encerrou o trimestre com dívida líquida de R$769 milhões, equivalente a 0,9x dívida líquida/EBITDA, reiteramos recomendação de compra com a ação negociando a 8x P/L para 2026 e entre os maiores dividend yields da cobertura.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Luis Mollo, CFA)

  • Raia Drogasil (RADL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 30,00

A Raia Drogasil apresentou resultados sólidos no 4T, com crescimento de vendas mesmas lojas acima do esperado e bem acima da inflação de medicamentos, além de forte margem EBITDA ajustada pré-IFRS16. As vendas mesmas lojas subiram 16% (14,5% em lojas maduras), enquanto a receita bruta consolidada avançou 20% a/a para R$13 bilhões, ou 22% a/a excluindo operações não varejo, com destaque para medicamentos de marca (+31% a/a) impulsionados por GLP-1. A companhia abriu 94 lojas líquidas no trimestre (317 nos últimos 12 meses) e elevou sua participação de mercado em 170 bps a/a para 19,5%, com ganhos regionais relevantes, enquanto o canal digital atingiu 29,3% das vendas do varejo, totalizando R$3,5 bilhões. A margem bruta recuou 20 bps a/a para 27,4% pelo maior peso de GLP-1 no mix, parcialmente compensado por menor participação da 4-Bio, e o lucro bruto foi de R$3,5 bilhões (+19% a/a). O EBITDA ajustado pré-IFRS16 cresceu 38% a/a para R$936 milhões (margem de 7,2%, +100 bps a/a), enquanto as despesas financeiras líquidas pré-IFRS16 foram de R$252 milhões e o lucro líquido ajustado pré-IFRS16 somou R$362 milhões, abaixo de R$381 milhões em 4T24, que contou com créditos tributários não recorrentes. Apesar de gerar R$692 milhões de caixa das operações, o consumo de capital de giro de R$695 milhões levou a fluxo operacional praticamente neutro e a fluxo de caixa livre negativo após capex de R$413 milhões, com alavancagem em 1,2x dívida líquida/EBITDA ex-IFRS16 e discussão estrutural concentrada na sustentação do crescimento, dinâmica de margem e eficiência em 2026.

Telecom & Tech (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Tcha Chan / Bruno Henriques)

  • Locaweb (LWSA3); COMPRA; Preço-alvo R$ 7,00

A LWSA entregou um 4T sólido, com aceleração do crescimento de receita e expansão de margens, com receita líquida de R$381,5 milhões (+11,1% a/a) ligeiramente acima das estimativas. O crescimento foi puxado por Commerce, cujas receitas aumentaram 16,4% a/a e seguiram acelerando ao longo de 2025. O EBITDA ajustado foi de R$96,6 milhões, 6,2% acima das estimativas, com expansão de margem de 160 bps a/a, e a companhia considera mais apropriado ajustar o EBITDA pelas despesas financeiras relacionadas à Yapay. Nessa base, o EBITDA após despesas pré-pagas somou R$84,2 milhões, 5,9% acima das estimativas, enquanto o capex foi de R$35,5 milhões. O fluxo de caixa livre operacional, definido como EBITDA menos despesas financeiras da Yapay e capex, atingiu R$48,7 milhões, 9,7% acima das estimativas, e o fluxo de caixa livre de 2025 totalizou R$225 milhões após normalização do capital de giro a partir do segundo trimestre. Com valor de mercado abaixo de R$2 bilhões, a ação negocia com yield de FCF de ~10%, enquanto a companhia devolveu caixa ao acionista em 2025 via recompras de R$48,1 milhões, dividendos de R$28,6 milhões e redução de capital de R$140 milhões em fevereiro, reforçando a disciplina de alocação de capital e a perspectiva de valorização.

Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)

  • PRIO (PRIO3); COMPRA; Preço-alvo R$ 56,00

O IBAMA concedeu à PRIO a Licença de Operação para o campo de Wahoo, último passo regulatório necessário para o início da produção, enquanto o ativo permanece em fase de comissionamento. A companhia indica produção inicial de cerca de 10 mil barris por dia por poço, com dois poços conectados no início das operações e os dois restantes previstos para entrar em produção em abril, podendo atingir aproximadamente 40 mil barris por dia. Avaliações iniciais da Anadarko indicaram que o campo poderia produzir mais de 15 mil barris por dia por poço, enquanto a administração destacou o potencial das reservas e da espessura produtiva dos poços. A estratégia operacional inclui controle das taxas de produção para evitar perda de pressão no reservatório e maximizar a recuperação de óleo, além do plano de perfurar dois poços injetores no segundo semestre de 2026. Pesquisa recente com investidores indica que parte relevante dos catalisadores de curto prazo já está refletida no preço das ações, com a discussão após a primeira extração podendo migrar para temas como depleção, desempenho mensal de produção e manutenção. Ainda assim, a expectativa de forte crescimento de produção combinada a preços elevados do petróleo sustenta perspectiva de geração robusta de caixa e reforça a possibilidade de pagamento de dividendos já em 2026, enquanto a companhia permanece como principal recomendação.