Radar Diário Diário de Ações - 05/02/26
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Pedro Lima / Luis Mollo, CFA)
- Nota Setorial - Varejo & Consumo
A Shopee anunciou a reformulação de seu modelo de monetização de vendedores no Brasil, com vigência a partir de 1º de março de 2026, substituindo a estrutura majoritariamente fixa por um sistema híbrido variável mais fixo com subsídios condicionais ao Pix. Sob a nova política, as comissões passam a depender de faixas de preço e a companhia concede descontos de até 8% sobre a comissão para compras pagas via Pix, sendo 5% para itens entre R$80 e R$499 e 8% para itens acima de R$500. Embora apresentado como subsídio, o mecanismo funciona como controle dinâmico do take-rate, permitindo elevar a monetização bruta e preservar a competitividade de preços no checkout. Em relação ao regime anterior de cerca de 14% de take-rate mais taxa fixa de R$4 por item, o novo formato adiciona um modelo multidimensional ligado ao ticket médio, método de pagamento, perfil do vendedor e participação em campanhas. Para vendedores PJ, o ajuste eleva estruturalmente o take-rate efetivo, mas combina o aumento com incentivos de conversão e escala. Todos passam a integrar automaticamente o programa de frete grátis com cupons de até R$40 por pedido. Os vendedores arcam com apenas 25% do desconto enquanto a Shopee subsidia 75%, reduzindo o custo marginal de estímulo à demanda. A empresa também se comprometeu com incentivos comerciais quatro vezes maiores em 2026, treinamento de mais de 100 mil vendedores e investimentos ampliados em logística e marketing. Essa abordagem sinaliza mudança de subsídios de aquisição de tráfego para reinvestimento financiado pelo próprio take-rate. Para vendedores PF, o modelo impõe sobretaxa de R$3 por item acima de 450 pedidos em 90 dias, elevando a taxa fixa para R$7 e pressionando margens. O conjunto de preços variáveis, descontos atrelados ao Pix, sobretaxas de campanhas e coparticipação em frete cria uma arquitetura de monetização mais alta, mas seletivamente subsidiada para conversão.
Transportes (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- GPS (GGPS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 25,00
A companhia realizou um roadshow no Rio de Janeiro com a presença do COO Gustavo Otto e da área de relações com investidores para atualizar investidores sobre a dinâmica setorial e operacional após o terceiro trimestre. O crescimento orgânico ganhou destaque diante da recente aceleração e foi associado a mudanças estruturais internas implementadas para estimular expansão sustentável. Ajustes organizacionais foram apontados como fator de maior resiliência do modelo de negócios. O desempenho e a integração da GRSA também receberam atenção, funcionando como teste de estresse relevante para o setor de alimentação e para aquisições de maior porte. A experiência foi descrita como transformacional ao aprimorar capacidades de execução e integração. Foram reforçados elementos centrais da tese de investimento, incluindo cultura corporativa, estrutura organizacional resiliente, planejamento de longo prazo e senso de propriedade. Quatro mensagens principais foram destacadas como direcionadores da história recente. O crescimento orgânico decorre de reformas de governança iniciadas em 2022 e não de ambiente de mercado mais fraco. A expansão é mais limitada pelo desenvolvimento de lideranças do que por escala operacional, dado que a plataforma é totalmente escalável. A reforma tributária tende a apoiar estruturalmente a terceirização ao reduzir incertezas e aumentar transparência. A combinação de crescimento orgânico, aquisições e mudanças regulatórias sustenta a percepção de continuidade do crescimento no médio prazo.
Financeiro (ex-Bancos) (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)
- Wiz (WIZC3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 11,00
A companhia realizou um Investor Day no qual executivos detalharam a estratégia e a evolução recente do negócio. O modelo foi ajustado para reduzir dependência do contrato com a Caixa, que hoje representa cerca de 20% da receita. A eficiência operacional aumentou com redução de aproximadamente 60% do quadro de funcionários para cerca de 780 pessoas. A estrutura de capital foi otimizada com queda da Dívida Líquida/EBITDA de 1,6x no terceiro trimestre de 2023 para 0,6x no terceiro trimestre de 2025. Nos próximos anos, a empresa pretende continuar ganhos de eficiência, incorporar mais tecnologia por meio da plataforma Wiz Pro e ampliar a distribuição de crédito e consórcios. A entrada nesse segmento deve ocorrer via aquisições com o objetivo de se tornar um grande correspondente bancário. O crescimento histórico da receita superou taxa de crescimento composta de 10% mesmo diante de cenário macro desafiador e menor atividade no contrato da Caixa. A plataforma tecnológica busca melhorar geração de leads, jornada pós-venda e uso de inteligência artificial para elevar produtividade. A subsidiária BRB Seguros, responsável por cerca de 25% do EBITDA, enfrenta risco adicional após investigações envolvendo carteiras de crédito. A companhia projeta lucro líquido maior no ano, sustentado por ganhos de eficiência e menores despesas financeiras. Após valorização relevante das ações, a recomendação foi rebaixada para neutra, mantendo preço-alvo de R$11.
Financeiro (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)
- Itau Unibanco (ITUB4); COMPRA; Preço-alvo R$ 50,00
O banco encerrou o ano com resultados sólidos e em linha, registrando lucro líquido de R$12,3 bilhões no quarto trimestre, com ROE de 24,4%, 4% t/t e 13% a/a, ficando 1% acima das estimativas. A qualidade dos ativos foi o principal destaque, com inadimplência, custo do crédito e demais indicadores estáveis ou melhores, sustentando um balanço patrimonial saudável. Em 2025, o lucro líquido totalizou R$46,8 bilhões, crescimento de 13% a/a, com ROE de 23,4%. A instituição antecipou parte de dividendos adicionais por motivos fiscais, resultando em distribuições de R$34 bilhões e payout de 72%. Mesmo com payout elevado, a rentabilidade permitiu que o índice CET1 permanecesse estável a/a em 12,3%, indicando espaço para retornos de capital adicionais. O guidance para 2026 aponta lucro líquido próximo de R$51 bilhões no ponto médio, alta de 9% a/a e em linha com o consenso. A carteira de crédito avançou 4,5% t/t e 7% a/a, impulsionada por PMEs, middle market e cartões, enquanto a receita líquida de juros com clientes ficou levemente abaixo do esperado devido a impactos de margens. A receita de tesouraria caiu 34% t/t e a/a, refletindo menores ganhos de trading. Os indicadores de inadimplência melhoraram, com queda da inadimplência entre 15 e 90 dias e estabilidade acima de 90 dias, além de provisões cobrindo integralmente a formação de NPLs. As receitas de tarifas cresceram 7% t/t e a/a, apoiadas por adquirência, investment banking e asset management, enquanto as despesas operacionais ficaram abaixo das estimativas, refletindo agenda de eficiência. O ROE no Brasil subiu para 26%, com melhora relevante no varejo, enquanto as operações na América Latina foram pressionadas por maiores provisões. O banco sinaliza 2026 como ano de transição, com aceleração da transformação digital e foco em eficiência, mantendo perspectiva de desempenho superior no médio prazo.
