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Sacre Investimentos
05 de mar. de 202610 min

Radar Diário Diário de Ações - 05/03/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Financeiro (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)

  • Nota Setorial - Financeiro

Daycoval

Executivos do Daycoval participaram de uma reunião para discutir o banco e a dinâmica recente do mercado de crédito no Brasil. A administração reforçou que a rentabilidade depende da manutenção de spreads e disciplina de risco ao longo do ciclo, e não de crescimento acelerado da carteira. O ambiente atual ainda é considerado construtivo para os bancos em termos de ROE, sustentado por emprego resiliente e um mercado de crédito funcional. Ao mesmo tempo, há maior cautela em relação à próxima fase do ciclo devido ao aumento de recuperações judiciais e aos efeitos defasados dos juros elevados sobre o balanço patrimonial das empresas. A expansão do mercado de capitais no Brasil foi destacada como positiva por ampliar liquidez e permitir refinanciamentos, embora também aumente a competição e comprima spreads bancários. A resolução nº 4.966 do BCB trouxe maior flexibilidade na dinâmica de provisões, mas reduziu a visibilidade para investidores sobre a qualidade de crédito e o reconhecimento de perdas. O modelo do Daycoval baseia-se em crescimento disciplinado da carteira, especialização em crédito corporativo e maior participação de operações estruturadas e mercado de capitais. A composição da carteira prioriza prazos mais curtos e estruturas com garantias, enquanto o crédito para pessoas físicas continua concentrado em consignado para INSS e setor público. Para 2026, a administração espera um ambiente de crédito mais desafiador, embora o banco entre no período com balanço sólido e geração consistente de resultados.

Papel & Celulose (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)

  • Irani (RANI3); COMPRA; Preço-alvo R$ 14,00

A Irani vem apresentando retornos sólidos desde seu IPO em 2020, mesmo em um ambiente desafiador para o setor de embalagens no Brasil. Nos últimos anos, o aumento significativo dos preços das aparas pressionou margens, já que o insumo representa cerca de 30% dos custos totais. Ainda assim, a companhia conseguiu manter um ROIC-spread positivo ao repassar aumentos de preços para os clientes. Com a recente queda dos preços de aparas, já abaixo de R$1.000/t, espera-se melhora na dinâmica de rentabilidade nos próximos períodos. A combinação de custos menores, efeitos defasados de reajustes de preços, crescimento de volumes e um ambiente de juros mais favorável tende a elevar o ROIC-spread novamente para níveis de um dígito alto. A demanda por papelão ondulado permanece resiliente, com crescimento moderado esperado para 2026 após um ano forte em 2025. Mais de 70% das vendas da Irani estão ligadas ao segmento de alimentos e bebidas, o que reduz a volatilidade de volumes. A companhia priorizou preservar preços e rentabilidade em vez de participação de mercado, o que reduziu sua fatia para cerca de 3,8-3,9%. Com a normalização dos custos, espera-se recuperação gradual de participação acima de 4% ao longo de 2026. O projeto NEOS deve ampliar ativos florestais e capacidade produtiva, embora sem impactos relevantes no fluxo de caixa de 2026.

Papel & Celulose (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)

  • Dexco (DXCO3); COMPRA; Preço-alvo R$ 7,00

A Dexco reportou resultados fracos no 4T, com EBITDA de R$416 milhões, abaixo das estimativas. A alavancagem permaneceu elevada, mas apresentou leve melhora para 3,35x Dívida Líquida/EBITDA após operações envolvendo ativos florestais. As divisões em reestruturação, Deca e Cerâmicas, mostraram pouco progresso no período e ficaram abaixo das expectativas. A margem da Deca caiu para cerca de 4%, enquanto a divisão de Cerâmicas continuou apresentando resultado negativo. A unidade Wood permaneceu como principal geradora de resultados, com fundamentos sólidos e desempenho operacional relativamente estável. A operação da LD Celulose manteve estabilidade, embora pressionada por preços menores de celulose solúvel e pela valorização do real frente ao dólar. A companhia registrou queima de caixa de aproximadamente R$47 milhões no trimestre, refletindo capex elevado e resultado financeiro negativo. A dívida líquida recuou ligeiramente para R$5,5 bilhões, enquanto a alavancagem apresentou melhora marginal em relação ao trimestre anterior. A estratégia de desalavancagem segue baseada na monetização de ativos florestais, embora ainda não represente solução completa. O mercado deve exigir maior evolução operacional e redução consistente da alavancagem antes de recuperar confiança na tese de investimento.

Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Rumo (RAIL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00

A Rumo divulgou resultados mistos no 4T, com receita acima das estimativas, mas margens abaixo do esperado. A receita total atingiu R$3,4 bilhões, impulsionada por yields melhores do que o antecipado. O EBITDA reportado foi de R$1,6 bilhão, impactado por itens não recorrentes relacionados a impairment da Malha Sul e créditos tributários. Ajustando esses efeitos, o EBITDA alcançou R$1,7 bilhão, resultando em margem de aproximadamente 51%. O lucro líquido reportado foi de R$213 milhões, ou R$310 milhões quando ajustado por itens não recorrentes. Os volumes transportados foram fortes para um 4T, especialmente na operação Norte, com crescimento de 14% a/a. Na mesma operação, os yields caíram 13% a/a devido à estratégia de ajuste de preços para manutenção de participação de mercado. Na operação Sul, os volumes cresceram 25% a/a com normalização do tráfego após enchentes registradas no ano anterior, enquanto tarifas recuaram 8% a/a. O capex somou R$1,5 bilhão no trimestre e a dívida líquida atingiu R$15,5 bilhões, mantendo alavancagem estável em 1,9x Dívida Líquida/EBITDA. A companhia encerrou o ano com volumes dentro do guidance e capex alinhado ao plano anual, enquanto a evolução dos yields, execução de investimentos e desenvolvimentos regulatórios permanecem como principais pontos de monitoramento para 2026.

Saúde (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

  • OdontoPrev (ODPV3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 18,00

O Bradesco decidiu, ainda pendente de aprovação, consolidar todos os seus ativos de saúde em OdontoPrev, que será renomeada para Bradsaúde (NewCo), e a recomendação foi elevada de Neutra para Compra. A NewCo reunirá seguros de saúde, odontologia, diagnósticos, ativos hospitalares e participações acionárias do Bradesco em outras empresas de saúde do grupo. As estimativas consideram os negócios separadamente e resultam em um novo preço-alvo para o fim de 2026 de R$ 18/ação, ante R$ 13 anteriormente. Em 2025, a NewCo deve nascer com aproximadamente R$ 52 bilhões em receita e R$ 3,6 bilhões em lucro líquido, implicando ROE de 24%. A companhia é vista negociando a 11x P/L 2025 e 10x P/L 2026, com potencial de reprecificação por ser uma plataforma mais diversificada e com maior flexibilidade de capital. No preço-alvo, a ação poderia negociar acima de 12,5x lucro projetado para 1 ano. Embora seguros representem cerca de 85% do lucro hoje, essa participação é projetada para cair para 70% com a maturação dos ativos hospitalares. A análise por soma das partes atribui R$ 11/ação ao seguro de saúde, R$ 2/ação à odontologia, R$ 1/ação à participação na Fleury, R$ 3/ação aos investimentos hospitalares na JV Atlântica D’Or e R$ 1/ação aos demais investimentos, totalizando valor de mercado de R$ 52 bilhões e potencial de alta de 35%. A parceria com a Rede D’Or já teria gerado criação de valor implícita de aproximadamente R$ 5 bilhões a partir de investimento de cerca de R$ 1,6 bilhão, e a exposição combinada a Rede D’Or e Bradsaúde é favorecida dado o desconto implícito de cerca de 70% da Bradsaúde versus a Rede D’Or.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)

  • Nota Setorial - Construção Civil

Realizamos uma reunião com a Buildings, consultoria de real estate representada por Fernando Didziakas, para discutir as perspectivas dos segmentos de logística e escritórios. No segmento logístico, o momento é descrito como forte, com crescimento relevante de ABL, demanda robusta puxada por e-commerce e métricas operacionais sólidas, incluindo vacância baixa e crescimento real de aluguéis. A Buildings destacou que a ABL total no Brasil dobrou desde 2014 e alcançou 44,1 milhões de m², enquanto a absorção líquida ajudou a reduzir a vacância para 7,4%, fortalecendo o poder de precificação dos proprietários. A demanda é atribuída principalmente ao e-commerce, em especial a ativos last-mile, e não há expectativa de desaceleração no curto prazo. Em termos regionais, o desempenho é positivo na maior parte dos estados, com exceção do Rio de Janeiro, que apresentou certo excesso de oferta. São Paulo foi apontado como destaque, com Guarulhos como localização prime e com espaço adicional para expansão de ABL. Em M&A, foram mapeadas 41 transações em 2025-26 totalizando 2,5 milhões de m², com preço médio de R$ 3.500/m² e cap rate médio de 9,5%. No segmento de escritórios em São Paulo, a ocupação retornou aos níveis pré-Covid e a vacância caiu para 14,4% após pico de cerca de 24%, com oferta nova ainda limitada. Apesar da melhora, os preços reais seguem defasados fora de Faria Lima, e exemplos como Chucri Zaidan mostram redução de vacância para 16% ante 28% em 2023, mantendo um viés mais otimista para logística e mais cauteloso para escritórios no curto prazo.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Luis Mollo, CFA)

  • Quero Quero (LJQQ3); COMPRA; Preço-alvo R$ 3,50

A Lojas Quero-Quero apresentou resultados fracos no 4T25, com continuidade da fraqueza nas operações de varejo, menor rentabilidade e prejuízo líquido. A receita bruta do varejo totalizou R$ 592 milhões, estável a/a, com vendas mesmas lojas caindo 1,5% a/a devido à desaceleração da demanda no 2S25, afetada por juros mais altos e seus efeitos macroeconômicos. Esse desempenho foi parcialmente compensado por duas aberturas de lojas no trimestre e 21 nos últimos 12 meses. Serviços financeiros foram o principal destaque, com receita crescendo 9% a/a para R$ 236 milhões, enquanto a receita de cartão de crédito avançou 22% a/a para R$ 30 milhões. A carteira de crédito atingiu R$ 1,6 bilhão, alta de 18% a/a e 9% t/t, e a inadimplência acima de 90 dias melhorou 60 bps t/t para 11,1%. A receita bruta consolidada somou R$ 858 milhões, alta de 3% a/a e 2% acima das estimativas. O lucro bruto foi de R$ 241 milhões, queda de 6% a/a, com margem de 28% pressionada por maior custo de funding em serviços financeiros e ambiente mais promocional no varejo. As despesas de vendas, gerais e administrativas foram de R$ 194 milhões, 22,6% da receita bruta, e o EBITDA ajustado pré-IFRS 16 caiu para R$ 14 milhões com margem de 1,6%. As despesas financeiras aumentaram para -R$ 47 milhões, resultando em prejuízo líquido de R$ 24 milhões, enquanto a alavancagem melhorou para 1,4x Dívida Líquida/EBITDA pré-IFRS 16, mas a perspectiva segue desafiadora no curto prazo com fundamentos de longo prazo preservados.

Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)

  • Ultrapar (UGPA3); COMPRA; Preço-alvo R$ 31,00

A Ultrapar reportou EBITDA ajustado de R$1,75 bilhão no trimestre, 4% acima das estimativas e 6% acima do consenso, impulsionado principalmente pelo desempenho da Ipiranga. A geração de caixa foi forte em R$1,1 bilhão, embora a dívida líquida tenha permanecido estável sequencialmente devido ao pagamento de dividendos. O EBITDA da Ipiranga atingiu R$1,1 bilhão, alta de 26% a/a e 6% acima das estimativas, refletindo margens de R$165/m³ e crescimento de 7% a/a nos volumes. O desempenho foi associado à normalização do mercado diante de maior fiscalização sobre práticas irregulares. A Ultragaz apresentou EBITDA ajustado de R$474 milhões, em linha com as estimativas e 7% acima a/a, com margem de R$1.112 por tonelada. Os volumes recuaram 2% a/a devido à menor demanda industrial, reduzindo vendas de GLP a granel. A Ultracargo registrou EBITDA ajustado em linha com as estimativas, porém 15% inferior a/a, pressionado por volumes mais fracos e maiores custos operacionais durante a expansão de terminais. A Hidrovias do Brasil apresentou resultado acima das estimativas, com volumes maiores e melhora de preços nos corredores Norte e Sul. A companhia anunciou capex de R$2,62 bilhões para 2026, dos quais R$1,1 bilhão destinados à expansão, com foco em infraestrutura, novos clientes e crescimento logístico. No trimestre, o fluxo de caixa livre alcançou cerca de R$1,1 bilhão e a alavancagem permaneceu estável em 1,7x Dívida Líquida/EBITDA.