Radar Diário Diário de Ações - 06/01/2026
Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
• Nota Setorial - Saúde
A ANS divulgou os dados de beneficiários de planos de saúde referentes a novembro, mostrando crescimento sólido do setor, com adição líquida de 139 mil vidas no mês. No acumulado do ano, o setor registrou 1,1 milhão de novas vidas, equivalente a crescimento de 2%. A Hapvida apresentou perda líquida de 18 mil vidas no mês, embora ainda mantenha saldo positivo no acumulado do ano. SulAmérica, Amil e Bradesco Saúde foram os principais destaques positivos em novembro, com adições relevantes de beneficiários. Parte do desempenho da Bradesco Saúde, contudo, pode estar distorcida por níveis de churn abaixo da média histórica. A Hapvida registrou perdas concentradas em São Paulo, parcialmente compensadas por ganhos no Distrito Federal. A SulAmérica apresentou crescimento expressivo, sustentado principalmente por São Paulo e Rio de Janeiro, respondendo por parcela relevante das adições do setor. A Amil também mostrou desempenho robusto, com forte crescimento nos principais estados. Outros players, como Porto Saúde e Seguros Unimed, apresentaram evolução positiva, enquanto a Central Unimed registrou retração. No segmento odontológico, a Odontoprev adicionou número expressivo de beneficiários, contribuindo para o crescimento do setor dental. A Rede D’Or permanece como nossa Top Pick no setor, combinando crescimento nos segmentos hospitalar e de seguros com melhora de rentabilidade. A companhia mantém múltiplas frentes de opcionalidade, incluindo parcerias estratégicas e oportunidades de M&A, enquanto Fleury e MaterDei também apresentam perfis atrativos de valuation e bom momento de resultados.
Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
• Nota Setorial - Transportes
Os preços de veículos usados continuaram apresentando uma tendência moderada de depreciação em dezembro, com queda média de 0,6% t/t, levemente acima do intervalo normalizado de -0,3% a -0,5%. Esse desempenho foi apenas marginalmente mais fraco do que o padrão histórico e ainda mais benigno do que em dezembro de anos anteriores, quando as quedas foram mais acentuadas. O mês de dezembro é historicamente marcado por preços mais baixos no mercado de usados, o que ajuda a contextualizar o movimento observado. Os preços de veículos novos, por sua vez, recuaram 0,4% no mês, após alta de 0,1% no mês anterior. Como consequência, houve uma leve melhora no spread de preços entre veículos novos e usados. A análise considera os 15 modelos mais vendidos no ranking de vendas diretas da Fenabrave nos últimos 18 meses, com foco nos anos-modelo de 2023 a 2026. Por ano-modelo, os veículos 2025 registraram a maior queda média de preços, enquanto os modelos 2026 apresentaram recuo mais contido. Entre os modelos específicos, Tiggo 7, Jeep Compass, BYD Song e Onix tiveram as maiores quedas médias de preços, enquanto Basalt, Kwid e BYD Dolphin apresentaram valorização. A queda atípica dos preços de veículos novos pode ser explicada por ajustes relacionados ao lançamento de novos modelos, estratégias comerciais das montadoras e efeitos residuais do programa Carro Sustentável. Os dados de crédito automotivo mostraram crescimento anual robusto, com expansão do crédito para pessoas físicas e estabilidade para empresas. A melhora marginal nos indicadores de inadimplência reforçou a percepção de solidez do setor automotivo e da economia brasileira. Apesar da possibilidade de maior volatilidade de preços no início do ano, o controle na depreciação de usados sustenta a recomendação de compra de Localiza, que negocia a múltiplos atrativos e atravessa um período de forte momento de resultados.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Pedro Lima / Luis Mollo, CFA)
• Nota Setorial - Varejo & Consumo
O setor de e-commerce no Brasil permanece altamente competitivo, com plataformas disputando preço, logística, promoções e vendedores. As métricas de take rate divulgadas publicamente não refletem plenamente o custo total enfrentado pelos vendedores, que inclui comissões, taxas fixas, custos de pagamento, logística e gastos com mídia. As comissões variam significativamente entre plataformas, com faixas que vão de cerca de 10% a até 19%, além de diferenças relevantes por categoria e estrutura de tarifas adicionais. O baixo valor médio dos pedidos, os elevados custos de última milha e a sensibilidade a preços fazem com que pequenos aumentos de taxas tenham impacto material sobre a rentabilidade dos vendedores. Nesse contexto, ajustes recentes de tarifas devem ser interpretados como testes pontuais de monetização, e não como uma racionalização ampla do setor. No caso do Mercado Livre, as taxas mais elevadas são sustentadas por comissões, serviços logísticos, pagamentos e mídia, com forte crescimento da receita de publicidade. Apesar disso, concessões táticas, como a redução relevante do limite para frete grátis, comprimem a monetização líquida para defender participação de mercado. A Shopee avançou em um teste mais explícito de poder de precificação ao elevar taxas fixas para vendedores individuais, aumentando significativamente o custo efetivo em itens de baixo valor. Essa estratégia busca equilibrar monetização, escala e risco de evasão de vendedores para concorrentes. A Amazon mantém uma abordagem mais seletiva, com bandas de comissão relativamente estáveis, mas com variação relevante conforme categoria e uso de serviços de fulfillment. A tendência para o setor é de continuidade na experimentação de monetização, com alternância entre aumentos de taxas e concessões táticas. No médio prazo, a capacidade de expandir monetização por meio de serviços de maior qualidade, mantendo retorno adequado aos vendedores, será determinante para o equilíbrio competitivo.
