Radar Diário Diário de Ações - 06/02/26
Saúde (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
• Nota Setorial - Saúde
A ANS divulgou os dados de beneficiários de planos de saúde referentes a dezembro. Em dezembro, a base total do setor cresceu 80 mil vidas no mês, levando as adições líquidas de 2025 para 1,1 milhão, alta de 2% no acumulado do ano. A Hapvida registrou perda de 23 mil beneficiários no mês, acumulando queda de 59 mil no quarto trimestre e de 21 mil em 2025. Amil, SulAmérica e Porto apresentaram os melhores resultados mensais, com adições líquidas de 46 mil, 32 mil e 17 mil vidas, respectivamente. A redução da Hapvida foi composta por queda de 7 mil na HAPV e 16 mil na GNDI. As perdas concentraram-se principalmente em São Paulo, com recuo de 18 mil vidas, parcialmente compensado por ganho de 2,5 mil no Rio de Janeiro. A SulAmérica adicionou 32 mil vidas no mês, ou 30 mil excluindo planos ASO, impulsionada por crescimento em São Paulo e no Rio de Janeiro. No trimestre, a companhia somou 121 mil adições líquidas e encerrou 2025 com ganho de 304 mil vidas, representando cerca de 9% das adições brutas do setor. A Amil liderou o desempenho mensal com 46 mil novas vidas, acumulando 87 mil no trimestre e 415 mil no ano. Porto Saúde, Seguros Unimed e Bradesco Saúde também apresentaram crescimento relevante, enquanto a Central Unimed registrou retração. No segmento odontológico, a ODPV perdeu 18 mil beneficiários no mês, mas adicionou 117 mil no trimestre e 411 mil no ano, enquanto o setor encerrou com 35,6 milhões de membros. A Rede D’Or permanece como Top Pick do setor, com crescimento simultâneo em seguros e hospitais, melhora de rentabilidade e manutenção de opcionalidades.
Shoppings (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)
• Multiplan (MULT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 28,00
A Multiplan reportou resultados sólidos no quarto trimestre, com desempenho operacional estável e controle rigoroso de custos e despesas. O EBITDA ajustado foi de R$ 575 milhões, crescimento de 47% a/a e 7% acima das estimativas, refletindo margens mais elevadas. Excluindo o efeito da venda do ParkShopping São Caetano, a receita líquida atingiu R$ 710 milhões, alta de 33% a/a, em linha com as projeções. A margem EBITDA alcançou 81%, expansão de 800 pontos-base a/a e 600 pontos-base acima do esperado, apoiada por custos de vendas, gerais e administrativos menores do que o previsto. O FFO totalizou R$ 310 milhões, crescimento de 11% a/a, porém 8% abaixo das estimativas devido a maior carga tributária. As vendas mesmas lojas cresceram 4,0% a/a, indicando desaceleração conforme esperado. O SSR avançou 5,0% a/a, sem crescimento real. A taxa de vacância encerrou o trimestre em 3,4%, redução de 11 pontos-base a/a. O custo de ocupação dos lojistas permaneceu em 12% das vendas, estável na comparação anual. A inadimplência foi negativa em 0,9%, refletindo continuidade na cobrança de valores devidos. O desempenho geral foi considerado sólido, com EBITDA acima das estimativas e indicadores operacionais resilientes. A recomendação é de compra, com negociação a 14x P/FFO estimado para 2026, sustentada por portfólio de shoppings premium resiliente em cenário de juros elevados.
Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
• Nota Setorial - Agronegócio
A Secretaria de Comércio Exterior divulgou os dados de exportação de carnes referentes a janeiro e foram avaliados também os spreads de proteínas nos Estados Unidos. As exportações brasileiras de carne bovina apresentaram números sequencialmente mais fracos por sazonalidade, mas ainda superiores na comparação anual. No segmento de aves, os preços de exportação mostraram recuperação, com aumento gradual da participação da China e spreads mais elevados. No mercado doméstico, os spreads de bovinos e aves ficaram estáveis mês a mês, com preços do frango em queda compensados por custos menores. Os preços do suíno recuaram 8% no mês devido à demanda sazonalmente menor, enquanto os spreads caíram 3%, mitigados por ração mais barata. Nos Estados Unidos, preços mais altos de aves e custos menores trouxeram alívio, mas o ciclo pressionado do boi manteve spreads negativos. A JBS permanece como única tese de investimento com recomendação de compra. No Brasil, os preços de exportação de aves subiram 5% no mês, enquanto os custos caíram 5%, elevando os spreads em 8%. Os embarques para a China ainda estão abaixo dos níveis anteriores ao embargo, com participação de 8% das exportações totais. A oferta doméstica de frango segue em crescimento, com aumento de 8% a/a na colocação de pintos, pressionando preços e margens. No mercado de bovinos, os volumes exportados caíram 24% no mês, mas permaneceram 29% acima do ano anterior, com preços ligeiramente menores. Nos Estados Unidos, spreads de aves cresceram 9% no mês, porém o aumento estrutural da oferta sugere normalização de margens adiante.
Financeiro (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)
• Bradesco (BBDC4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 21,00
O Bradesco divulgou resultados do quarto trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 6,5 bilhões e ROE de 15,2%, crescimento de 5% t/t e 21% a/a, em linha com o consenso e ligeiramente abaixo das estimativas, mesmo beneficiado por alíquota de imposto menor. O desempenho positivo refletiu crescimento sólido da carteira e das receitas de tarifas, além de bom controle de custos, parcialmente compensados por provisões mais elevadas e resultados mais fracos em seguros. O guidance para 2026 indica lucro líquido próximo de R$ 27,5 bilhões no ponto médio, alta de 12% a/a, mas cerca de 5% abaixo das estimativas internas e do mercado. O crescimento da carteira de crédito expandida foi de 5% t/t e 12% a/a, impulsionado por cartões, pequenas e médias empresas e financiamento de veículos. A margem financeira bruta permaneceu estável em 9%, enquanto a margem financeira com clientes cresceu 3% t/t e 18% a/a, levando a margem financeira total a avançar 3% t/t. As provisões para perdas de crédito atingiram R$ 10,1 bilhões, 10% acima do esperado, com a inadimplência acima de 90 dias estável em 4,1%. A receita de tarifas subiu 5% t/t e 8% a/a, apoiada por cartões, mercado de capitais e serviços de consórcios e custódia, enquanto a seguradora apresentou lucro estável, porém com piora na sinistralidade e no índice combinado. As despesas operacionais totais ficaram abaixo das estimativas, principalmente por menores gastos com pessoal, apesar de maiores despesas administrativas e continuidade do fechamento de agências. O resultado antes de impostos melhorou levemente e a taxa efetiva de imposto caiu para 17%, enquanto o índice de capital CET1 encerrou o período em 11,2%. O patrimônio líquido contábil cresceu moderadamente, mas o patrimônio tangível recuou devido ao aumento de créditos fiscais e ágio. O banco encerrou o ano em condição melhor, com recuperação gradual de resultados, porém a velocidade de melhora pode limitar valorização adicional das ações, mantemos recomendação neutra.
