Radar Diário Diário de Ações - 06/03/26
Transportes (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- GPS (GGPS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 25,0
A companhia reportou no 4T a mesma combinação observada no terceiro trimestre, com crescimento orgânico sólido de 10% a/a e margem EBITDA mais fraca de 9,8%, refletindo custos temporários de preparação e implementação associados à aceleração do crescimento. Os resultados vieram ligeiramente abaixo das estimativas por conta de margens inferiores ao esperado, enquanto a receita líquida totalizou R$4,4 bilhões, alta de 8% a/a, e o EBITDA ajustado ex-IFRS 16 somou R$433 milhões, alta de 11% a/a, com margem 40 bps abaixo da projeção. O lucro líquido reportado alcançou R$265 milhões, alta de 11% a/a, e o lucro líquido ajustado foi de R$298 milhões, alta de 10% a/a, beneficiado por uma menor alíquota efetiva de imposto. A receita orgânica atingiu R$3,3 bilhões, alta de 10% a/a, impulsionada pela adição de novos contratos, enquanto a receita inorgânica somou R$1 bilhão, sustentada pela consolidação de negócios adquiridos em 2024 e 2025. Em 2025, facilities, catering e manutenção seguiram como os principais segmentos, enquanto dias de contas a receber ficaram em 79 e as provisões trabalhistas representaram 2% da receita no quarto trimestre. A companhia encerrou o período com R$3,9 bilhões em caixa, dívida líquida de R$2,6 bilhões e alavancagem de 1,6x Dívida Líquida/EBITDA ex-IFRS 16, mantendo recomendação de compra a 11x P/L para 2026.
Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Luis Mollo, CFA)
- CPFL (CPFE3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 46,00
A companhia entregou resultados sólidos no 4T, com EBITDA ajustado de R$3,28 bilhões, alta de 17% a/a e 9% acima da estimativa, explicado integralmente pelo desempenho muito forte da distribuição. As despesas financeiras líquidas ficaram abaixo do esperado em R$689 milhões e o resultado de equivalência patrimonial foi de R$65 milhões, levando o lucro líquido a R$1,56 bilhão, ou R$1,52 bilhão ajustado por itens não caixa e não recorrentes. A alavancagem permaneceu confortável em 2,3x Dívida Líquida/EBITDA, ante 2,19x no terceiro trimestre, e a companhia anunciou R$2,3 bilhões em dividendos referentes a 2025, equivalentes a payout de 90% sobre o lucro líquido ajustado e yield de 8%. Em distribuição, o EBITDA ajustado atingiu R$2,1 bilhões, alta de 23% a/a e 17% acima da estimativa, impulsionado pelos reajustes da Parcela B ao longo de 2025 e por menores despesas com inadimplência, embora volumes faturados tenham caído 2,2% a/a e as perdas de energia tenham piorado para 9,74%. Na geração, o EBITDA ajustado foi de R$973 milhões, em linha com a estimativa e alta de 4% a/a, apesar de cortes de geração de 36% que tiveram impacto negativo de R$210 milhões, enquanto a transmissão entregou R$248 milhões em EBITDA regulatório. O braço de serviços registrou R$82 milhões em EBITDA, totalmente compensados pelo EBITDA negativo da comercialização de energia de R$90 milhões, devido a spreads menores e inadimplência de algumas contrapartes.
Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Luis Mollo, CFA)
- Alupar (ALUP11); COMPRA; Preço-alvo R$ 46,00
A companhia reportou resultados regulatórios em linha no 4T, com receita líquida de R$932 milhões, alta de 7% a/a e ligeiramente acima da estimativa de R$915 milhões. O EBITDA atingiu R$716 milhões, alta de 10% a/a e em linha com a estimativa de R$723 milhões, à medida que resultados mais fracos em geração foram compensados por um desempenho melhor em transmissão. Após despesas financeiras líquidas abaixo do esperado, de R$183 milhões, e menor alíquota efetiva de imposto, o lucro líquido regulatório totalizou R$192 milhões, em linha com a estimativa de R$189 milhões. A companhia também anunciou R$118,7 milhões em dividendos no trimestre, equivalentes a R$0,36 por unit, elevando o total de dividendos de 2025 para R$356 milhões, com yield de 3,2% e payout de 50,8% sobre o lucro líquido regulatório ex-reserva legal. No segmento de transmissão, o EBITDA foi de R$634 milhões, alta de 11,5% a/a e acima da estimativa, impulsionado pelo início da operação comercial da TCE em outubro. No segmento de geração, o EBITDA foi de R$86 milhões, abaixo da estimativa de R$119 milhões e 14% menor a/a, refletindo cortes de geração que enfraqueceram receitas e elevaram compras de energia.
Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Luis Mollo, CFA)
- Eneva (ENEV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 19,80
A companhia reportou resultados mistos, com desempenho forte de Parnaíba e exploração, impulsionado por maior despacho no trimestre, sendo compensado por margens variáveis negativas em Celse e nos ativos de carvão, maiores custos de holding, mais um trimestre fraco de Futura por conta de curtailments e ausência de atividade de comercialização de gás após o despacho antecipado de Celse. O EBITDA reportado atingiu R$1,49 bilhão, mas ajustado por R$208 milhões em custos exploratórios nas bacias do Amazonas e Paraná e R$20 milhões em poços secos, teria totalizado R$1,72 bilhão, em linha com a estimativa de R$1,71 bilhão. As plantas R2W a gás, combinadas com Upstream, entregaram R$710 milhões em EBITDA ajustado, acima da projeção, enquanto as térmicas recentemente incorporadas somaram R$552 milhões e o small-scale LNG atingiu R$73 milhões, encerrando 2025 com contribuição total de R$274 milhões. Do lado negativo, o EBITDA de Celse ficou em R$367 milhões, abaixo da projeção, pressionado por R$30 milhões em margens variáveis negativas e contribuição negativa de R$18 milhões da comercialização de gás, enquanto as usinas a carvão também decepcionaram e os custos de holding atingiram R$114 milhões. Futura mais a comercialização de energia registraram EBITDA negativo de R$2 milhões, novamente impactados por curtailment. A companhia também divulgou a atualização da certificação de reservas de Parnaíba, mostrando reservas 2P de 37,9 BCM em dezembro de 2025, praticamente estáveis em relação aos 37,6 BCM de dezembro de 2023, com taxa de reposição de reservas de 111%.
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)
- Mitre (MTRE3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 4,80
A companhia reportou resultados do 4T25 amplamente em linha com as estimativas da receita ao lucro líquido. A receita líquida totalizou R$316 milhões, queda de 10% a/a em função de uma desaceleração em lançamentos e vendas ao longo do ano, enquanto a margem bruta atingiu 34,8%, alta de 450 bps a/a e 230 bps acima das estimativas. O lucro líquido somou R$24 milhões, alta de 25% a/a e levemente acima das projeções, implicando ROE anualizado de 9% no trimestre. No período, a companhia registrou sólida geração de fluxo de caixa livre de R$50 milhões, acima da expectativa de R$10 milhões, refletindo principalmente o forte ciclo recente de entregas. A companhia encerrou 2025 com relação Dívida Líquida/Patrimônio Líquido de 44%, ante 37% um ano antes. Apesar do valuation descontado de 0,4x P/Valor Patrimonial Tangível, reiteramos recomendação neutra devido ao cenário macro desafiador para média/alta renda, à alavancagem acima dos pares e à expectativa de ROE em um dígito por mais tempo.
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)
- Trisul (TRIS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 9,00
A companhia reportou números do 4T25 amplamente em linha com as estimativas da receita ao lucro líquido, com fluxo de caixa livre ligeiramente acima do esperado. A receita líquida totalizou R$440 milhões, alta de 5% a/a, enquanto a margem bruta ajustada foi de 31,3%, queda de 180 bps a/a e 10 bps acima das projeções. O lucro líquido somou R$63 milhões, queda de 13% a/a, exatamente em linha com as estimativas, resultando em um ROE anualizado de 17% no trimestre. No 4T25, a companhia gerou R$40 milhões em fluxo de caixa livre, acima da expectativa de R$20 milhões, favorecida por forte volume de entregas e menores compras de terrenos. Considerando o pagamento de R$100 milhões em dividendos em novembro, a dívida líquida encerrou o trimestre em R$541 milhões, implicando relação Dívida Líquida/Patrimônio Líquido de 37%. Embora a visão para incorporadoras de média/alta renda seja mais cautelosa diante de um cenário macro difícil, reiteramos recomendação de compra, apoiada pelo valuation de 6,5x P/L para 2026 e pela maior exposição ao segmento de baixa renda por meio da marca Elev.
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)
- Tenda (TEND3); COMPRA; Preço-alvo R$ 44,00
A companhia reportou no 4T25 forte crescimento a/a na DRE, com LPA em linha com as estimativas, e geração de fluxo de caixa livre de R$25 milhões, abaixo da projeção. A receita líquida totalizou R$1,2 bilhão, alta de 39% a/a e 13% acima do esperado, enquanto a margem bruta ajustada foi de 31,9%, alta de 110 bps a/a, mas 175 bps abaixo das estimativas, pressionada pelo reconhecimento de R$55 milhões em estouros de custo nas operações offsite da Alea. O lucro líquido foi de R$105 milhões, alta de 5x a/a e 4% abaixo das projeções, com a Alea registrando prejuízo líquido de R$50 milhões, em linha com o esperado. No trimestre, a operação onsite da marca Tenda gerou R$76 milhões em fluxo de caixa operacional, enquanto a Alea continuou consumindo caixa em R$20 milhões, levando a relação Dívida Líquida/Patrimônio Líquido a 22%, ante 20% um ano antes. No geral, os resultados ficaram em linha com as estimativas, com receita melhor do que o esperado sendo compensada por maiores custos e despesas, principalmente na Alea, e as vendas de janeiro e fevereiro cresceram 27% a/a. Em uma visão mais ampla, 2025 foi um ano forte para a operação onsite, enquanto a Alea continuou apresentando margens brutas negativas, perdas elevadas e consumo de caixa, e a recomendação de compra reiterada a 6x P/L 2026.
Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
- 3tentos (TTEN3); COMPRA; Preço-alvo R$ 26,00
A companhia entregou um trimestre com pontos positivos e negativos, com lucro bruto ajustado por hedge e receitas ligeiramente acima das estimativas, mas EBITDA reportado de R$237 milhões, 16% abaixo da projeção, devido ao maior peso de custos de vendas, gerais e administrativos. No balanço patrimonial, a dívida líquida ficou praticamente estável t/t, pois uma liberação de R$305 milhões em capital de giro compensou o capex ainda elevado ligado ao crescimento da capacidade de esmagamento de soja, à nova planta de etanol de milho e à abertura de novas lojas, encerrando o ano com Dívida Líquida/EBITDA ajustado de 1,9x. A principal surpresa negativa do trimestre veio dos custos logísticos, com despesas de frete, armazenagem e expedição por tonelada subindo 60% a/a e alcançando 21% das receitas de grãos e farelo de soja. No varejo, a receita cresceu 7% a/a, embora parte dos volumes tenha sido deslocada para o 1T26, e a margem bruta expandiu 3,5 p.p. para 23,2%, com o Mato Grosso representando 35% das receitas do segmento no ano. Na indústria, os hedges voltaram a sustentar os resultados, com impacto positivo de R$155 milhões de derivativos de commodities e NDFs liquidados, enquanto o segmento de grãos entregou forte crescimento de volume, mas rentabilidade abaixo do esperado. Apesar do aumento dos custos logísticos ter reacendido preocupações sobre o ritmo de crescimento, a tese de investimento de longo prazo foi mantida, sustentada por ROIC médio de 21%, valuation de 10x P/L 2026, taxa de crescimento composta do lucro acima de 20% nos próximos três anos e melhora esperada no momento de resultados com margens melhores no varejo e na indústria e com o início da operação da planta de etanol de milho.
Saúde (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
- Fleury (FLRY3); COMPRA; Preço-alvo R$ 19,00
A companhia reportou resultados do 4T amplamente em linha com as estimativas, com crescimento orgânico razoável e margens estáveis. A receita líquida cresceu 12% a/a para R$2,06 bilhões, enquanto o lucro bruto aumentou 8% a/a para R$490 milhões, com margem de 23,8%, queda de 90 bps a/a. A menor margem bruta foi compensada por diluição de despesas operacionais, mantendo a margem EBITDA estável em 22%, com EBITDA de R$456 milhões (+12% a/a). A receita bruta consolidada cresceu 12% a/a, impulsionada principalmente pelo desempenho do B2C e por aquisições recentes como Confiance, Hemolab e LSL. A geração de fluxo de caixa foi sólida, com FCF operacional de R$322 milhões (+28% a/a), enquanto a dívida líquida atingiu R$2,18 bilhões, com alavancagem estável em 1,0x Dívida Líquida/EBITDA. Em um ambiente macro volátil, o modelo de negócios permanece relativamente estável e a recomendação de compra é mantida, embora o potencial de valorização pareça mais limitado com a ação negociando a 12,5x P/L 2026.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Luis Mollo, CFA)
- Lojas Renner (LREN3); COMPRA; Preço-alvo R$ 20,00
A companhia reportou números operacionais razoáveis e acima das estimativas no 4T, com vendas em linha e margem bruta como principal destaque positivo. A receita líquida do varejo cresceu 4,3% a/a para R$4,3 bilhões, com SSS de 3,3% a/a e ticket médio de 1,1% a/a. O EBITDA ajustado consolidado atingiu R$1,1 bilhão (+9% a/a), com margem de 25,6%, enquanto o lucro líquido ajustado foi de R$553 milhões (+13% a/a). A margem bruta do varejo subiu 70 bps a/a para 56,5%, impulsionada por menores descontos e gestão de estoque mais eficiente. Na Realize, a carteira de crédito cresceu 11,3% a/a, enquanto inadimplência acima de 90 dias apresentou melhora quando excluídos efeitos contábeis da Resolução 4.966. Apesar de fundamentos menos fortes no curto prazo e desempenho recente mais fraco do setor de vestuário, espera-se recuperação gradual ao longo do ano, com valuation de 10x P/L 2026 indicando potencial de valorização apoiado por dividendos, IOC e possíveis recompras.
Alimentos & Bebidas (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
- Nota Setorial - Alimentos & Bebidas
Os dados de exportação de carnes de fevereiro indicaram aumento de volumes tanto m/m quanto a/a para todas as proteínas, impulsionados pela demanda internacional resiliente. No segmento de aves no Brasil, os volumes exportados cresceram 7% m/m e 6% a/a, enquanto os preços subiram 4% a/a, com importações chinesas retornando a níveis próximos aos de fevereiro de 2024. No mercado doméstico de frango, preços permaneceram estáveis m/m, mas menores custos elevaram spreads em 3% m/m e 12% a/a. No segmento de carne bovina no Brasil, os spreads caíram 8% m/m devido à alta de 7% nos preços do gado e à queda dos preços em reais. Nos Estados Unidos, margens da carne bovina permanecem próximas de mínimas históricas, enquanto spreads de frango melhoraram m/m, principalmente por fatores sazonais. Entre as empresas do setor, JBS permanece como a única com recomendação de compra.
Propriedades (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)
- HBR (HBRE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 8,00
A companhia reportou resultados mistos no 4T25, com crescimento de receita e EBITDA, mas FFO pressionado pela elevada alavancagem. Ajustada pela venda do ativo 3A Pinheiros, a receita líquida atingiu R$61 milhões (+51% a/a), enquanto o EBITDA ajustado foi de R$30 milhões (+55% a/a), com margem de 49%. O FFO permaneceu negativo em R$22 milhões, impactado principalmente por despesas financeiras elevadas decorrentes da alavancagem. Nos ativos de strip malls (ComVem), SSS e SSR cresceram 10% e 7% a/a, enquanto a vacância caiu para 13,1%. No segmento de shoppings, o SSS avançou 2% a/a e a vacância recuou para 6,5%, enquanto o W Hotel foi destaque operacional com redução da vacância no portfólio de oportunidades. A redução da alavancagem permanece como fator central para a tese de investimento, com estratégia de venda de ativos visando deslocar valor da dívida para o capital próprio.
