Radar Diário Diário de Ações - 07/01/2026
Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
- Nota Setorial - Agronegócio
Os dados de exportação de proteínas do quarto trimestre mostraram volumes recordes para carne bovina e aves, e o terceiro maior nível histórico para suínos. Apesar do desempenho positivo em volumes, as margens seguiram trajetórias distintas entre as proteínas. Na carne bovina, os spreads de exportação tiveram leve alívio mensal, mas foram pressionados no trimestre pelo aumento do custo do gado. No mercado doméstico, preços mais altos compensaram parte desses custos, elevando os spreads mensal e trimestralmente. Na avicultura, preços de exportação permaneceram fracos, mantendo pressão sobre as margens, enquanto custos de ração mais altos afetaram o mercado interno. Nos Estados Unidos, os spreads de carne bovina ficaram praticamente estáveis no trimestre, enquanto os de aves recuaram de forma relevante. No Brasil, as exportações de frango atingiram novo recorde, sustentadas pela demanda global. A retomada das compras chinesas ocorreu apenas em dezembro e ainda em volumes reduzidos. As margens domésticas de frango seguem acima da média histórica, mas com tendência de queda. A expectativa de maior oferta em 2026 pode pressionar preços e margens. Nesse contexto, a JBS permanece como a única recomendação de compra no setor.
Mineração & Siderurgia (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)
- Vale (VALE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 80,00
O níquel apresentou valorização relevante nas últimas semanas, passando de cerca de US$ 14.000/t para mais de US$ 18.000/t, o que representa alta superior a 25% em um mês. Esse movimento contrasta com a percepção histórica de que o negócio de níquel da companhia vinha sendo um ponto negativo, inclusive com EBITDA negativo e consumo de caixa em diversos trimestres. A recente alta de preços ainda parece pouco refletida nas discussões com investidores, apesar do potencial impacto positivo. A incerteza em torno do novo marco regulatório de licenciamento de níquel na Indonésia, responsável por mais de 50% da oferta global, sustenta os preços no curto prazo. Propostas de redução do volume de minério aprovado para 2026 reforçam expectativas de desaceleração da oferta, ainda que sem decisão formal. No cenário base, os metais básicos devem representar cerca de 15% a 20% do EBITDA consolidado da companhia em 2026. Com os preços atuais, o ajuste a mercado indicaria potencial de alta de aproximadamente 8% no EBITDA consolidado. A melhora operacional e o controle de custos no negócio de níquel já resultaram em economias anuais de US$ 240 milhões. A administração mantém a meta de atingir breakeven de caixa até 2027, que pode ser antecipada com o atual nível de preços. A companhia ainda negocia como um play puro de minério de ferro, apesar da exposição crescente em metais básicos. A avaliação sugere espaço para reprecificação relevante caso o desempenho operacional continue melhorando.
Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- WEG (WEGE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 52,00
Em 2025, a companhia apresentou resultados operacionais sólidos, mas o desempenho das ações foi volátil ao longo do ano. Após atingir máximas em 2024, as ações passaram por um período prolongado de performance abaixo do esperado devido a dúvidas sobre crescimento, riscos tarifários e valorização do real. Com a redução desses riscos e melhora da percepção de crescimento, os papéis tiveram forte recuperação no final do ano. No nível operacional, o período serviu para confirmar a exposição da companhia ao ciclo de investimentos em infraestrutura de energia nos Estados Unidos. Esse fator ajudou a compensar o crescimento mais fraco no mercado brasileiro. Para 2026, espera-se um ano não linear, especialmente em termos de crescimento a/a. No início do ano, a performance deve ser pressionada por base de comparação mais forte, menor crescimento doméstico e impactos tarifários. Ao longo do segundo semestre, a entrada de nova capacidade em transmissão e distribuição deve acelerar o ritmo de crescimento. As margens tendem a permanecer resilientes, apoiadas por mix mais favorável e maior rentabilidade das operações internacionais. Hoje, o valuation não é tão atrativo como anteriormente, com um múltiplo de P/L elevado. Ainda assim, fatores como cenário político doméstico incerto e fortalecimento do ciclo de energia nos EUA podem sustentar o interesse dos investidores. Crescimento, rentabilidade e possíveis aquisições seguem como os principais vetores a serem monitorados.
- Embraer (EMBJ3); COMPRA; Preço-alvo R$ 107,00
A companhia divulgou os dados de entregas do quarto trimestre e do ano de 2025, totalizando 91 aeronaves no trimestre. As entregas de aviação comercial ficaram em linha com as estimativas, somando 32 unidades no período. A aviação executiva superou as projeções, com 53 jatos entregues, acima do esperado. O segmento de defesa e segurança contribuiu com seis aeronaves, incluindo modelos KC e A-29 Super Tucano. No acumulado de 2025, foram entregues 155 jatos executivos, atingindo o topo do guidance anual. As entregas comerciais totalizaram 78 aeronaves, próximas ao limite inferior do intervalo divulgado. O desempenho mais forte do trimestre gera revisão positiva para as estimativas do período. O segmento executivo mostrou crescimento relevante em relação ao ano anterior, tanto em jatos leves quanto médios. Na aviação comercial, os números indicam persistência de restrições na cadeia de suprimentos. A companhia deve apresentar forte geração de fluxo de caixa no trimestre, tradicionalmente o mais robusto do ano. O desempenho recente das ações acompanha tendências globais, especialmente ligadas ao setor de defesa. O conjunto de resultados sustenta a visão positiva para o curto prazo.
