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Sacre Investimentos
08 de jan. de 20264 min

Radar Diário Diário de Ações - 08/01/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Pedro Lima / Luis Mollo, CFA)

  • Nota Setorial - Varejo & Consumo

O mercado brasileiro de e-commerce passou de um pico extraordinário impulsionado pela pandemia para uma trajetória de crescimento mais normalizada, porém ainda robusta. O GMV online doméstico, excluindo plataformas cross-border, atingiu cerca de R$ 330 bilhões em 2024 e é estimado em R$ 380 bilhões em 2025. Após crescer 29% em 2021, o setor desacelerou para 3% em 2022 e 2% em 2023, antes de recuperar acima de 25% em 2024 com a retomada do consumo e melhora dos serviços. Vetores estruturais, como maior entrada de vendedores, ampliação do sortimento e aumento da frequência de compras, seguem sustentando a expansão. A penetração do e-commerce ainda é limitada, representando 11% do varejo total em 2024, com projeções de 12% em 2025 e até 15,6% em 2028. O ambiente competitivo se intensificou com a entrada de plataformas estrangeiras, embora mudanças tributárias em 2024 tenham reduzido parte de suas vantagens. A disputa passou a exigir escala, logística local e capacidade de monetização. A logística tornou-se o principal diferencial competitivo, superando preço como fator estratégico. Apesar de maior cautela no curto prazo, a visão segue positiva para o crescimento estrutural do setor e para o posicionamento de longo prazo em Mercado Livre.

Transportes (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Localiza&Co (RENT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 55,00

O desempenho de 2025 apresentou fases distintas, com forte valorização das ações sustentada por tendências macro favoráveis, apesar de pressão operacional no primeiro semestre. O ponto de maior pessimismo ocorreu com o anúncio do novo programa de IPI, que levou ao reconhecimento de impairment na frota. A partir do terceiro trimestre, o sentimento melhorou com sinais de estabilização, especialmente na depreciação. A expectativa para 2026 é de redução do ceticismo e retomada de uma visão mais construtiva tanto no segmento de aluguel quanto no de Seminovos. No aluguel, a normalização do spread ROIC deve permitir retomada do crescimento via maior volume e utilização. No segmento de usados, o principal desafio segue sendo o aumento do volume de vendas. A tese considera crescimento do lucro líquido em torno de 20% ao ano e potencial de expansão de múltiplo com queda do custo de capital. A redução das taxas de juros e a melhora do mercado automotivo são vetores-chave para volumes e eficiência. O controle da depreciação permanece como fator central para destravar o potencial de resultados.

Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Luis Mollo, CFA)

  • Nota Setorial - Serviços Básicos

O fim de 2024 e o ano de 2025 apresentaram contextos bastante distintos, com queda relevante dos prêmios de risco e mudança de expectativas. Apesar da forte performance recente e prêmios de risco historicamente baixo, o setor de serviços básicos ainda se mostra relativamente atrativo frente a outros segmentos. A combinação de juros em queda, incerteza eleitoral, fundamentos operacionais sólidos e menor exposição ao cenário político de 2026 sustenta esse posicionamento. Os chamados “Compounders” mantêm características defensivas, embora a decisão de alocação seja hoje mais dependente do cenário macro do que de valuation absoluto. Sabesp, Equatorial e Copel se destacam como principais nomes do grupo. Essas companhias apresentam oportunidades de alocação de capital relevantes ao longo de 2026. Além disso, Eneva, Copasa e Sanepar são vistas como potenciais destaques de performance, dadas possíveis revisões positivas de valuation. Os preços de energia surpreenderam em 2025 e ainda podem gerar ganhos adicionais, apesar de limitações de oferta. O setor segue bem-posicionado para absorver capital em um ambiente de juros mais baixos.

Papel & Celulose (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)

  • Dexco (DXCO3); COMPRA; Preço-alvo R$ 7,00

A Dexco anunciou um novo acordo florestal envolvendo aporte de cerca de R$ 200 milhões em sua subsidiária Jatobá Florestal, sendo a segunda transação do tipo em 30 dias. Com isso, os ingressos totais de caixa atingem R$ 350 milhões, somando-se ao acordo de dezembro via Cambuí Florestal. Apesar do tamanho relativamente limitado das operações e da existência de contrapartidas futuras, os recursos aliviam a posição de caixa e contribuem para a redução da alavancagem. A dívida líquida/EBITDA encontra-se em 3,48x, com expectativa de queda gradual. A companhia vem demonstrando maior foco em disciplina financeira e desalavancagem. Paralelamente, há iniciativas operacionais para melhorar desempenho nas divisões mais pressionadas, como Deca e Cerâmicas. A administração avalia alternativas adicionais, incluindo desinvestimentos pontuais e eventual venda relevante de ativos. A expectativa é de redução da alavancagem para cerca de 3,2x após geração de fluxo de caixa. Mesmo diante de riscos, o valuation atrativo e a melhora na disciplina financeira sustentam a recomendação de compra.