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Sacre Investimentos
09 de fev. de 20264 min

Radar Diário Diário de Ações - 09/02/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)

  • Nota Setorial - Construção Civil

As construtoras focadas em média e alta renda apresentaram desempenho sólido em 2025, mesmo diante de um ambiente macroeconômico desafiador. O período foi marcado por números surpreendentemente fortes, com lançamentos consolidados crescendo 29% a/a e vendas avançando 1% a/a. As empresas conseguiram expandir volume e sustentar margens mesmo com taxas de financiamento imobiliário em máximas históricas e piora relevante na acessibilidade. Embora o pior cenário pareça ter ficado para trás, espera-se apenas cortes graduais de juros, encerrando 2026 em 12% ao ano ante 15% atualmente. A redução aproximada de 300 pontos-base não deve gerar quedas significativas nas taxas de financiamento devido à escassez de funding e ao impacto negativo do período eleitoral sobre decisões de compra. Diante disso, recomenda-se maior seletividade por parte dos investidores. Os estoques cresceram 32% a/a, ritmo superior ao das vendas, pressionando a rentabilidade. O custo de carregamento desses estoques aumentou com juros elevados e sua comercialização tende a ser mais difícil que a de novos projetos. Níveis elevados de estoque podem reduzir o giro de ativos e gerar descontos, comprimindo o retorno sobre o patrimônio. Para mitigar a ciclicalidade, diversas empresas expandiram atuação no segmento de baixa renda, buscando receitas mais previsíveis e resilientes. O setor registrou forte valorização das ações, reduzindo a atratividade dos múltiplos, e a Cyrela permanece como Top Pick devido ao valuation, maior exposição ao MCMV, liquidez superior e histórico consistente de execução.

Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Luis Mollo, CFA)

  • Equatorial (EQTL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 53,00

A Equatorial divulgou a prévia operacional do 4T25 com crescimento de volumes distribuídos de 4,9% a/a, ou 4,0% ajustado pela geração distribuída. Cemar e Cepisa lideraram o desempenho, com volumes faturados avançando 2,9% a/a e 2,8% a/a, respectivamente. O crescimento da Cemar foi sustentado por maior demanda residencial associada a temperaturas mais elevadas, enquanto a Cepisa apresentou consumo mais forte em todos os segmentos. A CEA registrou a maior queda, com retração de 3,7% a/a. Entre as demais concessões, Celg e Celpa cresceram, enquanto CEEE-D e Ceal apresentaram queda. Por segmento, o consumo classificado como outros subiu 3,5% a/a, seguido pelo industrial e residencial, enquanto o comercial recuou 2,7% a/a. As perdas consolidadas aumentaram levemente para 18,1% t/t, ainda 200 pontos-base abaixo do limite regulatório. Reduções em algumas concessões foram mais do que compensadas por aumentos em outras, mantendo certas operações acima dos limites regulatórios. No segmento de renováveis, a Echoenergia registrou queda de 11,2% a/a na geração, totalizando 1.388 GWh. A geração eólica recuou 9,9% e a solar caiu 17,6%, com níveis elevados de curtailment. Em saneamento, o número de conexões ativas diminuiu, os volumes de água faturados recuaram e as perdas de distribuição aumentaram. Apesar disso, a cobertura de água e esgoto apresentou melhora no período.

Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

  • 3tentos (TTEN3); COMPRA; Preço-alvo R$ 26,00

A discussão sobre empresas com planos de crescimento ambiciosos envolve riscos relacionados à execução operacional e expansão estrutural. Historicamente, muitas histórias de crescimento não entregaram os resultados inicialmente projetados. No caso da 3tentos, esse risco foi mitigado pelo histórico desde o IPO, com receita aumentando de R$5 bilhões para R$16 bilhões entre 2021 e 2025. A companhia ganhou participação de mercado enquanto concorrentes enfrentaram dificuldades e manteve retornos elevados sobre investimento. Parte das preocupações recentes parece estar associada às expectativas para o quarto trimestre de 2025. Não são esperadas mudanças estruturais decorrentes do trimestre. A receita consolidada deve crescer 10% a/a, impulsionada pelos segmentos de varejo e indústria, ambos projetados com alta de 5% a/a. Parte dos volumes pode ter sido postergada para o primeiro trimestre de 2026 devido a atrasos no plantio e paradas temporárias de unidades de esmagamento. As margens de varejo devem expandir a/a e t/t, enquanto grãos e indústria tendem a permanecer estáveis ou levemente pressionados. O EBITDA estimado é de R$283 milhões, com margem de 6,7%, impactada por mix mais voltado a trading e maiores despesas de vendas. Apesar da reação negativa recente do mercado, o valuation de aproximadamente 9x P/L para 2026 e o crescimento projetado de lucro líquido sustentam a manutenção da tese de investimento no longo prazo.