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Sacre Investimentos
09 de mar. de 202611 min

Radar Diário Diário de Ações - 09/03/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)

  • Nota Setorial - Construção Civil

Nas últimas semanas houve intenso fluxo de notícias sobre novas medidas para o programa MCMV que podem ser anunciadas em breve, com a reunião do Conselho do FGTS marcada para 24 de março para discutir possíveis mudanças. Com base em entrevistas com autoridades e apurações, espera-se que o MCMV volte a crescer significativamente tanto em orçamento total quanto no número de famílias elegíveis. O crescimento ocorreria por meio do aumento de subsídios, da ampliação dos níveis de renda para cada faixa e da elevação dos preços máximos das moradias. Notícias recentes indicam que o governo pretende ajustar o programa elevando a renda familiar em todas as faixas, com a Faixa 1 passando para R$3.200 mensais e a Faixa 4 para R$13 mil. Também está previsto o aumento do preço máximo da Faixa 3 para R$400 mil por imóvel e da Faixa 4 para R$600 mil. Não se descarta a possibilidade de aumento adicional dos subsídios em dinheiro e redução das taxas de financiamento imobiliário. A atualização do modelo do FGTS foi realizada para avaliar a sustentabilidade do novo orçamento anual do programa, anunciado recentemente em R$142 bilhões por ano, frente a R$132 bilhões executados em 2025. A análise indica que o FGTS deve permanecer sustentável por mais tempo devido ao baixo desemprego e às taxas de juros elevadas que aumentam o retorno da posição de caixa do fundo. A avaliação aponta que o FGTS não deverá ter dificuldades para manter um orçamento elevado para o MCMV pelos próximos cinco a seis anos. Além do orçamento do FGTS, o governo também pode anunciar R$50 bilhões adicionais em financiamento por meio do Fundo Social proveniente de royalties do pré-sal.

Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Rumo (RAIL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00

O ajuste da estratégia de preços da Rumo iniciado em meados de 2025 gerou uma sequência de notícias negativas para os investidores, com reflexo nos resultados do 3T e do 4T. Na teleconferência mais recente, a companhia indicou que espera uma queda de preços em torno de 10-13% no 1T, considerada a última etapa do processo de ajuste. O reposicionamento comercial iniciado em 2025 buscou restaurar competitividade e reconstruir o pipeline comercial por meio de reduções graduais de preços em corredores relevantes. Os efeitos dessa estratégia tornaram-se visíveis nos resultados recentes, com redução de yields e início de recuperação de volumes. A administração indicou que o ajuste está praticamente concluído e que os preços atuais já são competitivos o suficiente para estimular a demanda e reconstruir volumes contratados. Dados operacionais recentes mostraram volumes mais fortes, incluindo um recorde em dezembro e continuidade do bom desempenho em janeiro e fevereiro. O volume total de fevereiro atingiu 6,9 bilhões de TKU, com crescimento anual de 17% e avanço mensal de 23%, impulsionado pela colheita e comercialização da soja. No Corredor Norte, os volumes totalizaram 6 bilhões de TKU, com destaque para o transporte de soja e farelo de soja. O plano de investimentos para 2026 deve ficar abaixo do nível de 2025 e acima do de 2024, com capex estimado entre R$5,5 bilhões e R$6,1 bilhões. A companhia também apresentou resultados do 4T considerados mistos, com EBITDA abaixo das estimativas devido a margens menores, enquanto tarifas no corredor norte caíram 13% a/a e capex e alavancagem permaneceram estáveis t/t.

Alimentos & Bebidas (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

  • Nota Setorial - Alimentos & Bebidas

O IBGE divulgou os dados de produção de bebidas alcoólicas de janeiro no Brasil, que refletem principalmente a produção de cerveja, com queda de 0,8% a/a e recuo de 4,5% nos últimos doze meses. O desempenho recente ocorre após um ano considerado atípico para o setor de cerveja no país. Historicamente, o volume de cerveja apresenta relação próxima com o nível de atividade econômica. O consumo tende a ocorrer após gastos com itens essenciais como alimentação e água, caracterizando-se como categoria de consumo mais discricionária. Em 2025, os volumes de cerveja caíram 4,7% a/a enquanto o PIB real do Brasil cresceu 2,3%, criando uma diferença de cerca de 7% entre desempenho de volumes e crescimento econômico. Esse resultado ocorreu mesmo em um contexto de desemprego em mínima histórica e desaceleração da inflação de alimentos. O ano também foi marcado por condições climáticas adversas, dinâmica incomum de preços entre as principais cervejarias, retorno à sazonalidade pré-COVID e um mercado já relativamente maduro. Esses fatores contribuíram para pressionar os volumes da indústria acima do normal. Nesse contexto, a queda de 0,8% a/a em janeiro representa um resultado mais saudável em comparação aos números observados ao longo do ano anterior. A estimativa permanece de crescimento de 2% a/a nos volumes de cerveja da Ambev no Brasil em 2026. A avaliação considera ausência de pressões climáticas relevantes no início do ano e possível apoio adicional à demanda com eventos como a Copa do Mundo da FIFA.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Luis Mollo, CFA)

  • Vivara (VIVA3); COMPRA; Preço-alvo R$ 36,00

Estamos lançando um relatório recorrente de monitoramento de preços cobrindo as bandeiras Vivara, Life e Pandora, com base em uma análise abrangente em nível de SKU por marcas, categorias e materiais, incluindo 19,7 mil SKUs da Vivara, 10,5 mil da Life e 2,4 mil da Pandora. O objetivo é fornecer uma visão em tempo real do posicionamento de preços, da intensidade promocional e do mix de sortimento, oferecendo maior clareza sobre a dinâmica competitiva e o poder de precificação no mercado brasileiro de joias. Esse arcabouço ganha relevância no ambiente atual de commodities, com o ouro subindo 20% no ano e 77% nos últimos 12 meses, enquanto a prata avança 11% no ano e 160% nos últimos 12 meses. O acompanhamento dos movimentos de preços em nível de SKU permite avaliar como as empresas estão respondendo à inflação de matérias-primas, protegendo margens e preservando disciplina de preços. A análise inicial reforça a clareza da segmentação de portfólio da Vivara, que permanece posicionada no segmento premium, com preço médio de R$7 mil contra R$595 na Life, mediana de R$4,2 mil contra R$530, dispersão mais ampla de preços e exposição materialmente maior a joias de ouro maciço. A Life opera com tíquete estruturalmente mais baixo, concentrada em categorias ligadas à prata, com faixas de preço mais estreitas, enquanto a diferença de preço entre as duas marcas permanece relevante nas categorias comparáveis e a penetração de descontos é mais contida na Vivara. A Pandora compete principalmente no segmento acessível da Life, com sobreposição de faixas de preço em charms e pulseiras, embora a Life costume apresentar preços de entrada mais baixos na maioria das categorias de prata. Em meio à forte alta do ouro e da prata, a capacidade da Vivara de gerenciar preços em linha com os movimentos das commodities torna-se uma variável competitiva importante. De forma geral, a estrutura de preços e o posicionamento de estoques permanecem consistentes com a tese de investimento, enquanto a preservação do teto de preços premium e a atividade promocional disciplinada reforçam a força da marca e o poder de precificação nas bandeiras Vivara e Life. Ainda assim, o mercado deve acompanhar de perto a dinâmica de margem bruta e a normalização do capital de giro, enquanto as estimativas para 2026 assumem margem EBITDA estável e a ação negocia a 11x P/L para 2026.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Luis Mollo, CFA)

  • Nota Setorial - Varejo & Consumo

O iFood permanece como a força dominante no delivery de restaurantes no Brasil, tendo processado 1,261 bilhão de pedidos em seu último ano fiscal, com crescimento de 29% a/a, enquanto o GMV avançou 32%. A Prosus também informou que os compradores mensais únicos no negócio principal de delivery de comida chegaram a 25 milhões, enquanto estimativas de mercado apontam cerca de 55 milhões de usuários ativos, aproximadamente 400 mil estabelecimentos parceiros e operações em 1.500 cidades brasileiras. As estimativas públicas de participação de mercado variam conforme a definição do segmento, mas a mensagem central é que o mercado brasileiro de delivery é altamente concentrado no iFood, com mais de 70% do mercado de delivery de restaurantes e cerca de 57% do ecossistema mais amplo de delivery online. A saída do Uber Eats do Brasil em 2022 evidenciou a dificuldade de competir em escala contra um marketplace denso, sustentado por efeitos de rede que combinam consumidores, entregadores, restaurantes, infraestrutura logística, ferramentas de publicidade e programas de fidelidade. O ponto estratégico central é que o iFood deixou de ser apenas um marketplace de restaurantes, e as iniciativas de crescimento vêm ganhando relevância, com receita de US$214 milhões no ano fiscal de 2025, alta de 34% em moeda local, impulsionada principalmente pela expansão de marketplace de supermercados e por serviços financeiros. Dentro desse segmento, a vertical de supermercados gerou US$78 milhões de receita, alta de 30% em moeda local, e reduziu o prejuízo ajustado de EBIT em US$43 milhões, para US$36 milhões negativos, refletindo alavancagem operacional com o aumento de escala. Supermercados aparecem como a segunda perna mais clara da história de crescimento, com aceleração do segmento ao longo do ano fiscal de 2025, ao passo que farmácia emergiu como uma das verticais de maior crescimento, com pedidos avançando 78% em 2024 e aumento do número de farmácias parceiras para cerca de 20 mil estabelecimentos em quase 900 cidades em 2025. A regulação tornou-se uma variável importante para a trajetória de longo prazo, com acordo do Cade em 2023 limitando contratos de exclusividade, discussões sobre regulação trabalhista para entregadores de plataformas e regras da Anvisa exigindo que vendas online de medicamentos estejam vinculadas a farmácias licenciadas. No cenário competitivo mais amplo, Rappi e Mercado Livre avançam a partir de pontos de partida distintos, com o primeiro focado em quick commerce e dark stores, e o segundo expandindo sua rede logística para entregas no mesmo dia e ultrarrápidas em categorias de e-commerce, supermercados e farmácia. À medida que esses ecossistemas se expandem, a concorrência deixa de se concentrar em categorias isoladas e passa a se dar entre plataformas que disputam frequência de uso e o papel de aplicativo principal para consumo cotidiano, integrando comida, supermercado, medicamentos, pagamentos e logística.

Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)

  • Nota Setorial - Petroleo & Gás

Petrobras, Vista e PRIO são as preferências entre investidores estrangeiros

Na última semana, realizamos um roadshow no Reino Unido e nos Estados Unidos, no qual discutimos o setor de Petróleo & Gás da América Latina com investidores. Além do conflito em curso no Oriente Médio e das perspectivas para o preço do petróleo, os principais temas de discussão incluíram: (i) a estabilidade e o crescimento da produção da Petrobras, fatores bem avaliados por investidores estrangeiros; (ii) o momento positivo da PRIO, com a primeira extração de petróleo de Wahoo e a possibilidade de implementação de uma política de dividendos; (iii) a reorganização em andamento no setor de P&G da Colômbia, particularmente a recente tendência de consolidação entre empresas juniores de exploração e produção, bem como as potenciais oportunidades que poderiam surgir para a Ecopetrol em um cenário eleitoral mais favorável ao mercado; e (iv) o desenvolvimento contínuo da bacia de Vaca Muerta, na Argentina, com investidores demonstrando interesse particular na história de crescimento da Vista Energy. A distribuição de combustíveis no Brasil também foi discutida, embora investidores estrangeiros pareçam menos interessados em entrar nessas ações neste momento. De forma geral, acreditamos que as preferências de ações entre investidores estrangeiros sejam: (i) Petrobras; (ii) Vista; e (iii) PRIO. 

Petrobras

Investidores norte-americanos são, em geral, positivos em relação à Petrobras, considerando o perfil resiliente da companhia. Apesar de yields menores em 2026, a maioria dos investidores está olhando mais para 2027–28, período em que a companhia deve ser capaz de gerar yields de FCFE/dividendos na faixa de 10-15%. Nossas discussões giraram em torno do crescimento da produção e do desempenho operacional, incluindo o potencial maior eficiência e a antecipação de novos FPSOs em Búzios. Também surgiram discussões sobre preços de combustíveis diante da alta do Brent, mas a maioria dos investidores acredita que apenas um ajuste marginal já seria suficiente para restaurar a rentabilidade do refino da Petrobras. De forma geral, nossa percepção é que investidores estrangeiros permanecem positivos em relação à Petrobras, com poucas exceções, sendo que muitos também mantêm posição na ação considerando a possibilidade de uma mudança para um governo mais favorável ao mercado nas próximas eleições.

PRIO 

Discutimos a PRIO com a maioria dos investidores com quem nos reunimos, com vários demonstrando entusiasmo em relação a primeira extração de petróleo de Wahoo e à possibilidade de a PRIO se tornar pagadora de dividendos nos próximos trimestres. Alguns investidores demonstraram preocupação quanto ao posicionamento e ao potencial adicional de valorização da ação, considerando a forte alta no ano, mas destacaram que os programas de recompra em andamento e eventuais dividendos devem oferecer suporte ao papel. Embora alguns investidores considerem que se trata de uma história mais arriscada em comparação com empresas onshore (como a Vista), eles estão dispostos a lidar com volatilidade de produção caso ocorram interrupções e acreditam que a companhia continuará encontrando novos projetos geradores de valor, seja de forma orgânica ou inorgânica (especialmente se a Petrobras retomar seu programa de desinvestimentos).